Exportações de carne bovina cresceram em abril, mas fim da cota da China preocupa
20 de maio de 2026
Leilão de R$ 2,6 milhões mostra que a nova fronteira da carne é o marmoreio
20 de maio de 2026

Na China, ministro da Agricultura vai discutir cota de carne

Em sua primeira viagem internacional como ministro da Agricultura, André de Paula está na China, maior parceiro comercial do agro brasileiro, nesta semana. Ele terá reuniões em Pequim com autoridades sanitárias e do comércio chinês e tentará a flexibilização da cota de importação de carne bovina, para que o Brasil possa utilizar volumes não preenchidos por outros fornecedores, como Estados Unidos e Uruguai.

A pauta inclui ainda tratativas para a abertura de mercado para miúdos de suínos, item mais avançado na negociação com os chineses neste momento. O Brasil pleiteia também concessões para miúdos e carne bovina com osso e do cálculo biliar — as pedras de vesículas dos animais que têm alto valor agregado e são cobiçadas pela medicina tradicional local.

Também estão na mesa de negociação os reconhecimentos de todo o Brasil como zona livre de aftosa sem vacinação e de risco insignificante para o mal da vaca louca. O governo tenta ainda o aval chinês para a regionalização das medidas de embargo para a gripe aviária.

Ao Valor, em Xangai, onde participou da inauguração dos estandes da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) na Sial, o ministro disse que espera passar uma mensagem ao governo chinês de continuidade nas negociações. “Não estamos em um novo governo, essa é uma passagem que tem a marca da continuidade”.

O presidente da Abiec, Roberto Perosa, afirmou que a presença do ministro na China pode dar novo impulso às tratativas com Pequim. “A visita do ministro sempre é um momento diplomático que as autoridades chinesas esperam para fazer algum tipo de negociação avançar”, disse. Alguns itens da pauta já estão com questões técnicas resolvidas e dependem do aval diplomático e político, afirmou.

O Brasil deve apresentar uma lista de quase 40 frigoríficos para pleitear novas habilitações. São empresas de carnes bovina, suína e de aves que já cumprem os requisitos técnicos do protocolo sanitário com a China e aguardam aval para iniciar embarques.

O ministro acredita na possibilidade de novas habilitações ainda em 2026, apesar do cenário incerto e limitado por conta da cota para a carne bovina. Ele quer ampliar as habilitações para pequenos e médios frigoríficos e tentar o aval para a primeira planta do Nordeste, única região do país sem unidades autorizadas a comercializar carne bovina com os chineses.

“Eu entendo que esse critério de prestigiar regiões que têm uma participação ainda discreta, pequena, faz diferença. Tenho a expectativa de que a gente possa avançar nesse sentido, prestigiando não apenas os grandes, com um olhar diferenciado para essa questão da regionalidade”, afirmou. “Todas as vezes em que uma planta é habilitada, é quase como uma marca temporal. A história passa a ser contada como antes e depois da habilitação”, completou o ministro.

O Brasil tem 146 unidades habilitadas para exportação de carnes à China. Dessas, 67 são de carne bovina, 19 de carne suína e 59 de produtos avícolas, além de uma planta nordestina autorizada a exportar carne de cavalo, burro ou mula. Em 2024, os chineses habilitaram 38 frigoríficos brasileiros. A autorização mais recente, de novembro de 2025, foi para um entreposto de produtos avícolas da Aurora Alimentos em Santa Catarina.

A cota para importação de carne bovina brasileira é de 1,1 milhão de toneladas em 2026, e mais de 50% já havia sido preenchida com os volumes que chegaram ao país até março. Em 2025, o Brasil vendeu quase 1,7 milhão de toneladas da proteína aos chineses. O pedido é para que Pequim possa redirecionar volumes de outros países que não sejam utilizados, estimado em 500 mil toneladas.

Fonte: Globo Rural.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *