

Durante entrevista ao programa Agro é Massa, da Rádio Massa FM Campo Grande, o diretor executivo da Associação Pantaneira de Carne Orgânica (ABPO), Guilherme de Oliveira, explicou como funciona o sistema de produção sustentável no Pantanal e destacou que a região já desenvolvia esse modelo antes mesmo da criação dos protocolos de certificação.
Segundo ele, a associação surgiu em 2001 para comprovar tecnicamente práticas que já faziam parte da realidade dos pecuaristas pantaneiros. Em 2017, a entidade criou o protocolo Carne Sustentável ABPO, utilizado pelo Governo de Mato Grosso do Sul como referência para concessão de incentivos.
“A produção no Pantanal já é sustentável de natureza. O nosso papel é comprovar que realmente o produtor produz de forma sustentável no Pantanal.”
Oliveira explicou que a produção passou por uma transformação nos últimos anos com a adoção de tecnologias como a inseminação artificial em tempo fixo (IATF), reduzindo a idade de abate dos animais.
Antes, os bois permaneciam no Pantanal até cinco ou seis anos de idade. Hoje, mais da metade dos animais certificados possui entre zero e quatro dentes, o equivalente a aproximadamente 24 meses.
“Hoje já temos 54% dos animais do programa de zero a quatro dentes. Essa mudança aconteceu por conta da entrada da tecnificação dentro do Pantanal.”
Mesmo quando a terminação ocorre fora do bioma, em áreas do entorno ou em outras propriedades, o animal continua sendo considerado pantaneiro desde que tenha sido criado no Pantanal durante praticamente toda sua vida.
“A gente considera esse animal como pantaneiro porque desde a barriga da mãe ele foi produzido de forma sustentável dentro do Pantanal.”
O diretor explicou que o protocolo da ABPO analisa aspectos ambientais, sociais e econômicos das propriedades. Entre os critérios estão as condições de trabalho, o bem-estar animal, a estrutura da fazenda, a oferta de alimentação, o uso de arame liso para evitar ferimentos e a rastreabilidade individual dos bovinos.
“Sustentabilidade é formada por um tripé: o social, o ambiental e o econômico. O inspetor verifica desde a documentação dos colaboradores até a estrutura da fazenda e o controle individual dos animais.”
Associação quer fortalecer produtor de bezerro
A ABPO possui atualmente 150 propriedades cadastradas, das quais 141 já produzem dentro do protocolo de certificação. Isso representa cerca de 5% das propriedades do Pantanal e aproximadamente 8% da área do bioma.
Oliveira destacou que o principal desafio agora é incluir os criadores de bezerros na política de incentivo, já que o benefício estadual alcança principalmente quem realiza o abate dos animais.
“Hoje o produtor de bezerro ainda não tem um benefício direto. Por isso estamos trabalhando, junto com a Iagro, a Semadesc e a Embrapa, na criação de um protocolo específico para o bezerro sustentável do Pantanal.”
A atualização do protocolo entra em vigor em 15 de agosto. A partir dessa data, os produtores certificados poderão comprar apenas animais cadastrados pela associação.
“Quem compra esse bezerro cadastrado terá direito ao incentivo no final. Estamos criando um mercado para incentivar esse produtor a participar da cadeia.”
Segundo Oliveira, a carne orgânica produzida no Pantanal já abastece supermercados de Mato Grosso do Sul e também mercados de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba.
Já a carne sustentável ainda chega às gôndolas como carne convencional, mas a associação trabalha na criação de um selo próprio para identificar o produto.
“A carne sustentável entra hoje com um valor muito próximo da carne comum, mas já oferece uma garantia de origem. Estamos trabalhando em um selo para diferenciar esse produto no mercado.”
Fonte: RCN67.