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10 de maio de 2024

Minerva vê ciclo do gado favorável até meados de 2025

Foto: Divulgação Minerva

Apoiado pela tese de que a retenção de fêmeas na pecuária bovina ainda não começou, o diretor de Finanças e Relações com Investidores da Minerva, Edison Ticle, disse nesta quinta-feira (9/5) que o ciclo de ampla oferta do gado deve permanecer no Brasil até a metade do ano que vem.

“Vamos ter o resto de 2024 e até a entrada da entressafra (de 2025) com ciclo positivo”, afirmou o executivo durante teleconferência com analistas.

Segundo ele, outro fator que leva a crer que a disponibilidade de animais continuará elevada é a “força da produção de bezerros lá atrás, quando houve o último período de retenção de fêmeas”.

O presidente da companhia, Fernando Galletti de Queiroz, acrescentou que o movimento de descarte de fêmeas que acontece no mercado brasileiro é diferente do que ocorre nos Estados Unidos, em função da idade das vacas.

“Nos Estados Unidos tem um descarte enorme de novilhas, que são de produtores que estão saindo da atividade. No Brasil, o descarte é de fêmeas menos produtivas, o que mostra que, apesar do ciclo, o Brasil vai continuar ocupando mais espaço no mercado internacional [em produção de gado]”, explicou.

Desta forma, à medida que se restringe a produção pecuária americana e na Europa, aumentam as possibilidades de que os países do hemisfério Sul crescerão enquanto fornecedores da proteína bovina no mundo.

“É natural ocuparmos esse espaço, aí não importa muito se é Brasil, Argentina, Paraguai, porque a tese da Minerva é de diversificação geográfica”, disse o presidente da empresa que é a maior exportadora de carne bovina da América do Sul, com 20% de market share no continente.

Perspectivas
Pensando no curto prazo, Ticle avalia que o mercado internacional está comprador e a perspectiva é positiva para as exportações durante os próximos trimestres deste ano.

A companhia teve, durante o primeiro trimestre, a habilitação de duas unidades brasileiras para embarque à China, de Janaúba (MG) e Araguaína (TO). “A exposição para o mercado chinês atingiu 14,6 mil cabeças por dia, o que potencializa as nossas oportunidades naquele mercado”, acrescentou Queiroz.

No mesmo período, duas plantas da empresa na Colômbia também receberam a aprovação chinesa, de Bucaramanga e Ciénaga de Oro.

Outra via importante é o crescimento da participação da América do Norte na receita da companhia, diante da escassez de carne nos Estados Unidos. O presidente da Minerva acredita, inclusive, ser possível a elevação das cotas de embarque da proteína aos americanos com tarifa diferenciada.

“Existem já conversas do governo brasileiro sobre aumento/flexibilização do sistema de cotas dos EUA. Existe a possibilidade e um trabalho já em andamento”, afirmou.

Questionado sobre uma eventual influência das chuvas e enchentes no Rio Grande do Sul para as unidades da Minerva na região Sul do país, Queiroz disse que nenhuma das plantas foi afetada.

Balanço

Ticle afirmou que a companhia teria um lucro de R$ 80 milhões no primeiro trimestre, não fosse o impacto do câmbio sobre os resultados do período. Pressionada por esse efeito e pelas despesas, a empresa registrou um prejuízo de R$ 186,2 milhões no trimestre.

“A variação cambial teve um efeito de R$ 309 milhões, que impacta aumentando a dívida”, disse o executivo.

Recentemente, a empresa fez duas emissões de dívidas “para preparar o caixa no pagamento das aquisições”, comentou Ticle. A Minerva deverá pagar pela compra de 16 plantas da Marfrig, assim que a operação for aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

O negócio, anunciado em agosto do ano passado, foi fechado por R$ 7,5 bilhões dos quais R$ 6 milhões ainda precisam ser quitados, além de possíveis encargos do processo.

“Estamos totalmente focados na conclusão das próximas etapas de aprovação da compra de plantas, e nos preparando internamente para a integração”, acrescentou o diretor.

Fonte: Globo Rural.

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