

Após apresentarem comportamento divergente em fevereiro, os custos de confinamento no Centro-Oeste e no Sudeste inverteram de direção em março e passaram a apresentar alta de 11,93% no Centro-Oeste, estimado em R$ 13,23 por cabeça por dia, enquanto no Sudeste houve queda de 3,64% no mesmo período, em R$ 12,19 por cabeça por dia, segundo o indicador ICAP, calculado pela Ponta Agro.
De acordo com a empresa, a diferença entre as duas regiões contraria o padrão observado no setor desde o início do ano. “Na comparação anual, ambas as regiões permanecem abaixo de março de 2025. O Centro-Oeste apresenta redução de 4,89%, enquanto o Sudeste registra queda mais expressiva de 8,14%”, afirma o boletim divulgado pela Ponta Agro.
No Centro-Oeste, a alta dos custos foi impulsionada principalmente pelos insumos energéticos e volumosos em meio à transição entre a safra de verão e a expectativa da safrinha. Na média trimestral, a silagem de capim subiu mais de 30% e o milho grão seco 2,2%.
Já no Sudeste, a maior disponibilidade de coprodutos agroindustriais contribuiu para a redução dos custos, especialmente nos grupos de energéticos e proteicos, mesmo diante da alta dos volumosos. Destaque para a queda de 15,3% no preço do sorgo e o recuo de 1,5% no preço milho.
Considerando os valores apontados pelo indicador, a Ponta Agro estimou que o custo da arroba produzida no Centro-Oeste tenha ficado em R$ 192,76, com lucro de R$ 1.278,79 por cabeça no boi físico. Para o Sudeste, o custo da arroba produzida estimado ficou em R$ 193,50 e o lucro em R R$ 1.267,65.
A diferença de apenas R$ 0,74 no custo entre as regiões e inferior a R$ 12 no lucro calculado é apontado como um “empate técnico” pela empresa e “sinal claro de equalização da competitividade entre Centro-Oeste e Sudeste”.
“A inversão levanta uma questão relevante para o setor: trata-se de um movimento pontual, associado à sazonalidade, ou o início de um novo padrão de competitividade regional? A resposta dependerá principalmente do comportamento da safrinha de milho ao longo do ano”, aponta a Ponta Agro em nota.
Fonte: Globo Rural.