
O Uruguai está exportando menos carne em 2026, mas conseguindo uma receita maior com as vendas externas. Entre 1º de janeiro e 26 de setembro, o país embarcou 460,5 mil toneladas de carnes e produtos do setor, queda de 8,87% em relação ao mesmo período do ano passado.
Apesar da redução no volume, a receita chegou a US$ 2,41 bilhões, avanço de 2,7% na comparação com janeiro a setembro de 2025.
A diferença é explicada pelo maior valor médio dos produtos exportados. Em 2026, o Uruguai recebeu, em média, US$ 5.236 por tonelada, valor 12,69% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.
Os dados são atualizados semanalmente pelo Instituto Nacional de Carnes (INAC), que acompanha as exportações de carnes e de outros produtos da indústria frigorífica uruguaia.
A carne bovina é, com ampla diferença, o principal produto do setor exportado pelo Uruguai e responde por 84,36% do total das receitas.
Até 26 de setembro, foram embarcadas 254,4 mil toneladas de carne bovina, que renderam US$ 2,03 bilhões. A receita ficou 3,2% acima da registrada no mesmo período do ano anterior.
O valor médio da carne bovina exportada chegou a US$ 7.997 por tonelada.
As demais categorias têm participação significativamente menor nas receitas. Entre elas estão miúdos, subprodutos destinados ao uso industrial, subprodutos comestíveis, carne ovina, produtos industrializados, carne equina e produtos cárneos destinados à alimentação animal.
No caso da carne ovina, foram exportadas 4,7 mil toneladas, com receita de US$ 38,5 milhões, queda de 14,3%. O valor médio ficou em US$ 8.187 por tonelada.
Três mercados responderam por aproximadamente 80% das receitas obtidas pelo Uruguai com as exportações de carnes e produtos cárneos em 2026.
O USMCA — bloco formado por Estados Unidos, México e Canadá — aparece na liderança, com US$ 787,5 milhões, equivalentes a 32,6% do total.
A China vem em seguida, com US$ 736,8 milhões e participação de 30,5%. A União Europeia ocupa a terceira posição, com US$ 424,3 milhões, ou 17,6%.
O Uruguai possui acesso habilitado a mais de 100 mercados. Segundo a publicação, os operadores privados escolhem os destinos considerando diferentes fatores, principalmente os preços oferecidos, as tarifas aplicáveis, os volumes negociados e a regularidade da demanda.
A redução dos volumes exportados ocorre em um ano de menor abate no país.
Até o período considerado, frigoríficos uruguaios haviam abatido 1,508 milhão de bovinos, queda de 15,2% em relação a 2025. Os animais foram processados em 30 plantas distribuídas pelo país.
No caso dos ovinos, foram abatidos 284,7 mil animais em 13 unidades industriais, redução de 35,4%.
O desempenho de 2026 ocorre após um ano recorde para as receitas das exportações uruguaias de carnes.
Em 2025, o país exportou 704 mil toneladas de carnes e produtos do setor e obteve US$ 3,296 bilhões, maior receita da série apresentada pelo INAC.
O recorde anterior havia sido registrado em 2022, quando as exportações renderam US$ 3,211 bilhões. Em volume, o maior resultado da série continua sendo o de 2021, com 721,4 mil toneladas embarcadas.
Considerando apenas a carne bovina, em 2025 foram exportadas 398,4 mil toneladas.
Os números de 2026 mostram, até agora, um cenário de menor volume comercializado, mas de valorização dos produtos exportados: mesmo com embarques quase 9% menores, a receita total do setor de carnes uruguaio permanece acima da registrada no mesmo período do ano passado.
Fonte: El Observador, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.