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Mercosul ganha em acordo com UE, mas menos

Um estudo de impacto encomendado em 2016 pela União Europeia mostrou que o Mercosul seria o principal vencedor no setor agrícola entre 12 acordos comerciais que a Europa negociou ou continuava a negociar. A estimativa era que o bloco formado pelo Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai poderia representar 24,5% das importações agroalimentares da UE em 2025.

Agora, um novo estudo de impacto, exigido por países resistentes ao acordo com o Mercosul, levou em conta os volumes realmente negociados. E, como o Valor publicou, confirmou o Mercosul como maior ganhador, com 53% das compras agrícolas feitas pela UE junto aos parceiros de 12 acordos examinados (com Mercosul, Austrália, Canadá, Chile, Indonésia, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Filipinas, Tailândia e Vietnã).

No total, esses 12 acordos poderão representar em 2030 cerca de 35% do total agrícola importado pela UE. Assim, em 2030 o Mercosul poderá exportar mais US$ 21 bilhões para a UE pelos fluxos criados pelos acordos. Esse montante representaria cerca de 19% das importações agrícolas totais dos 27 países do mercado comum europeu – ou seja, uma fatia inferior aos 24,5% estimados em 2016.

A Comissão Europeia, braço executivo da EU, destacou que conseguiu nos acordos comerciais, como o que fechou com o Mercosul, ampliar as condições para suas próprias exportações agroalimentares e, ao mesmo tempo, proteger a Europa de efeitos “potencialmente nefastos” do aumento de importações.

O novo estudo confirma as sensibilidades destacadas na análise de 2016, sobretudo para os produtores europeus de carne bovina, ovinos, frango, açúcar e arroz. No entanto, avalia que o impacto negativo “será significativamente menor’” ao examinar os resultados concretos das negociações.

A diferença nas importações de carne bovina ilustra esse alívio europeu. A introdução de cotas (limites quantitativos) permitiu resultados ditos “mais realistas”. Ou seja, o aumento de importações de carne bovina do Mercosul e de outros parceiros será bem menor, com o comércio administrado incluído nos acordos.

No estudo de 2016, a estimativa era de que a importação adicional de carne bovina pelos acordos poderia alcançar 948 milhões de euros em 2025. Agora, o novo estudo calcula que as importações adicionais de carne bovina pela UE em 2030 poderão resultar em fluxos adicionais entre 512 milhões de euros e 614 milhões de euros, portanto bem mais modestos.

A maior importação de carne bovina virá mesmo do Mercosul, cerca de 422 milhões de euros a mais, com a Austrália também ganhando acesso ao mercado com algo entre 45 milhões de euros e 121 milhões de euros. Essas altas são bem inferiores aos níveis projetados no estudo de 2016.

No caso de carne de frango, o Mercosul e a Tailândia respondem por quase 60% do total importado pela UE e cerca de 90% do frango importado dos parceiros dos 12 acordos comerciais examinados. O Mercosul poderá vender 288 milhões de euros a mais, por ano. A Tailândia também poderá aumentar as vendas em 229 milhões de euros graças ao corte de tarifa acertado e à ausência de limites quantitativos, que pesam sobre o Mercosul.

Os países do Mercosul poderão aumentar suas exportações de açúcar em 116 milhões de euros. As vendas de arroz para o mercado comunitário ficarão mais limitadas pelas cotas negociadas.

Os desafios, agora, são a assinatura e a implementação do acordo UE-Mercosul. Mesmo com abertura mais modesta, a resistência de alguns países europeus segue forte.

Fonte: Valor Econômico.

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