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28 de abril de 2026

A seca trava a expansão: 75% das vacas de corte dos EUA estão em áreas secas

A fórmula para a expansão do rebanho pode ser simples — “pasto mais rentabilidade resultam em mais gado” — mas a realidade no campo está longe de ser simples. O analista da CattleFax Holden Ramey afirma que quase três quartos do rebanho de vacas de corte dos Estados Unidos estão atualmente em áreas afetadas pela seca, limitando fortemente a capacidade da indústria de recompor o rebanho.

Embora os sinais de rentabilidade sejam fortes, ele afirma que pastagens secas, juros elevados, custos altos de insumos e volatilidade do mercado estão forçando muitos pecuaristas a adiar ou reduzir a retenção de novilhas.

“Estamos vendo alguma retenção de fêmeas de forma limitada”, observa Ramey, “mas é uma reconstrução lenta e cautelosa, não uma expansão acelerada”.

Ramey apresentou uma perspectiva sobre o ciclo pecuário dos EUA, dinâmica do rebanho, mercados de grãos e alimentação, impactos da seca, comércio, demanda e expectativas de preços em toda a cadeia da carne bovina durante o “Breakthrough Symposium: New World Screwworm Preparedness”, realizado na sexta-feira em San Antonio, Texas.

Sua principal mensagem foi: a oferta continuará historicamente apertada, a demanda está excepcionalmente forte, a expansão será lenta e cautelosa, e a gestão eficiente de risco será fundamental.

Aqui estão sete principais pontos da apresentação de Ramey:

1. Reconstrução lenta do rebanho em formato de U — oferta apertada por anos

Ramey prevê que o rebanho de vacas de corte está próximo do fundo deste ciclo pecuário, mas a recuperação será lenta e cautelosa, e não uma recuperação rápida em “V”. Clima, juros elevados, custos de produção, envelhecimento dos produtores e volatilidade estão prolongando a expansão, mesmo com preços fortes.

Ele afirma que a oferta de bezerros e gado de reposição continuará apertada, mantendo o mercado em um patamar elevado, mesmo que o setor deixe de registrar novos recordes de preços todos os anos.

2. A seca é o maior freio para a expansão

Cerca de 75% do rebanho de vacas de corte dos EUA está em áreas de seca, comparado a uma média histórica próxima de 20%. O El Niño e um padrão climático neutro oferecem algum alívio adiante, mas grande parte das regiões pecuárias ainda enfrenta condições difíceis, limitando a retenção de novilhas e o crescimento do rebanho.

Ele prevê que alguns produtores que tentaram segurar novilhas poderão ser obrigados a “mandá-las embora” devido à falta de alimento.

3. A demanda está excepcionalmente forte apesar dos preços altos

Ele afirma que, desde janeiro de 2020, o preço médio da carne moída aumentou aproximadamente 72%, enquanto a carne bovina no varejo subiu cerca de 61%, contra uma inflação geral de aproximadamente 28%.

Ramey admite que, mesmo com carne suína e frango mais baratos, há pouca evidência de uma grande migração de consumo para fora da carne bovina — existe mais substituição dentro da categoria bovina (de cortes nobres para carne moída) do que saída da categoria.

A maior qualidade das carcaças — cerca de 85% classificadas como Choice e Prime, e aproximadamente 20% Prime — além da tendência das dietas ricas em proteína e das recomendações nutricionais impulsionadas pelos medicamentos GLP-1 ajudaram a fortalecer a demanda pela carne bovina.

4. Alimentação, tempo de confinamento e peso de carcaça estão compensando a menor quantidade de animais

Ramey afirma que o milho barato favorece períodos mais longos de confinamento. Em média, os bois estão permanecendo entre 190 e 200 dias confinados. Ao mesmo tempo, os pesos médios de carcaça aumentaram 52 libras (23,5 kg) em 2024 e 2025, o equivalente a aproximadamente 1,9 milhão de cabeças adicionais na oferta. Observação: historicamente, o aumento médio anual de peso de carcaça era de apenas 5 libras (2,3 kg).

Ele explica que isso significa que a alta do mercado é impulsionada tanto pela demanda quanto pela oferta — não é necessariamente o menor volume de carne da história, mas os preços continuam muito fortes.

5. Mudanças no comércio: México, Canadá e fluxo de carne bovina

Ele afirma que o fechamento da fronteira mexicana em 2025 devido ao problema do berne do Novo Mundo reduziu drasticamente as importações, de aproximadamente 1 milhão de cabeças para cerca de 200 mil, apertando significativamente a oferta de gado de reposição nos EUA.

Mesmo que a fronteira seja reaberta, Ramey não espera um retorno rápido aos anos de importação de 1 milhão de cabeças devido aos protocolos sanitários e ao aumento da capacidade de confinamento no México.

Ele também afirma que as exportações estão caindo e as importações aumentando, já que a oferta apertada e os preços elevados nos EUA atraem mais produto de fora e mantêm mais carne bovina doméstica dentro do país.

6. O poder de negociação e a rentabilidade passaram para os produtores

Após o período da COVID e dos gargalos nos frigoríficos, a indústria agora possui mais capacidade de abate do que quantidade de gado, então o poder de negociação deixou de estar concentrado nos frigoríficos. A participação do boi gordo no valor total da carne voltou para cerca de 59%, frente aos níveis na faixa dos 40% durante a pandemia.

Ele relata que a rentabilidade total da indústria está próxima de US$ 690 por cabeça para ser dividida entre os diferentes setores, com produtores de cria e recria capturando uma grande parcela.

7. Perspectiva de preços: patamar elevado agora, mas com risco de queda no futuro

Para 2026, Ramey prevê que os preços do boi gordo ficarão majoritariamente entre US$ 240 e US$ 250, com potencial de atingir US$ 250 a US$ 255 no fim da primavera e início do verão, antes de recuar para US$ 230 a US$ 235 no quarto trimestre.

O gado de reposição e os bezerros devem permanecer em níveis historicamente elevados, mas podem sofrer pequenas correções ao longo do ano, provavelmente menores que a queda sazonal média de 12%, porque a oferta está muito apertada.

Ele afirma que a equipe da CattleFax espera preços um pouco mais fracos no próximo ano para carne, boi gordo, reposição e bezerros — mas ainda em níveis elevados em comparação histórica.

No longo prazo, após este enorme ciclo de alta — com valorização de aproximadamente 200% nos preços dos bezerros — Ramey alerta para um risco de queda de cerca de 25% nos preços do boi gordo, reposição e bezerros em algum momento do fim da década de 2020 ou início da década de 2030, tornando a gestão de risco essencial enquanto os tempos ainda são favoráveis.

Sua mensagem aos produtores foi ao mesmo tempo otimista e cautelosa. A oferta apertada de gado, a demanda excepcional pela carne bovina e o fortalecimento do poder de negociação nas fazendas e confinamentos sugerem que os preços atuais não são um ganho momentâneo, mas parte de um novo patamar de mercado que pode durar anos.

Ao mesmo tempo, Ramey alerta que seca, custos elevados, mudanças no fluxo comercial e a inevitabilidade do próximo ciclo de baixa significam que esta fase do mercado deve ser tratada como uma oportunidade para fortalecer o caixa, investir com inteligência e travar margens sempre que possível. Os fundamentos podem estar a favor da pecuária, ressalta ele, mas capturar totalmente os benefícios dessa rara janela dependerá de quão agressivamente os produtores irão gerenciar os riscos de produção e de preços nos próximos meses.

Fonte: Drovers, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

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