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Apenas 37% dos imóveis rurais têm cobertura 4G em toda a área de uso agropecuário

O produtor rural Paulo Bertolini estava no campo, em Castro (PR), na cabine de seu pulverizador com ar-condicionado, quando apareceu no telão do Fórum Futuro do Agro, da Globo Rural, em São Paulo, no fim do ano passado, para participar dos debates do painel sobre conectividade. Aquela era uma demonstração na prática, e bastante eloquente, do que Bertolini diria logo em seguida sobre o poder transformador que é o acesso à internet nas áreas rurais.

“A conectividade tornou possível tomar decisões em tempo real, reduziu nosso desperdício, permitiu observar falhas e aumentou a eficiência das máquinas”, afirmou ele, que não deixou de fazer uma ressalva. “Algumas áreas aqui não têm cobertura de sinal de celular”, contou. “Nós tivemos que investir em internet portátil por satélite para ter conexão em tempo real com os equipamentos.”

Um estudo inédito reunirá em números as restrições que Bertolini e milhões de produtores rurais testemunham no dia a dia. A organização ConectarAGRO, da qual fazem parte algumas das maiores empresas de máquinas agrícolas, insumos e telefonia do país, em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV), fez um mapeamento da extensão atualizada de cobertura de infraestrutura e serviços em conectividade no país.

Uma das descobertas do trabalho é que apenas 37% dos imóveis rurais brasileiros têm cobertura 4G em toda área de uso agropecuário. A entidade vai apresentar os resultados do levantamento em detalhes nesta segunda quinzena de abril.

Mais do que tornar possível chamadas por vídeo como a que Paulo Bertolini fez para participar do Fórum Futuro do Agro, a internet no campo é uma ferramenta de ganho de produtividade. Com ela, os produtores conseguem ver em tempo real, por exemplo, o funcionamento de uma plantadeira na lavoura e identificar se a máquina está fazendo a semeadura em velocidade que permita concluir os trabalhos na janela ideal de plantio ou se ela precisa de ajustes. Decisões como essa podem significar lucro ou prejuízo ao fim da colheita.

Sem internet, as máquinas que têm ferramentas de apuração em tempo real do trabalho de campo não podem transmitir as informações à sede. Com isso, o produtor, muitas vezes, fica sujeito à sorte para ter um bom plantio – o que, em uma atividade que já está sujeita aos humores do clima, convenhamos, não é a estratégia mais sensata.

Segundo estimativa da Secretaria de Agricultura de São Paulo, o acesso à internet de qualidade no campo pode aumentar em até 25% o rendimento na atividade rural. Ainda que a avaliação diga respeito ao agronegócio paulista, o raciocínio vale para qualquer parte do país.

“Não adianta a indústria de máquinas tentar vender um trator cheio de soluções inovadoras para o produtor se, quando a máquina sai da sede da fazenda, perde o acesso a informações em tempo real”, resume Ana Helna Andrade, presidente da ConectarAGRO. Com o levantamento sobre a cobertura de internet nas áreas rurais brasileiras, a entidade quer ajudar a nortear as políticas públicas e privadas sobre conectividade no campo.

Fonte: Globo Rural.

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