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Brasil aposta na exportação de biotecnologia

Na área de pecuária, a Genoa Diagnósticos, empresa do grupo Oncocell criada em 2003, está investindo US$ 4 milhões na pesquisa de genoma funcional do boi, etapa de melhoramento comercial das espécies, posterior ao seqüenciamento genético. O investimento inclui a instalação de um laboratório de patologia molecular e a constituição da divisão Indicos Biotecnologia. O presidente da Genoa Diagnósticos, Luiz Camara Lopes, diz que a empresa já tem acordo de transferência de tecnologia com uma companhia americana, cujo nome será revelado em setembro. “Os Estados Unidos já concluíram o genoma do bos taurus (gado europeu) e há interesse em obter dados sobre o bos indicus (gado indiano), que terá o genoma seqüenciado aqui”, diz Lopes.

A Central Bela Vista, em parceira com a Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) e com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), também já deu início à segunda fase do projeto genoma funcional do boi, cujos resultados serão divulgados em 2005. A primeira fase, concluída em 2003, teve participação da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) e absorveu investimento de R$ 3 milhões. O professor da Esalq e coordenador do projeto, Luiz Lehmann Coutinho, diz que os financiamentos ainda são escassos e que há um grande risco de o Brasil perder a liderança para países como EUA e Japão.

“É importante que o Brasil não só lidere a produção de carnes, mas detenha conhecimento em genética. Caso contrário, corremos o risco de produzir para os países desenvolvidos e ainda pagar royalties, como acontece com a soja”. Ele diz que, nos EUA, já foram investidos US$ 50 milhões no seqüenciamento do genoma bovino, enquanto o aporte no Brasil foi de US$ 1 milhão até agora. “Na avicultura, os EUA também investiram US$ 50 milhões e no Brasil a cifra ficou em R$ 300 mil”, diz.

O diretor científico da Fapesp, José Fernando Perez, observa que, além dos recursos escassos, o setor enfrenta como força contrária a falta de legislação que autorize e regulamente as pesquisas. “O Brasil entrou em um clube fechado e precisa manter a liderança. Para isso, é fundamental não ter uma legislação que iniba o investidor”, observa.

Pioneira na pesquisa genômica do agronegócio no país, a Embrapa transfere tecnologia para Europa, África, Ásia e América do Sul. O chefe-geral da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, José Manuel Cabral Dias, diz que o seqüenciamento do genoma da banana, por exemplo, envolve 11 países, entre eles França, EUA e Malásia. O projeto na área de bovinos inclui transferência de tecnologia para EUA, França e Japão. “O Brasil é um ator importante nessa área e deve andar junto com os grandes investidores internacionais”, afirma.

Fonte: Valor OnLine (por Cibelle Bouças), adaptado por Equipe BeefPoint

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