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Cadeia da carne bovina e suas atribulações

A cadeia da carne bovina tem passado por muitas atribulações no decorrer dos anos. Embora alguns problemas são consequência de campanhas difamatórias atirbuindo às carnes vermelhas propriedades prejudiciais à saude humana, a maioria deles foram ou são consequências de atitudes equivocadas de autoridades e de agentes da própria cadeia, tanto em nível nacional (caso da febre aftosa) como em nível internacional (caso da encefalopatia espongiforme bovina – BSE).

O caso da aftosa, embora de forte impacto econômico negativo para os países e regiões que ainda não foram capazes de manter a doença sob controle, deve ser considerado um problema muito pequeno para a cadeia da carne bovina quando comparado com o caso da BSE.

Enquanto a febre aftosa não apresente risco de vida para os consumidores, as informações até o momento mostram casos de contaminação e óbitos de pessoas em número crescente no continente europeu que assustam pelas evidências de suas ligações com a BSE.

Autoridades de alguns países europeus têm negado a existência da doença dentro de suas fronteiras. As ocorrências reais, segundo comentários, devem ser bem maiores do que as notificadas, uma vez que o uso do teste que detecta a existência da doença só tem sido feito após evidências clínicas da doença nos animais. Existem países na Europa que estão levando o problema muito mais a sério do que outros. A França parece ser o caso. Embora no momento têm ocorrido retalições de compra de produtos de bovinos da França, provavelmente ela estará em futuro próximo em melhores condições do que os países que ao invés de investir para controlar e resolver o probema eficientemente, procuram esconder ou não dar a devida importância ao problema, para tirar vantagens de curto prazo.

Como fica o Brasil e os países vizinhos em relação à BSE. Alguns acham que o Brasil e demais países das Américas terão enormes vantagens com esse surto de BSE na Europa. Entretanto, no curto prazo expectativa é de diminuição do consumo, e será difícil convencer os consumidores europeus de que de fato não existem riscos em consumir produtos à base de carne bovina de países e regiões onde o mal não foi ainda detectado.

As autoridades e os integrantes da cadeia da carne bovina do Brasil deveriam aproveitar a experiência e o conhecimento já disponível na Europa e partir para um levantamento do rebanho brasileiro sobre a possível existência do mal, ao invés de ficar torcendo para casos clínicos de animais doentes não apareçam. A razão disso é muito lógica. Se o levantamento for feito e a presença da doença não for detectada, uma política de prevenção e consequentes campanhas de esclarecimento deverão ser estabelecidas para evitar a sua entrada no Brasil. Aí esse fato deveria ser usado como propaganda da segurança da nossa carne e sem dúvida teria um enorme impacto favorável na economia pecuária. E se a presença da doença for detectada em animais que ainda não apresentaram sintomas clínicos, quais seriam as consequências? A não constatação da presença da doença pela falta de levantmento apenas adiaria o problema, pois o aparecimento dos sintomas clínicos seria pura questão de tempo. Além de estarmos adiando o problema, o seu controle seria mais difícil e as suas consequências seriam muito piores. Existe conhecimento e experiência de controle sendo desenvolvida em alguns países europeus tanto para diminuir os riscos da entrada da BSE como para o seu controle se ela for diagnosticada antes do aparecimento de sintomas clínicos.

O Brasil como o país com provavelmente o maior potencial de produção e de exportação de carne bovina no mundo, cometerá um equívoco gravíssimo se não se antecipar ao problema e não for capaz de motivar seus vizinhos a fazerem o mesmo.

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