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Conversão de pasto é rentável em 33 milhões de hectares

O Brasil tem 33 milhões de hectares de pastagens com alto potencial para conversão para o plantio de soja e milho sob a ótica de quem busca retorno financeiro do investimento em terras. Se transformadas em lavouras para produção de soja e milho segunda safra, essas áreas podem ter valorização de US$ 133 bilhões, de acordo com um estudo da S&P Global Commodity Insights.

A consultoria filtrou as melhores áreas de pastagens para conversão agrícola a partir do perfil de interesse dos investidores de fundos e de grandes grupos agrícolas do país. Foram excluídas porções de pastos fragmentados, por exemplo, por rios e montanhas. A seleção mirou lotes “contínuos”, de ao menos 250 hectares, com características de relevo que favorecem a mecanização da atividade.

“Grandes grupos buscam áreas contínuas de pastagens para investimentos”, disse Vicente Coffani, consultor da S&P responsável pelo estudo. “Esses 33 milhões de hectares são o que consideramos o filé mignon das áreas de pastagens no Brasil pensando em conversão para grãos”, afirmou. Atualmente, são cultivados 44 milhões de hectares de soja no Brasil, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Segundo Coffani, a conversão das áreas mapeadas poderia incrementar em 54% a produção de soja no país e suprir uma demanda adicional por 114 milhões de toneladas da oleaginosa, calculada pela S&P, até 2045. A colheita brasileira poderia chegar a 270 milhões de toneladas do grão em 20 anos.

Metade das áreas selecionadas está no Centro-Oeste. Já o Matopiba (confluência entre os Estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) tem apenas 12% das pastagens indicadas. Os demais 38% estão espalhados por outras regiões do país, em áreas consideradas pela S&P como a possível “próxima e última” fronteira agrícola para a soja. O recorte inclui microrregiões de destaque no Norte do país, nos Estados do Pará e Rondônia, com 1,6 milhão e 1 milhão de hectares de pastagens cada.

Os dados das pastagens selecionadas foram cruzados com levantamentos de preços de terras da S&P para indicar o potencial de valorização das áreas, de US$ 133 bilhões. De 2001 a 2023, os preços de terras agrícolas e de pastagens no Brasil aumentaram 883% e 718%, respectivamente. O ritmo foi mais acelerado que nos Estados Unidos, onde as cotações evoluíram 320% e 214% no mesmo período.

“Vemos potencial de agregação de valor com a conversão das pastagens”, ressaltou Coffani. A S&P diz que os investimentos em terras agrícolas brasileiras são muito mais rentáveis que outros aportes convencionais.

Dados da consultoria mostram que quem investiu em áreas rurais de Rondonópolis (MT) e Balsas (MA) nos últimos 15 anos obteve retornos reais de 523% e 369%, respectivamente, bem acima dos 70% do CDI e do retorno negativo de aplicações no Ibovespa no período.

O estudo pretende nortear a tomada de decisão dos investidores, que podem comprar ou arrendar esses terrenos, bem como auxiliar o planejamento estratégico de médio e longo prazo dos demais agentes da cadeia do agronegócio.

“São novas regiões, novas áreas, está mudando o perfil. O estudo aponta para onde a soja pode migrar, e junto vai toda a cadeia de suprimento”, afirmou o consultor Marcelo Claudino.

O alerta é para o “curto” espaço de tempo para exploração desse potencial. Se a expansão do plantio de soja mantiver o ritmo dos últimos tempos, de cerca de 4% ao ano, os 33 milhões de hectares em “melhores condições” podem ser exauridos em 15 anos.

O estudo não considerou apenas os pastos degradados, alvo predileto do programa governamental para conversão ou recuperação com recursos internacionais. Uma das razões foi o nivelamento de preços de áreas com e sem degradação nos últimos anos por conta do mercado aquecido, disse a consultoria.

Como o foco do estudo é a valorização econômica dos terrenos, a atratividade foi classificada pelo Índice de Oportunidade de Terras (IOT), que faz um ranqueamento em nível de microrregião com a avaliação de características de solo, riscos climáticos e topografia.

Ao todo, são 161 milhões de hectares com pastagens plantadas no país, tanto de boa qualidade como degradadas. Desses, 66 milhões de hectares são de áreas contínuas. Ao cruzar com informações adicionais, como os teores de argila ideais para cultivo de grãos e comportamento do clima, a consultoria chegou aos 33 milhões de hectares em melhores condições, divididos em 60 microrregiões.

“O potencial precisa considerar a finalidade e a viabilidade econômica. Algumas culturas têm grande potencial a depender do investimento, seja ele em irrigação, fertilização e correção de solo ou tecnologia e processamento”, ponderou Mario Lewandowski, diretor de Novos Negócios da AGBI, gestora focada na conversão de pastagens para lavouras. A empresa busca pastos degradados, com documentação em dia e maior viabilidade econômica e agrícola.

Qualquer estimativa sobre a área que pode ser convertida representa um aumento significativo na capacidade produtiva do país, disse ele. “A magnitude depende de preços, produtividade e apetite de cada investidor. De uma lista de mais de mil fazendas, que totalizam 10,5 milhões de hectares, os fundos da AGBI só compraram seis fazendas”, afirmou.

Fonte: Globo Rural.

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