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29 de outubro de 2026

EUA confirmam primeiro caso de bicheira no Arizona e reforçam medidas de contenção na fronteira com o México

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmou, em 28 de outubro de 2026, o primeiro caso de bicheira-do-Novo-Mundo (New World screwworm) no estado do Arizona. A infestação foi identificada em um cachorro no condado de Cochise, localizado na fronteira com o México, levando as autoridades a intensificarem as medidas de vigilância e contenção do parasita.

A confirmação foi realizada pelo Serviço de Inspeção Sanitária Animal e Vegetal (APHIS), órgão vinculado ao USDA, após análises conduzidas pelo Laboratório Nacional de Serviços Veterinários, em Ames, Iowa.

Segundo o Departamento de Agricultura do Arizona, um veterinário local examinou o animal na noite de 26 de outubro e identificou uma ferida nas costas com grande quantidade de larvas, apresentando características compatíveis com a infestação.

O animal permanece sob cuidados veterinários, enquanto as autoridades trabalham para reunir informações adicionais que possam auxiliar na investigação epidemiológica.

A ocorrência representa a primeira detecção oficial do parasita no Arizona desde sua erradicação dos Estados Unidos, na década de 1960.

Autoridades estabelecem zona de controle de 20 quilômetros

Após a confirmação, o USDA e o Departamento de Agricultura do Arizona iniciaram uma resposta conjunta para impedir a disseminação da mosca responsável pela infestação.

Entre as principais medidas está o estabelecimento de uma zona de controle com raio de 20 quilômetros ao redor do local da detecção, incluindo restrições à movimentação de animais.

As autoridades também estão ampliando a vigilância sanitária, intensificando a captura de moscas e orientando produtores, veterinários e comunidades da região sobre a identificação de possíveis novos casos.

Outra medida prevista é a liberação de moscas esterilizadas, técnica utilizada para interromper o ciclo reprodutivo do parasita e reduzir sua população.

O método consiste na criação e esterilização de machos da espécie, que são posteriormente liberados no ambiente. Ao acasalarem com fêmeas selvagens, não produzem descendentes viáveis, contribuindo para o controle da infestação.

O Arizona também está avançando nos planos para instalar uma estrutura de dispersão de moscas esterilizadas em Douglas, cidade próxima à fronteira mexicana.

Segundo o veterinário oficial do estado, Ryan Wolker, a preparação antecipada tem sido fundamental para permitir uma resposta rápida.

“Estamos nos preparando para essa possibilidade há bastante tempo e estamos agindo rapidamente”, afirmou.

De acordo com Wolker, as ações anteriores de comunicação, coordenação e vigilância ajudaram produtores, veterinários e proprietários de animais a reconhecer os sinais da infestação e saber como comunicar casos suspeitos.

Por que a bicheira preocupa a pecuária bovina?

A bicheira-do-Novo-Mundo é causada pelas larvas da mosca Cochliomyia hominivorax, que se alimentam de tecidos vivos de animais de sangue quente.

Diferentemente de algumas espécies de moscas cujas larvas se desenvolvem em matéria orgânica em decomposição, esse parasita invade feridas de animais vivos, podendo provocar lesões graves, sofrimento e prejuízos econômicos quando a infestação não é identificada e tratada rapidamente.

Na pecuária bovina, as feridas decorrentes de procedimentos de manejo e lesões naturais representam pontos de atenção.

Entre os locais mais suscetíveis estão o umbigo de bezerros recém-nascidos, feridas de castração e descorna, locais de marcação e aplicação de brincos de identificação, além de lesões provocadas por carrapatos.

O USDA recomenda que produtores inspecionem seus animais diariamente, observando a presença de feridas que aumentam de tamanho, secreções, larvas ou massas de ovos, além de sinais de desconforto e irritabilidade.

Também é importante verificar lesões próximas às orelhas, narinas, região genital e umbigo.

A orientação é comunicar imediatamente qualquer suspeita a um veterinário ou às autoridades sanitárias, para permitir a identificação precoce e a adoção das medidas de controle.

Ocorrência acontece durante reabertura gradual da fronteira com o México

A confirmação do caso no Arizona ocorre em um momento de atenção especial à movimentação de bovinos entre Estados Unidos e México.

As autoridades americanas vêm adotando medidas sanitárias para reduzir os riscos de introdução e disseminação da bicheira, incluindo restrições comerciais, inspeções e protocolos específicos para animais importados.

O USDA iniciou um processo de reabertura gradual de pontos de entrada de bovinos mexicanos, condicionado à avaliação dos riscos sanitários e à implementação das medidas de segurança necessárias.

Entre os pontos contemplados estão Douglas, no Arizona, Santa Teresa e Columbus, no Novo México.

Outro ponto de entrada, em Nogales, no Arizona, tem reabertura prevista para 30 de novembro de 2026, desde que as condições sanitárias e a infraestrutura de inspeção permitam a retomada segura das operações.

Segundo o USDA, as decisões sobre a movimentação de animais continuarão sendo orientadas pelo acompanhamento epidemiológico e pela eficácia das medidas de prevenção.

A confirmação no Arizona acrescenta um novo ponto de atenção ao monitoramento da bicheira na região de fronteira, onde já haviam sido registradas ocorrências no Texas e no Novo México.

Vigilância sanitária será fundamental para conter novos casos

O Departamento de Agricultura do Arizona informou que mantém ações de preparação e vigilância em colaboração com o USDA, estados vizinhos e autoridades mexicanas.

Ao longo do último ano, o estado realizou mais de 60 atividades de treinamento, simulações e encontros técnicos destinados a produtores, veterinários e profissionais relacionados à saúde animal.

O objetivo é aumentar a capacidade de reconhecimento e comunicação de casos suspeitos, permitindo respostas rápidas antes que o parasita consiga se estabelecer em novas áreas.

A ocorrência confirmada em Cochise envolveu um cachorro, e não há indicação nos comunicados oficiais de que esse caso tenha sido identificado em um rebanho bovino.

Entretanto, a capacidade do parasita de infestar diferentes espécies animais justifica as medidas de prevenção adotadas pelas autoridades.

Com a confirmação do primeiro caso no Arizona, os Estados Unidos reforçam as ações de vigilância, controle da movimentação de animais e liberação de moscas esterilizadas para evitar a disseminação da bicheira e proteger a produção pecuária.

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