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21 de setembro de 2026

Demanda por carne bovina sustenta preços nos EUA mesmo com consumidor mais atento aos gastos

A redução do rebanho bovino não é o único fator por trás dos preços elevados da carne bovina nos Estados Unidos. A força da demanda dos consumidores também tem desempenhado papel importante no mercado, com os americanos consumindo mais carne bovina e aceitando pagar mais pelo produto.

Essa é a avaliação de Glynn Tonsor, economista agrícola da Kansas State University. Segundo ele, embora a oferta restrita seja relevante, olhar apenas para o número de vacas não explica completamente o comportamento do mercado.

“Uma afirmação mais importante sobre a oferta seria a quantidade de carne bovina disponível no mercado, e não o número de vacas”, afirmou Tonsor.

Mesmo com a redução dos estoques de bovinos, o consumo per capita de carne bovina se manteve ou aumentou na maior parte dos últimos anos. Ao mesmo tempo, os preços reais da carne no varejo — descontada a inflação — avançaram.

Segundo Tonsor, os últimos 15 anos mostram uma mudança importante no comportamento do consumidor.

“De 2011 a 2025, o americano médio passou a consumir mais carne bovina e a pagar muito mais por ela”, resumiu.

Em 2024 e 2025, mesmo diante de um rebanho bovino em níveis historicamente baixos, os americanos consumiram mais carne e pagaram mais pelo produto, fortalecendo o sinal de demanda transmitido do varejo até a produção.

Sabor continua sendo decisivo

Um dos fatores que ajudam a explicar a disposição dos consumidores em pagar mais pela carne bovina é o sabor.

Tonsor cita dados do Meat Demand Monitor, levantamento mensal da Kansas State University representativo da população dos Estados Unidos e que acompanha as escolhas dos consumidores em relação às carnes e proteínas.

Em 2025, 59% dos entrevistados colocaram o sabor entre os quatro fatores mais importantes para decidir comprar ou não uma carne. Apenas cerca de 13% colocaram esse atributo entre os quatro menos importantes.

Nos últimos seis anos, nutrição e saúde ganharam importância nas decisões dos consumidores, enquanto impacto ambiental e origem/rastreabilidade perderam espaço. O sabor, entretanto, permaneceu na liderança.

“O que não mudou nos últimos seis anos é que o sabor é o principal entre os 12 fatores. Ele é sempre o número um”, afirmou Tonsor.

Para o economista, esse atributo é particularmente importante para a carne bovina porque o produto precisa competir com proteínas mais baratas.

“Se você quer justificar uma proteína mais cara — que é o caso da carne bovina — ela precisa ter um atributo que vá além do preço por quantidade de proteína. Na minha opinião, esse atributo é o sabor”, disse.

Qualidade ajuda a sustentar valor

A qualidade também aparece como elemento central dessa dinâmica. Segundo a análise apresentada, avanços de longo prazo em marmoreio, classificação e consistência ajudam a explicar por que a carne bovina consegue alcançar atualmente um preço real 50% superior ao de 2010, mesmo com volumes per capita semelhantes.

Tonsor afirma que a evolução da qualidade é essencial para justificar o posicionamento da carne bovina diante de outras proteínas.

“Não é possível falar de carne bovina sem falar de qualidade. A única maneira de justificar a carne bovina é ela ter um argumento de qualidade em relação à carne suína e ao frango, porque os custos de produção por libra serão sempre maiores”, afirmou.

Demanda começa a dar sinais de enfraquecimento

Apesar da força observada nos últimos anos, o cenário em 2026 começa a apresentar sinais de mudança.

Kenny Burdine, economista especializado em pecuária da University of Kentucky, chama atenção para a capacidade dos consumidores de continuar absorvendo os preços elevados. Segundo ele, a carne bovina, por ser a mais cara entre as três principais carnes consumidas nos Estados Unidos, pode ficar mais vulnerável à substituição caso a renda disponível das famílias fique mais pressionada.

Ao mesmo tempo, os setores de carne suína e de frango conseguem aumentar a produção mais rapidamente. Burdine destaca que uma maior disponibilidade dessas proteínas pode disputar espaço no prato dos consumidores antes mesmo de a produção de carne bovina voltar a crescer.

“Às vezes, presume-se que os preços do gado só caem quando o rebanho e a produção de carne bovina aumentam, mas as carnes concorrentes podem ocupar espaço no prato do consumidor”, afirmou.

Tonsor também observa sinais de enfraquecimento da demanda nos últimos meses, principalmente entre as famílias de menor renda. Os consumidores de renda mais alta, por outro lado, continuam buscando produtos de maior valor.

“Certamente, nos últimos três meses, estou vendo a demanda por carne bovina enfraquecer. Mas ela está enfraquecendo a partir de um patamar forte. De uma perspectiva histórica, ainda temos uma disposição para pagar notavelmente elevada”, explicou.

Preço ganha importância na decisão de compra

Alta dos juros, inflação e maior pessimismo financeiro estão deixando parte das famílias mais cautelosa. Segundo Tonsor, o desejo de economizar nas compras de carne tornou-se uma tendência perceptível, fazendo com que o preço ganhe importância ao lado de atributos como sabor e frescor.

Isso não significa necessariamente abandonar a carne bovina. Os consumidores estão prestando mais atenção ao preço, ao tamanho das embalagens e aos cortes escolhidos.

Essa diferença é particularmente visível entre as faixas de renda. Tonsor descreve uma economia em formato de “K”, na qual aproximadamente 20% das pessoas afirmam estar em situação financeira melhor que há um ano, enquanto entre 30% e 40% dizem estar em condição pior.

Entre os consumidores de maior renda, cortes premium e bifes de maior valor continuam presentes nas compras, com menor sensibilidade aos preços. Já entre aqueles com orçamento mais pressionado, a carne bovina aparece com menor frequência nas refeições, há maior busca por preço e substituição por opções mais baratas dentro da própria categoria ou por outras proteínas.

Mesmo quando a escolha continua sendo carne bovina, embalagens menores, bifes mais finos e cortes de menor valor ganham espaço.

“Os 20% do topo não mudaram sua noite do bife, mas entre 30% e 40% das famílias estão silenciosamente retirando a carne bovina de mais uma refeição por semana”, afirmou Tonsor.

Apesar desses sinais, a avaliação de Tonsor é que os preços atuais do gado e da carne bovina não estão sustentados apenas pela menor disponibilidade de animais. A valorização que o consumidor atribui à carne bovina, especialmente em aspectos como sabor e qualidade, continua sendo uma parte importante dessa equação.

Fonte: Drovers, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

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