Com novo caso de raiva bovina, SC já tem 27 mortes pela doença em 2026
4 de agosto de 2026
O que realmente causa lucro e o que causa prejuízo nas fazendas brasileiras
4 de agosto de 2026

Carne moída dispara nos EUA e sobe mais que cortes nobres em meio à escassez de vacas

A carne bovina continua ficando mais cara nos Estados Unidos desde o início do atual ciclo de alta da pecuária, iniciado em 2022. No entanto, a valorização não tem ocorrido de forma uniforme entre os diferentes produtos. Enquanto cortes nobres, como filé-mignon e contrafilé, registram aumentos expressivos, é a carne moída que lidera a alta dos preços, impulsionada por uma combinação de demanda firme e redução na oferta de matéria-prima.

Segundo Derrell Peel, especialista em comercialização de bovinos da Oklahoma State University, a mudança no comportamento do consumidor é um dos principais fatores por trás desse movimento. À medida que os preços da carne bovina sobem, muitos consumidores migram dos cortes premium para a carne moída como forma de reduzir os gastos com alimentação, fortalecendo ainda mais sua demanda.

Carne moída acumula a maior valorização desde 2022

Dados apresentados por Peel mostram que, entre a média de preços de 2022 e agosto de 2026, a carne moída com 85% de carne magra registrou aumento de 60,7% no mercado atacadista.

No mesmo período:

  • o preço médio da carne bovina no atacado (Choice Boxed Beef) subiu 44,1%;
  • os preços da carne bovina no varejo aumentaram 29,8%;
  • o filé-mignon valorizou 26,6%;
  • os principais cortes nobres, como ribeye, contrafilé (strip loin) e filé-mignon, apresentaram alta média de 33,6%;
  • cortes intermediários, como flank steak, tri-tip, alcatra e coxão mole, tiveram valorização média de 42,7%.

Os números mostram que justamente o produto considerado mais acessível ao consumidor passou a registrar os maiores reajustes de preço.

Menor oferta de vacas reduz matéria-prima para carne moída

Além da demanda aquecida, a oferta de carne destinada à moagem também diminuiu significativamente.

A carne moída depende principalmente da carne magra proveniente de bovinos não confinados, especialmente vacas e touros descartados do rebanho.

Segundo Peel, a produção desse tipo de carne caiu mais rapidamente do que a produção de carne proveniente de animais terminados em confinamento.

Desde 2022, o abate de vacas foi reduzido em 30,5%, enquanto o abate de bovinos confinados (machos castrados e novilhas) recuou 12,7%. Essa diferença explica parte importante da escassez de matéria-prima utilizada na fabricação da carne moída.

Embora o aumento do peso das carcaças de machos e novilhas tenha compensado parcialmente a menor oferta desses animais, o mesmo não ocorreu com as vacas. O ganho de peso das carcaças foi modesto, mantendo um déficit significativo de carne magra destinada à moagem.

Oferta seguirá apertada em 2027

A expectativa é de que a situação continue desafiadora ao longo do próximo ano.

Segundo Peel, a produção de carne proveniente de vacas pode começar a diminuir em ritmo mais lento caso o rebanho de matrizes e o volume de descarte se estabilizem. Entretanto, a produção de carne oriunda de bovinos confinados deverá continuar recuando, já que a oferta de animais terminados seguirá restrita pelo menos durante 2027.

Esse cenário indica que a disponibilidade de carne bovina continuará limitada, mantendo os preços em patamares elevados. Para os consumidores, isso significa que tanto a carne moída quanto os demais produtos bovinos devem permanecer caros no curto prazo. Já para a cadeia pecuária, o mercado segue refletindo os efeitos da forte redução do rebanho ocorrida nos últimos anos, cujos impactos continuam sendo sentidos ao longo de todo o sistema de produção.

Fonte: Drovers, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *