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China deve habilitar mais frigoríficos do Brasil para exportação, diz ministro

Auditorias realizadas neste mês por dois dos principais parceiros comerciais do agronegócio brasileiro geraram resultados “rápidos” que animaram o ministro da Agricultura, André de Paula, apesar do momento internacional turbulento. A China anunciou a habilitação de quatro frigoríficos carnes bovina e de frango e a abertura de mercado para miúdos suínos. E técnicos da União Europeia aprovaram as garantias de controle de antimicrobianos nas cadeias de aves e mel, abrindo espaço para o desbloqueio das vendas desses produtos ao bloco em breve.

Em entrevista exclusiva ao Valor, André de Paula ressaltou que mantém tratativas com Bruxelas para reabrir o mercado de produtos de origem animal o mais breve possível, mas admitiu que os europeus não mudaram de opinião sobre a carne bovina. A retomada das vendas deverá demorar dois anos.

Enquanto isso, segue na mesa de discussão do governo brasileiro a possibilidade de banir antimicrobianos no país — pedido feito pela indústria frigorífica. “Eles [empresas privadas] sabem que qualquer decisão que seja tomada aqui será com a participação integral de todos os lados”, afirmou.

O ministro disse que a equipe técnica ainda tenta convencer a autoridade sanitária europeia a mudar o entendimento sobre a avaliação das garantias em relação à ausência de antimicrobianos na produção pecuária. Pela posição do bloco, as compras de carne bovina do Brasil só poderão ser retomadas em pelo menos dois anos. Isso porque a UE quer garantia de que não há uso de antimicrobianos em todo o ciclo de vida dos animais.

O Reino Unido, que manteve as importações de carne bovina do Brasil, vai enviar uma missão de técnicos em outubro ao país para avaliar o sistema sanitário e os controles em relação aos antimicrobianos na produção animal. A expectativa é que a auditoria britânica possa referendar tecnicamente os argumentos brasileiros. “Um não influencia na decisão do outro, mas é uma sinalização de como o Brasil deveria ser tratado”, disse o secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart.

“Para bovinos, eles [europeus] seguem com aquela lógica que já criticamos de ter que rodar o sistema de controles e garantias e depois apresentá-lo para avaliação. Nesse modelo, são dois anos”, afirmou Goulart. Foi o que aconteceu para aves, cujo ciclo de vida é de 42 dias, lembrou. “O lado brasileiro não pode aceitar esse tratamento de ter que submeter um processo de controle da cadeia produtiva por um ciclo e depois apresentar para o lado europeu”, disse.
O pleito brasileiro será reforçado depois que os europeus aprovaram, sem ressalvas, o sistema de controles e garantias de antimicrobianos para carnes de aves e mel.

O Brasil quer que o relatório seja votado “o mais rápido possível” pelo comitê técnico da Comissão Europeia (Scopaff, na sigla em inglês), disse o ministro, para que o país possa ser relistado entre fornecedores aptos a exportar para à UE. A próxima reunião está prevista para 20 e 21 de outubro, mas o pedido oficial é para que haja uma agenda extraordinária.

“Tudo isso vai ter a maior celeridade possível porque essa questão foi trabalhada não apenas do ponto de vista técnico, mas também político. Eles não podiam se posicionar sem ter esse laudo técnico, mas na hora em que essa votação acontecer, nós temos a impressão que podem acelerar a decisão”, afirmou André de Paula.

No caso de ovos, o ciclo de produção é de oito meses. Uma outra auditoria europeia deverá ser marcada para avaliar os controles ao fim do período. Para os pescados, que passaram por inspeção sanitária recentemente para possível reabertura de mercado, fechado desde 2017, também será necessária nova avaliação, mas não há antimicrobianos aprovados no Brasil para uso nessa cadeia.

Enquanto aguarda desdobramentos sobre a UE, o ministro mostra otimismo em relação à China. Ele disse acreditar que o país asiático fará novas habilitações de frigoríficos ainda em 2026 e poderá autorizar a importação de miúdos bovinos.

Ontem, a China anunciou a habilitação de duas plantas de carne bovina: Supremo Carnes, de Carlos Chagas (MG) e Masterboi, de Canhotinho (PE); e duas de frango: Avivar Alimentos, São Sebastião do Oeste (MG); e Cooperativa Dália Alimentos, de Arroio do Meio (RS).

Ao todo, foram auditadas 17 plantas, de forma remota, de uma lista de 33 unidades que o governo havia apresentado aos chineses. “Tenho uma expectativa que, rapidamente, vamos ter a possibilidade de avançar nos miúdos de bovinos. É uma coisa que está por acontecer”, afirmou André de Paula.

O ministro disse que não houve novas tratativas com a China para expansão da cota de carne bovina brasileira para exportação ou uso de volumes não utilizados por outros países, como o Uruguai. Ontem, a Administração-Geral de Alfândegas chinesa anunciou oficialmente que o Brasil preencheu 100% do volume de 1,106 milhão de toneladas em 2026.

Na semana passada, os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e do Uruguai, Yamandú Orsi, anunciaram acordo para os frigoríficos brasileiros ocuparem parte da cota não preenchida por uruguaios. O desfecho depende do aceite chinês, reforçou o ministro. “O sinal do presidente do Uruguai foi positivo, mas nada disso quer dizer que vai acontecer porque quem diz se vai acontecer ou não é o cliente”, disse.

Fonte: Globo Rural.

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