

Após quase dois meses da primeira infecção de gado bovino com mosca-varejeira-do-novo-mundo, em 3 de junho, os Estados Unidos já somam 41 casos confirmados, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Todas as infecções identificadas até agora ocorreram em animais domésticos, de acordo com o departamento. Dessas, nove permanecem ativas e 32 já são considerados inativas. Os registros envolvem diferentes espécies animais: 21 bovinos, 13 ovinos, quatro caprinos e três cães.
O USDA não registrou até o momento ocorrências em animais selvagens nem em armadilhas para moscas.
A mosca-varejeira-do-novo-mundo é uma praga considerada de alta periculosidade, que pode atingir animais de plantéis comerciais, de estimação e selvagens. As fêmeas da mosca depositam ovos em feridas abertas dos animais, e as larvas passam a se alimentar de tecido vivo, causando lesões profundas. Nos últimos anos, a praga voltou a avançar pela América do Norte, com registros no Panamá, Costa Rica, Nicarágua e Honduras.
O caso mais recente dos Estados Unidos foi detectado em 18 de julho, em uma ovelha no estado do Texas. O USDA classificou a infecção como inativa, o que significa que o animal pode ter se recuperado totalmente, que a infestação da larva foi tratada ou que foram tomadas medidas adequadas para impedir a propagação da praga, como o manejo adequado da carcaça do animal infestado que tenha morrido, explicou o departamento.
Os dados do USDA mostram uma concentração de 31 casos em junho e outros dez registrados até meados de julho. A maior parte dos focos concentra-se no sul do Texas. Apenas um caso ocorreu fora do estado, no sudeste do Novo México.
O aumento do número de casos da praga é mais um risco para a pecuária americana, que já vem passando por um longo período de escassez de gado bovino, com preços do boi e da carne no país batendo sucessivos recordes.
O USDA vem ampliando um programa de controle biológico, que utiliza a liberação de larvas estéreis da varejeira-do-novo-mundo para interromper seu ciclo de vida. Desde o fim de 2025, o órgão inaugurou três unidades de dispersão aérea: uma em Tampico, no México, outra na Base Aérea de Moore, no Texas, e uma terceira em Chiapas, no sul do México.
No começo de junho, o subsecretário de marketing e programas regulatórios do USDA, udley Hoskins, disse em nota que a chegada da praga ao país já era prevista desde o fim do ano passado e que estados e setor privado vinham cooperando para conter seu avanço.
Apesar dos registros, o USDA afirma em seu site oficial que “isso não representa um problema de segurança alimentar — o abastecimento de alimentos nos EUA permanece seguro. O risco atual para animais e pessoas nos Estados Unidos é muito baixo”, disse a agência.
Fonte: Globo Rural.