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Frigoríficos baianos precisam se modernizar para atender a demanda

Os frigoríficos baianos continuam sem as condições mínimas para atender à demanda e beneficiar toda a cadeia produtiva da carne, que reúne cerca de 30% da produção agropecuária da Bahia. Por esse motivo, a inquietação acometeu a todos os produtores que participaram, na semana passada, do VI Encontro Nacional sobre o Novilho Precoce, no Fiesta Convention Center, em Salvador (BA).

A Bahia – cujo rebanho bovino é estimado em 9 milhões de cabeças – recentemente foi considerada Estado livre de febre aftosa com vacinação. Porém, a inadequação dos estabelecimentos impede que o Estado participe mais intensamente do comércio internacional de carnes. Os produtores baianos poderiam, por exemplo, ocupar a lacuna deixada no mercado internacional pela Argentina e pelo Uruguai, que tiveram suas exportações de carne reduzidas devido ao aparecimento de focos de aftosa em seu território. Além disso, o Estado poderia explorar o novo nicho de mercado representado pelo boi verde, que teve sua procura aumentada devido à epidemia da doença da ‘vaca louca’ que instalou-se na Europa.

Há três anos, a Secretaria da Agricultura da Bahia, juntamente com o Banco do Nordeste, lançou um protocolo que oferecia R$ 30 milhões, destinados à modernização dos frigoríficos baianos. Porém, como muitos estabelecimentos estão arrendados, e não compram diretamente do criados para beneficiar o produto, não houve interesse por parte dos empresários em reformar as instalações e capacitar o negócio. “Muitos dos recursos ainda estão lá, disponíveis. Estamos conversando com grupos nacionais e estrangeiros para que se instalem aqui”, lamenta o secretário da Agricultura, Pedro Barbosa de Deus.

Segundo a Associação dos Criadores de Gado de Corte do Extremo Sul da Bahia (ACGC-Ba) – criada há dois anos – que reúne 46 criadores que possuem aproximadamente 130 mil animais, a entidade sofre com o que os associados consideram uma injustiça. “Não temos conseguido preços diferenciados, mesmo vendendo um animal de melhor qualidade”, afirma o veterinário João Abdon dos Santos, diretor da associação. “Fazemos de tudo para reduzir os nossos custos, mas não temos uma compensação no momento do abate”, diz. “Hoje só ganhamos com a criação do novilho precoce no tempo de abate e nada pela carne de melhor qualidade”.

Segundo Artur Coutinho, priprietário da rede Frigorífico Rio Doce S.A. (Frisa) – com sede em Colatina (ES), e com filiais em Niterói (RJ), Nanuque (MG) e Teixeira de Freitas (BA) – o principal problema está na necessidade de castrar o boi. A região é a mais avançada na criação de novilho precoce, mas, mesmo assim, Coutinho não se empolga em realizar investimentos no frigorífico baiano para exportar. “O produtor baiano não tem a tradição de castrar o boi e a carne do boi inteiro não serve à exportação”, diz.

Os estabelecimentos de Minas e do Espírito Santo já vendem para a Europa, América do Sul e Oriente Médio. Segundo Coutinho, seriam necessários R$ 3 milhões para adaptar o frigorífico baiano às condições exigidas pelo mercado externo. “Além do problema da castração, a competição e os problemas sanitários como o abate clandestino são graves dificuldades na Bahia”, afirma.

fonte: Gazeta Mercantil (por Flávio Novaes), adaptado por Equipe BeefPoint

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