
O governo da Austrália anunciou que encerrará o programa Climate Active, sistema federal de certificação utilizado por empresas para comprovar alegações de neutralidade de carbono. A iniciativa será descontinuada em 30 de junho de 2027, encerrando um programa que vinha sendo adotado por importantes empresas da cadeia da carne bovina, mas que também enfrentava críticas e perda de adesão nos últimos anos.
Criado pelo governo federal, o Climate Active estabelecia um padrão para empresas que desejavam declarar produtos, marcas ou operações como carbono neutro. No setor de carne bovina, grandes companhias aderiram ao programa, entre elas a North Australian Pastoral Company (NAPCo), a rede varejista Coles e a Kilcoy Global Foods, utilizando a certificação para respaldar compromissos ambientais e estratégias de mercado.
Segundo comunicado publicado no site do programa, a decisão de encerrá-lo foi motivada por três fatores principais: a adoção crescente de exigências obrigatórias de divulgação de informações climáticas pelas empresas, o amadurecimento de diretrizes internacionais para ações voluntárias relacionadas ao clima e o aumento da demanda de consumidores, investidores e da sociedade por reduções diretas das emissões, em vez da simples compensação por créditos de carbono.
Desde sua criação, o Climate Active foi alvo de campanhas promovidas por organizações ambientalistas, que questionavam a possibilidade de empresas declararem neutralidade de carbono por meio da compra de créditos de carbono.
Os críticos argumentavam que o mecanismo permitia que empresas mantivessem suas emissões praticamente inalteradas, compensando-as financeiramente, em vez de promover reduções efetivas na própria operação.
Após o anúncio do encerramento do programa, o consultor sênior do Climate Council, Ben McLeod, afirmou que a certificação acabava validando práticas que não enfrentavam diretamente o problema das emissões.
Segundo ele, “não podemos compensar nossa saída da crise climática”, acrescentando que o selo acabava servindo como uma aprovação para atividades intensivas em emissões, quando o foco deveria estar na redução da poluição na origem.
As críticas, entretanto, não partiram apenas de organizações ambientalistas. Empresas da cadeia da carne bovina que aderiram ao programa também vinham manifestando frustração diante da indefinição do governo australiano sobre a regulamentação do mercado de carbono.
No início deste ano, a GreenCollar, considerada a maior agregadora de projetos de carbono da Austrália, anunciou sua saída do Climate Active. A empresa afirmou que o programa havia sido “sequestrado” por grupos que tratavam o debate climático de forma excessivamente simplificada, dividindo as iniciativas apenas entre “boas” e “ruins”.
A North Australian Pastoral Company (NAPCo) também vinha criticando a condução das políticas públicas para o mercado de carbono. Segundo o Beef Central, a empresa realizou investimentos em diversos projetos ligados à geração de créditos de carbono que acabaram não avançando devido à demora do governo em definir as regras do setor.
O encerramento do Climate Active marca uma mudança na abordagem australiana para certificações climáticas. A tendência indicada pelo governo é de substituir programas voluntários baseados principalmente em compensações por mecanismos que priorizem a redução efetiva das emissões e estejam alinhados às novas exigências regulatórias e aos padrões internacionais de divulgação de informações sobre sustentabilidade.
Fonte: Beef Central, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.