
Os Estados Unidos caminham para registrar, em 2026, uma das maiores reduções no abate de bovinos das últimas duas décadas. Dados compilados até junho mostram uma queda de 7,8% no número total de animais abatidos sob inspeção federal em relação ao mesmo período do ano passado, movimento impulsionado principalmente pelo menor descarte de vacas de corte.
A análise foi publicada pelo economista Kenny Burdine, da Universidade de Kentucky, e reforça uma percepção que já vinha sendo discutida pelo mercado: os pecuaristas norte-americanos estão reduzindo o ritmo de descarte das matrizes, sinalizando um processo de estabilização — e possivelmente de reconstrução — do rebanho bovino.
O destaque do primeiro semestre foi a forte redução no abate de vacas de corte. Até junho, o volume caiu 15,5% em comparação com o mesmo período de 2025, mantendo 2026 no caminho para registrar o menor nível de descarte de vacas de corte da história recente dos Estados Unidos.
Segundo Burdine, essa redução é ainda mais significativa porque ocorre após um recuo superior a 500 mil vacas abatidas registrado já em 2025. Para o analista, esse comportamento tem impacto direto sobre o tamanho do rebanho nacional, uma vez que mais matrizes permanecem em produção.
A redução dos abates não ficou restrita às vacas. O número de bois terminados abatidos caiu 6,9% no primeiro semestre, enquanto o de novilhas apresentou retração de 10,9%.
Apesar da queda mais intensa entre as novilhas, o pesquisador ressalta que isso, por si só, não indica uma retenção expressiva de fêmeas para expansão do rebanho.
As novilhas representaram 31,5% de todos os bovinos abatidos até junho, participação muito semelhante à observada nos três anos anteriores e apenas ligeiramente inferior. Para Burdine, essa diferença não é suficiente para concluir que exista um movimento amplo de retenção de novilhas nas fazendas americanas.
A única categoria que apresentou crescimento nos abates foi a de vacas leiteiras.
O volume abatido aumentou pouco mais de 5% no acumulado do ano, fazendo com que essas vacas passassem a representar 57% de todas as vacas abatidas nos Estados Unidos — a maior participação desde 2008.
Mesmo assim, esse aumento não foi suficiente para compensar a forte redução no descarte das vacas de corte, fazendo com que o total de vacas abatidas ainda apresentasse queda próxima de 5% em relação ao ano anterior.
Segundo o autor, a combinação entre oferta restrita de animais e forte demanda por carne moída tem sustentado os elevados preços pagos pelas vacas de descarte.
Embora o número de bovinos enviados aos frigoríficos tenha diminuído significativamente, a produção de carne bovina não recua na mesma intensidade.
Isso ocorre porque os animais estão sendo abatidos com pesos maiores, compensando parte da redução no volume de abates. Ainda assim, a projeção mais recente do relatório WASDE, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), aponta queda de 2,7% na produção de carne bovina em 2026.
Esse cenário contrasta com as expectativas para outras proteínas animais. Enquanto a carne bovina deve ter menor produção, os setores de carne suína e de frango são projetados para crescer ao longo do ano.
Na avaliação de Burdine, o fator que mais contribui para uma possível recuperação do rebanho bovino norte-americano neste momento não é a retenção de novilhas, mas sim a expressiva redução no descarte de vacas.
Com a taxa de descarte das matrizes caminhando para ficar abaixo de 8% em 2026, o economista considera plausível que o número de vacas de corte volte a crescer, à medida que os produtores mantenham os animais em produção por mais tempo.
Esse movimento é acompanhado de perto pelo mercado internacional, já que qualquer recuperação do rebanho dos Estados Unidos tende a influenciar a oferta futura de carne bovina e, consequentemente, a dinâmica dos preços globais.
Fonte: BEEF Magazine, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.