A demanda global por carne bovina continua sustentando um cenário favorável para os exportadores, mesmo após os preços internacionais atingirem patamares historicamente elevados. A avaliação é de lideranças do setor e analistas de mercado que acompanham o desempenho dos principais países importadores e exportadores de carne bovina.
Segundo Gastón Escayola, presidente do Instituto Nacional de Carnes (INAC) do Uruguai, a expectativa é de que a oferta global permaneça relativamente restrita nos próximos meses, enquanto a demanda segue consistente nos principais mercados consumidores.
“Temos os Estados Unidos muito firmes, a Europa abrindo novas oportunidades com as cotas vinculadas ao acordo de livre comércio e a China mantendo sua demanda”, destacou Escayola.
Apesar do ambiente favorável, o dirigente não acredita em novas altas expressivas dos preços internacionais. Na sua avaliação, os valores atuais já estão em níveis muito elevados e a capacidade de absorção do mercado chinês encontra limites.
Caso ocorra redução na disponibilidade de carne bovina de grandes exportadores como Brasil ou Austrália, a tendência seria uma substituição parcial por outras proteínas, como carne suína e carne de frango, em vez de uma escalada significativa dos preços.
Outro fator que contribui para a firmeza do mercado é a expectativa de redução na oferta de animais para abate em alguns países produtores.
De acordo com Escayola, a indústria uruguaia trabalha com a perspectiva de uma faena inferior à registrada no ano passado. Em um contexto de demanda internacional estável, essa menor disponibilidade de matéria-prima tende a sustentar os preços da carne nos atuais patamares.
O cenário é especialmente relevante para os Estados Unidos, que continuam enfrentando o menor rebanho bovino das últimas décadas, o que aumenta a necessidade de importações para abastecer o mercado interno.
A China continua sendo o principal destino da carne bovina exportada pelos países da América do Sul.
Mesmo sem perspectivas de impulsionar novas altas nos preços, o país segue exercendo forte influência sobre o mercado internacional devido ao seu volume de compras.
Analistas observam que qualquer alteração na oferta de grandes exportadores, como Brasil e Austrália, pode provocar rearranjos comerciais importantes. Entretanto, a expectativa predominante é de manutenção dos preços em níveis próximos aos atuais ao longo do segundo semestre.
Enquanto o mercado global permanece aquecido, algumas preocupações surgem para os exportadores brasileiros.
Uma delas envolve as restrições impostas pela União Europeia relacionadas aos sistemas de rastreabilidade e ao controle do uso de antimicrobianos na produção animal.
Análise da consultoria Genial Investimentos apontou que empresas como Minerva, JBS e BRF podem sofrer impactos caso o bloqueio europeu seja mantido. No caso da Minerva, a exposição direta representaria cerca de 3,4% da receita bruta dos últimos 12 meses.
Por outro lado, a forte diversificação geográfica das operações da companhia, com unidades em países como Uruguai, Argentina, Paraguai e Colômbia, reduz os riscos e permite redirecionar parte dos embarques para outros mercados.
Na América do Sul, outra notícia importante veio do Paraguai, que recebeu habilitação para exportar carne bovina para a Turquia.
O país também avançou nas negociações para exportação de gado vivo, ampliando suas alternativas comerciais e fortalecendo sua estratégia de diversificação de mercados.
A expectativa das autoridades paraguaias é aproveitar acordos governamentais que possibilitem acesso ao mercado turco com tarifas reduzidas, aumentando a competitividade da carne produzida no país.
A combinação entre oferta limitada, demanda consistente e abertura de novos mercados mantém uma visão positiva para o setor pecuário global.
Embora não sejam esperadas valorizações expressivas adicionais, o consenso entre especialistas é de que os preços internacionais da carne bovina devem permanecer em níveis historicamente elevados durante o restante do ano.
Para os exportadores da América do Sul, o desafio será aproveitar esse ambiente favorável, mantendo competitividade, acesso aos mercados e capacidade de adaptação às exigências sanitárias e comerciais dos principais compradores mundiais.
Fonte: Valor Agregado, traduzido e adaptado pela Equipe BeefPoint.