Entidade escocesa admite atraso nas especificações de rotulagem de carnes
28 de março de 2003
Alguns bons exemplos da pecuária francesa
28 de março de 2003

Mercado do boi gordo em Março/03

Em março, o avanço da safra e o fraco desempenho do mercado atacadista levaram ao início de um movimento de baixa. Os compradores pressionaram, e de fato a cotação do boi gordo chegou a recuar em algumas praças, porém, onde ocorreu, o ajuste raramente foi superior a R$1,00/@.

Até o dia 27, a cotação do boi gordo, na média das 25 praças pesquisadas pela Scot Consultoria, havia acumulado baixa de 2% no decorrer do mês. Os destaques negativos foram a região de Goiânia (GO) e a Bahia, ambas pontuando recuos de 6%.

De fato, nessas praças, sobretudo em Goiás, foi observado um aumento expressivo na oferta de animais terminados, sustentando as correções. Em geral, porém a oferta ainda era irregular, impedindo que a pressão baixista ganhasse força.

Mercado atacadista

Apontado como o vilão da história, o mercado atacadista operou em ambiente frouxo durante praticamente todo o período. As vendas de carne para o mercado interno eram consideradas insatisfatórias, fruto do reduzido poder aquisitivo da população.

No final de março, a defasagem entre o equivalente físico (48% traseiro + 39% dianteiro + 13% ponta de agulha), R$45,50/@, e a cotação da arroba do boi gordo paulista, R$57,00, era de aproximadamente 20%. No mesmo período de 2002, essa diferença era significativamente menor, cerca de 13%.

Tal comportamento, entre outros fatores, salienta o importante papel das exportações de carne bovina na sustentação dos preços do boi gordo.

Mercado externo

Felizmente o ano começou bem para os exportadores. Em janeiro, a receita com as vendas de carne bovina ao mercado externo chegou a US$100,63 milhões.

Pela sexta vez na história o faturamento com as exportações de um único mês superou a casa dos US$100,00 milhões, sendo a primeira vez que isso acontece em janeiro, período em que tradicionalmente o volume de embarques diminui.

Em fevereiro, novo recorde, US$110,70 milhões, mesmo com o valor médio da tonelada da carne in natura voltando a cair. Os números são animadores, porém alguns fatores passaram a preocupar.

Problemas

Em visita a frigoríficos e propriedades no Mato Grosso do Sul, técnicos da União Européia (UE) mostraram-se bastante insatisfeitos com os rumos do sistema de rastreabilidade bovina implantado no Brasil.

De fato, até o próprio governo concorda que ainda é preciso avançar muito. O que se tem hoje é praticamente uma identificação, poucos animais são rastreados de fato.

Segundo estimativas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), aproximadamente 1,3 milhão de cabeças bovinas estão cadastradas no SISBOV – Sistema Brasileiro de Identificação de Origem Bovina e Bubalina. Isso equivale a 0,75% de um rebanho de cerca de 170 milhões de cabeças, o que é muito pouco.

A UE, importador que exige a certificação de origem do produto, é o destino de aproximadamente 50% das exportações brasileiras, que no ano passado geraram uma receita de US$1,096 bilhão.

Muito foi conquistado, portanto também há muito a perder. Não podemos deixar a “peteca cair”, é preciso pensar em cadeia.

Agora, independente do trabalho e da vontade brasileira, o embate entre Estados Unidos e Iraque também gera preocupação.

Os países do Oriente Médio respondem por aproximadamente 20% do mercado de carne bovina brasileira no exterior, o que gerou, ano passado, cerca de US$200,00 milhões.

Um conflito prolongado pode levar a um atraso dos negócios. Na verdade já se especula sobre a ocorrência de problemas, como o aumento do frete dos navios e a dificuldade destes em atracarem nos portos da região, que estariam ocupados por embarcações militares.

As informações ainda são desencontradas, porém já influenciam a evolução do mercado. Só nos resta esperar por um desfecho rápido.

Comments are closed.