Brasil defende previsibilidade comercial e cooperação com os Estados Unidos durante encontro internacional do setor de carnes
6 de novembro de 2026

Exportações de carne bovina dos EUA crescem 8% em valor em setembro, impulsionadas pela demanda asiática

As exportações de carne bovina dos Estados Unidos alcançaram US$ 712,4 milhões em setembro de 2026, crescimento de 8% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Em volume, os embarques somaram 81,3 mil toneladas, alta de 1%.

Os dados foram divulgados em 5 de novembro pela Federação de Exportadores de Carne dos Estados Unidos (USMEF), com base em informações do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

O resultado positivo foi impulsionado principalmente pela demanda de Taiwan e pelo crescimento das vendas para a Coreia do Sul e o Caribe. Entretanto, o desempenho acumulado do ano ainda mostra dificuldades para o setor exportador americano.

Entre janeiro e setembro, os Estados Unidos exportaram 802,5 mil toneladas de carne bovina, redução de 6% em relação ao mesmo período de 2025. Em valor, as exportações permaneceram praticamente estáveis, superando US$ 7 bilhões.

Para Dan Halstrom, presidente e CEO da USMEF, os resultados de setembro demonstram a continuidade da demanda internacional pela carne bovina americana, apesar das pressões sobre o orçamento dos consumidores.

Segundo ele, mesmo diante do aumento das despesas domésticas, consumidores de diferentes mercados continuam priorizando proteínas de qualidade em sua alimentação.

Taiwan e Coreia do Sul impulsionam os embarques

Taiwan apresentou um dos desempenhos mais expressivos em setembro. As exportações americanas de carne bovina para o mercado taiwanês somaram 5.416 toneladas, crescimento de 23% em relação ao mesmo mês de 2025.

Em valor, o aumento foi ainda maior, de 38%, alcançando US$ 65,2 milhões.

No acumulado de janeiro a setembro, Taiwan importou 48,3 mil toneladas de carne bovina americana, alta de 15%, enquanto o valor das compras cresceu 20%, chegando a US$ 580 milhões.

Segundo a USMEF, o desempenho econômico de Taiwan tem contribuído para sustentar a demanda, e as exportações americanas poderão alcançar novos recordes no mercado em 2026.

A Coreia do Sul também apresentou crescimento. Em setembro, os embarques aumentaram 9%, chegando a 16,2 mil toneladas, enquanto o valor avançou 14%, para US$ 159,4 milhões.

Apesar da recuperação mensal, as exportações acumuladas para o mercado sul-coreano ainda estavam 7% abaixo das registradas no mesmo período do ano anterior.

A USMEF destaca que a concorrência com a carne australiana foi influenciada pelo acionamento de uma tarifa de salvaguarda na Coreia do Sul. Após as importações australianas ultrapassarem o limite estabelecido em julho, a tarifa aplicável passou de 5% para 24%, ampliando as oportunidades para a carne americana, que possui acesso ao mercado sul-coreano com tarifa zero por meio de acordo comercial.

China continua com compras limitadas

Enquanto alguns mercados asiáticos registraram crescimento, as exportações americanas para a China permaneceram em níveis reduzidos.

Em setembro, os embarques para o mercado chinês somaram 3.370 toneladas, movimentando US$ 30,9 milhões.

Embora o resultado tenha superado os volumes muito baixos registrados em setembro de 2025, as vendas continuam distantes dos níveis observados em anos anteriores.

Segundo a USMEF, houve uma recuperação modesta após a renovação de registros de frigoríficos americanos pelas autoridades chinesas, em maio.

Entretanto, mais da metade da produção de carne bovina dos Estados Unidos continua sem condições de acesso ao mercado chinês devido às suspensões de habilitações de estabelecimentos.

As restrições comerciais seguem, portanto, limitando a recuperação das exportações americanas para um dos principais mercados consumidores de carne bovina do mundo.

Japão mantém importância, enquanto México registra queda

O Japão permaneceu como o maior destino da carne bovina americana em volume no acumulado do ano, ligeiramente à frente da Coreia do Sul.

Em setembro, porém, as exportações para o mercado japonês recuaram 12%, para aproximadamente 15 mil toneladas. Apesar da redução no volume, o valor comercializado aumentou 1,5%, alcançando US$ 123,6 milhões.

Entre janeiro e setembro, o Japão importou 166,4 mil toneladas de carne bovina americana, queda de 8% em relação ao ano anterior.

No México, os resultados de setembro também foram negativos. Os embarques diminuíram 9%, totalizando 15,4 mil toneladas, enquanto o valor caiu 17%, para US$ 97,5 milhões.

Apesar disso, as exportações acumuladas para o mercado mexicano ainda apresentavam crescimento de 1% em volume, alcançando 155,5 mil toneladas.

Outros destinos registraram desempenho positivo em valor. No Caribe, as receitas com exportações de carne bovina cresceram 43% em setembro, enquanto o Oriente Médio apresentou aumento de 34%, impulsionado especialmente pela demanda por cortes bovinos nos Emirados Árabes Unidos.

Exportações representam parcela importante da produção americana

Segundo a USMEF, as exportações de carne bovina corresponderam a 11,7% da produção total dos Estados Unidos em setembro, acima dos 10,9% registrados no mesmo mês de 2025.

No acumulado de janeiro a setembro, essa participação foi de 12,7%, ligeiramente inferior à observada no ano anterior.

O valor exportado por bovino terminado abatido alcançou US$ 391,43 em setembro, crescimento de 16% na comparação anual.

Os resultados mostram que, embora os embarques acumulados permaneçam abaixo dos níveis de 2025, a valorização das vendas e a demanda de mercados como Taiwan e Coreia do Sul continuam contribuindo para o desempenho das exportações americanas.

Fonte: Federação de Exportadores de Carne dos Estados Unidos (USMEF), traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

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