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Demanda por carne caiu com cota da China e medidas da UE, diz Abiec

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, afirmou nesta quarta-feira (5/8) que a demanda por carne bovina do Brasil caiu com o estabelecimento de cota de exportação pela China e “medidas comerciais travestidas de sanitárias” adotadas pela União Europeia. As declarações foram dadas durante painel do Salão Internacional de Proteína Animal (Siavs), em São Paulo (SP).

Desde o início deste ano, passaram a vigorar cotas estabelecidas pela China para parceiros comerciais que exportam carne bovina ao país, isentas de tarifação. Acima dos limites, os chineses passam a aplicar tarifa adicional de 55%. No caso do Brasil, a cota de 1,1 milhão de toneladas está praticamente preenchida e diversos frigoríficos deram férias coletivas a funcionários de algumas plantas, de modo o equilibrar a oferta.

Já a Europa retirou o Brasil da lista de fornecedores autorizados a exportar produtos derivados de animais ao bloco, alegando que o país não comprovou que controla o uso de antimicrobianos na cadeia produtiva. A União Europeia proíbe o uso em animais de antibióticos como promotores de crescimento ou usados para humanos. Perosa disse que tais medidas têm impacto nas exportações e em toda a cadeia, de produtores à indústria.

O dirigente também avaliou que organizações multilaterais, criadas por Estados Unidos e Europa, estão enfraquecidas. A Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), por exemplo, reconheceu o Brasil como livre de febre aftosa sem vacinação mas ainda assim países signatários não dão o mesmo reconhecimento, segundo ele.

“Todas as organizações multilaterais estão instaladas ou nos Estados Unidos ou na Europa, que organizaram o globo após a segunda guerra mundial. Mas hoje as relações mudaram”, afirmou o dirigente.

Perosa afirmou que a OMSA vem sendo presidida pela França desde a criação da instituição, o que tende a influenciar na condução da entidade internacional.

“A OMSA foi fundada há mais de 40 anos. Desde a sua fundação, só um país preside a OMSA, que é a França. Então temos de ter um olhar mais proativo, firme, não temos nada a esconder, precisamos ter orgulho do que fazemos”, disse.

O presidente da Abiec contou ainda que em visita recente à Rússia e conversas com autoridades do país, foi comentada a ideia de ter uma autoridade sanitária para os BRICs, grupo que reúne onze países emergentes, incluindo Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul.

“Essa autoridade russa sugeriu de criarmos uma autoridade sanitária que regesse a relação dentro dos países dos BRICs, onde hoje está 50% da população mundial”, afirmou.

Mercados

Na próxima semana uma comitiva da Coreia do Sul virá avaliar o sistema sanitário brasileiro, dentro do processo voltado à abertura do mercado coreano para a carne bovina brasileira, mas, de acordo com Perosa, este é só um passo do processo e não se esperam novidades de curto prazo.

O presidente da Abiec também comentou da expectativa de abertura da Turquia à carne bovina do Brasil, após “negociações duras e intensas há anos”, e lembrou que alguns mercados já abertos, como Tailândia, ainda exigem negociações com outros setores para comprar a carne brasileira.

Perosa reforçou que o foco da cadeia de carne bovina segue no mercado asiático, onde há ainda grande espaço para o consumo per capita crescer. Em 10 a 15 anos, as exportações devem crescer também para a África, estima o dirigente.

“A África é um mundo a ser desbravado. No médio prazo será um grande consumidor de proteína animal, temos feito eventos lá também”, acrescentou.

Fonte: Globo Rural.

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