Indicador do Boi DATAGRO – Boletim de 02-setembro-2026
3 de setembro de 2026

Frigoríficos e pecuaristas cobram reinclusão do Brasil na lista de exportadores de carne bovina para UE

Entidades que representam as indústrias de carne bovina e os criadores de gado relataram “preocupação” com a interrupção das exportações de carne bovina brasileira para a União Europeia a partir desta quinta-feira (3/9). Frigoríficos e pecuaristas cobram ações do governo para retomar este mercado de forma rápida.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) disse que as garantias oficiais de atendimento às exigências sanitárias do bloco, relacionadas ao uso de antimicrobianos, já foram apresentadas e que os esforços estão concentrados na reinclusão do Brasil na lista de países aptos a fornecer o produto aos europeus.

“A Abiec acompanha as negociações, conduzidas em âmbito governamental, e segue fornecendo os subsídios técnicos necessários para que o fluxo comercial seja restabelecido no menor prazo possível”, informou na nota.

As vendas serão suspensas a partir de amanhã, como mostrou a reportagem. Em 2025, as exportações de carne bovina para lá somaram 128 mil toneladas, com faturamento de US$ 1,048 bilhão segundo dados do Agrostat do Ministério da Agricultura. De janeiro a julho deste ano, foram embarcadas 63,1 mil toneladas, negócios que renderam US$ 556,1 milhões para os frigoríficos brasileiros.

A entidade ressaltou a elaboração do protocolo privado de controle sobre o uso de antimicrobianos, desenvolvido em parceria com a Associação Brasileira das Certificadoras por Auditoria e Rastreabilidade (Abcar) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que faz parte das garantias oficiais brasileiras. Segundo a Abiec, o mecanismo já está em execução e todas as empresas associadas e habilitadas ao mercado europeu estão aderidas.

“Trata-se de um requisito regulatório de mercado, estabelecido pelo bloco para seus fornecedores, que não altera a qualidade, a segurança ou o status sanitário da carne bovina brasileira, reconhecida em mais de 170 mercados atendidos pelo país”, reforçou a entidade.

A Abiec destacou que a União Europeia é um mercado “estratégico” para o Brasil, por conta do “alto valor agregado e pelo perfil específico dos cortes comercializados”, e que “não há substituição automática” para esse cliente.

“A prioridade da Abiec é contribuir para que esse fluxo comercial seja restabelecido no menor prazo possível, preservando a diversificação dos destinos, a competitividade da cadeia e a presença internacional da carne bovina brasileira”, concluiu a nota.

Pecuaristas

A Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac) afirma que “considera o tardio movimento do Ministério da Agricultura em promover uma readequação da fiscalização e orientação aos produtores, fator fundamental para o não atendimento às exigências do mercado internacional”.

Segundo a Febrac, o governo brasileiro demorou a atender às solicitações do bloco. “A ação da União Europeia iniciou em maio de 2023 com a emissão do Regulamento Delegado 905/2023. O documento previa um período de adaptação até setembro de 2026. Integrantes do Mercosul, Argentina, Uruguai e Paraguai adequaram suas legislações e garantiram a manutenção do mercado”, disse no comunicado.

A entidade afirma que, somente dois dias após a confirmação de exclusão do país da lista de fornecedores ao bloco, em maio de 2026, o Ministério da Agricultura publicou uma portaria que proibiu o uso de antimicrobianos condenados pela UE. “Já a portaria que homologou protocolo de certificação para bovinos livres de antimicrobianos foi emitida no mês seguinte”.

A Febrac ressalta que, embora o mercado europeu responda por apenas 8% das importações da proteína bovina produzida no Brasil, a decisão da UE pode influenciar outros mercados. A entidade também afirma que o setor produtivo gaúcho sofre um impacto duplo com o embargo, ao perder competitividade e ser penalizado por uma ação que, segundo a federação, não ocorre no Estado.

“A carne gaúcha, produzida com excelência e de qualidade já confirmada pelo mercado internacional, é derivada de sistemas de produção pecuária de gado criado, majoritariamente, a campo e não faz uso de antimicrobianos”, afirmou.

A Febrac espera uma rápida retomada do mercado “e que os responsáveis pela criação de leis e regulamentações sejam efetivamente ágeis na adequação dos processos de uso de antimicrobianos”.

Fonte: Globo Rural.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *