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8 de julho de 2026

Embrapa Cria uma Espécie de Impressão Digital para Identificar Carnes

A identificação da espécie de origem de um corte de carne acaba de ganhar uma ferramenta desenvolvida no Brasil. Pesquisadores da Embrapa Gado de Corte, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), localizada na capital Campo Grande, e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) criaram uma metodologia baseada em espectrometria de massas capaz de diferenciar carnes bovinas, suínas, de frango e de tilápia em aproximadamente 20 minutos. O método também distingue amostras de bovinos das raças Nelore e Angus, o que abre espaço para aplicações em certificação de produtos de maior valor agregado.

“Foi possível construir um banco de dados com perfis de massa das proteínas de diferentes carnes para, por exemplo, avaliar a qualidade do produto ou para fins de fiscalização”, afirma Newton Verbisck, pesquisador da Embrapa Gado de Corte e coordenador do estudo.

A tecnologia utiliza a espectrometria de massas MALDI-TOF, técnica já empregada em diversas áreas da pesquisa científica e no diagnóstico de microrganismos na pecuária. Segundo os pesquisadores, esta é a primeira aplicação da ferramenta no Brasil para diferenciar tecidos de espécies animais distintas e também identificar carnes mesmo após congelamento ou fritura.

O processo funciona a partir da análise das proteínas presentes na carne. Cada espécie produz um perfil molecular específico, comparável a uma impressão digital. Esses perfis são registrados em um banco de dados que permite reconhecer posteriormente a origem da amostra analisada. Além da identificação entre bovinos, suínos, aves e peixes, os testes conseguiram separar carnes das raças Nelore e Angus.

Segundo Verbisck, o protocolo desenvolvido simplifica as etapas laboratoriais e reduz o tempo de análise sem comprometer a precisão dos resultados. Enquanto métodos baseados em análises genéticas costumam demandar mais tempo e custos maiores, a nova metodologia realiza todo o procedimento em cerca de 20 minutos.

A tecnologia pode ampliar o controle de qualidade na cadeia de proteínas animais. Entre as aplicações previstas estão programas de certificação, rastreabilidade biológica, fiscalização sanitária e combate à substituição indevida de carnes, prática que causa prejuízos ao consumidor e ao mercado formal.

O banco de dados criado pelos pesquisadores também foi estruturado para receber novos perfis moleculares. A expectativa da equipe é ampliar gradualmente a base de informações até incluir diferentes espécies e produtos comercializados no mercado brasileiro, aumentando a capacidade de identificação da ferramenta.

O método começa com a retirada de um pequeno fragmento da parte interna da carne, evitando interferências superficiais. As proteínas são extraídas em solução específica, preparadas para ionização por laser e analisadas no espectrômetro de massas. Em poucos segundos, o equipamento determina o perfil molecular da amostra, que é comparado ao banco de dados para identificar sua origem.

A Embrapa avalia que a metodologia pode fortalecer programas de certificação de carnes premium, apoiar órgãos de fiscalização e oferecer uma alternativa mais rápida para confirmar a autenticidade de produtos destinados ao mercado interno e às exportações.

Fonte: Forbes.

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