
Todos os frigoríficos brasileiros habilitados a exportar carne bovina para a UE (União Europeia) já participam dos protocolos de controle e segregação relacionados às novas exigências europeias para o uso de antimicrobianos, segundo a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes).
Segundo a associação, são cerca de 50 estabelecimentos de abate habilitados que adotam uma cadeia de controles que começa na propriedade rural e acompanha o animal até o frigorífico.
O protocolo foi homologado pelo Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) em maio deste ano e tem adesão voluntária. O objetivo é permitir a certificação de bovinos que não tenham sido submetidos a determinados antimicrobianos, de acordo com as exigências dos mercados de destino.
Nesta terça-feira (18), houve uma Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Carne Bovina do Mapa, na qual foi informada aos presentes que cerca de 220 fazendas já adotam o protocolo de exportação de bovinos livres de antimicrobianos e o número tende a aumentar.
A reunião aconteceu uma semana antes do desembarque da missão veterinária europeia, que está prevista para chegar ao Brasil no dia 24 de agosto. A entrada em vigor dos novos protocolos e a possível exclusão do país como apto a exportar carnes para a UE entra em vigor no dia 3 de setembro.
Para Emílio Salani, vice-presidente executivo do Sindan (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal), o principal desafio para a pecuária está na duração e na complexidade do ciclo produtivo.
Em entrevista ao CNN Agro nesta quarta-feira (19), Salani afirmou que o animal pode passar por diferentes propriedades durante a vida, entre as etapas de cria, recria e engorda. Isso exige que informações sobre o histórico sanitário e o uso de medicamentos sejam preservadas ao longo de todo o processo.
Segundo ele, para que houvesse animais aptos à exportação sob as novas regras neste momento, a segregação deveria ter começado com antecedência.
“Nós deveríamos ter iniciado essa segregação, a documentação desses produtores e de quem estivesse envolvido, há pelo menos dois anos atrás. A ideia hoje é iniciar e começar a demonstrar para a comunidade europeia, para que permita ela fazer auditoria e que possa validar o nosso protocolo e aceitar alguns períodos de certificações de não uso”, explicou.
Salani ainda destacou que durante a visita da representação europeia, será apresentado o protocolo para que pelo menos possa haver um certificado “parcial” de alguns animais para colocá-los no mercado europeu.
A discussão vai além da carne bovina. Segundo Ricardo Santin, presidente da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), os protocolos de controle também são aplicáveis às aves e os exportadores do setor já adotam os procedimentos de segregação exigidos para o mercado europeu.
“Todos [os associados da ABPA] aderiram [aos protocolos], estão cumprindo e prontos para receber a missão veterinária da Europa que está chegando dia 24/08. Todos associados exportadores para a Europa já cumprem a segregação e estão aderentes”, afirmou Santin ao CNN Agro.
Santin também afirmou que as exigências não são exclusivas dos bovinos. Segundo ele, bovinos e aves estão sujeitos às mesmas exigências gerais, embora a aplicação dos controles tenha peculiaridades em cada cadeia.
“Aves e bovinos tem as mesmas exigências, no entanto cada setor tem suas peculiaridades. Os novos protocolos são para todos os setores e países do mundo que querem exportar para a UE”, disse.
Para aderir aos protocolos, a fazenda precisa estar vinculada a um sistema de rastreabilidade, como o SISBOV (Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos), e apresentar planos de manejo sanitário e nutricional.
Os documentos devem registrar medicamentos, alimentação e mecanismos de segregação para garantir que os bovinos destinados à UE não recebam antimicrobianos proibidos nem sejam misturados a animais fora do protocolo.
A propriedade também passa por supervisão presencial de uma certificadora. Se estiver em conformidade, recebe um certificado e cada movimentação dos animais é registrada por meio de um Certificado de Transação, que permite acompanhar a identificação e o histórico dos bovinos ao longo da cadeia.
Fonte: CNN Brasil.