
A presença da bicheira-do-Novo-Mundo voltou a acender o alerta na fronteira entre México e Estados Unidos. Um caso ativo foi registrado em Ciudad Juárez, no estado mexicano de Chihuahua, cidade que faz fronteira com El Paso, no Texas.
Segundo informações do Serviço Nacional de Sanidade, Inocuidade e Qualidade Agroalimentar do México (Senasica), o município apareceu no relatório mais recente com um caso entre os 82 casos ativos registrados em Chihuahua. Informações preliminares indicam que as larvas da bicheira foram encontradas em um cão.
É a primeira vez que Ciudad Juárez aparece no mapa de casos da bicheira-do-Novo-Mundo, e a localização torna a ocorrência especialmente relevante para a pecuária.
A cidade fica próxima de importantes pontos utilizados no comércio de animais entre México e Estados Unidos, incluindo Santa Teresa, no Novo México, uma das localidades consideradas para a retomada da entrada de animais mexicanos no território americano.
A confirmação ocorre justamente quando os Estados Unidos se preparam para uma reabertura gradual dos pontos da fronteira sul ao comércio de animais vivos mexicanos.
Em 24 de julho de 2026, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou um plano coordenado de reabertura gradual, condicionado ao cumprimento, pelo México, do plano conjunto de combate à bicheira-do-Novo-Mundo.
O primeiro ponto previsto para reabrir é Douglas, no Arizona, na fronteira com o estado mexicano de Sonora. A reabertura está programada para 24 de agosto.
Na sequência, o Serviço de Inspeção Sanitária de Animais e Plantas do USDA deverá avaliar a possibilidade de reabrir os pontos de Santa Teresa e Columbus, no Novo México, para a entrada de bovinos, bisões e cavalos vivos provenientes do México.
É justamente a proximidade do novo caso com Santa Teresa que aumenta a atenção sobre a situação sanitária na região.
O cronograma americano, entretanto, não é definitivo.
O USDA já havia alertado que a reabertura da fronteira seria flexível e poderia ser modificada de acordo com a evolução da situação da bicheira no México.
Segundo as regras anunciadas, a retomada das importações poderá ser interrompida caso as autoridades americanas identifiquem aumento do risco sanitário em Sonora ou Chihuahua.
Essa avaliação poderá ser feita a partir de auditorias realizadas depois da reabertura, observações em campo ou outras informações disponíveis às autoridades sanitárias americanas.
Como Ciudad Juárez está localizada em Chihuahua, o novo caso surge justamente em uma das regiões mencionadas pelo governo americano como determinantes para a continuidade do processo de reabertura.
Até a publicação das informações sobre a ocorrência em Juárez, entretanto, não havia uma manifestação do USDA especificamente sobre o novo caso.
Portanto, ainda não é possível afirmar que a detecção provocará uma mudança no cronograma.
A bicheira-do-Novo-Mundo é provocada pelas larvas da mosca Cochliomyia hominivorax. Diferentemente de muitas outras larvas de moscas, elas se alimentam de tecido vivo de animais de sangue quente.
As moscas depositam seus ovos em feridas ou aberturas na pele e, após a eclosão, as larvas invadem os tecidos. Sem tratamento, a infestação pode provocar lesões graves e até levar o animal à morte.
Por isso, o avanço da praga pelo México tem sido acompanhado de perto pelas autoridades americanas, especialmente diante do risco de aproximação das regiões pecuárias dos Estados Unidos.
O novo registro é particularmente sensível porque coloca a ocorrência da bicheira em uma cidade diretamente na fronteira com o Texas.
A questão também tem consequências econômicas importantes.
A retomada das importações de animais mexicanos é relevante para a oferta de bovinos nos Estados Unidos, mas o governo americano vem condicionando qualquer flexibilização das restrições ao controle sanitário da bicheira.
O plano anunciado em julho não prevê simplesmente a abertura simultânea de toda a fronteira. A estratégia é avançar gradualmente, começando por Douglas e avaliando posteriormente outros pontos de entrada conforme a evolução do risco.
Nesse contexto, a confirmação de um caso em Ciudad Juárez adiciona um novo elemento à avaliação das autoridades.
O caso, isoladamente, não significa que a reabertura foi cancelada. Mas ocorre em um momento particularmente delicado: poucos dias antes da abertura prevista de Douglas e enquanto o USDA avalia a possibilidade de avançar posteriormente para pontos de entrada no Novo México.
A própria autoridade americana já deixou claro que o cronograma poderá ser pausado caso seja detectado aumento do risco em Chihuahua ou Sonora.
Agora, o setor pecuário acompanha não apenas a evolução dos casos no México, mas também a eventual resposta do USDA.
A confirmação em Ciudad Juárez mostra que a bicheira-do-Novo-Mundo continua sendo um dos principais fatores capazes de determinar quando — e em que ritmo — o comércio de bovinos vivos entre México e Estados Unidos poderá voltar à normalidade.
Fonte: BEEF Magazine, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.