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28 de agosto de 2026

Pecuaristas dos EUA se unem contra plano de Trump para importar 300 mil toneladas de carne

Quatro das principais organizações ligadas à pecuária dos Estados Unidos se uniram para pedir ao presidente Donald Trump que reverta imediatamente o plano de ampliar, durante 90 dias, as importações de carne bovina pelo país.

A carta conjunta foi assinada por representantes da Livestock Marketing Association (LMA), American Farm Bureau Federation (AFBF), National Cattlemen’s Beef Association (NCBA) e United States Cattlemen’s Association (USCA).

As entidades afirmam que a política pode prejudicar o mercado doméstico de gado, desestimular os esforços para reconstruir o rebanho bovino e comprometer a segurança alimentar dos Estados Unidos no longo prazo.

Plano prevê 300 mil toneladas em 90 dias

O plano do governo, anunciado em 21 de agosto de 2026, prevê a importação de até 300 mil toneladas métricas de aparas magras de carne bovina, o equivalente a aproximadamente 661 milhões de libras, durante um período de 90 dias.

O objetivo é aumentar a oferta e reduzir os preços da carne bovina para os consumidores norte-americanos.

Para viabilizar a medida, o governo pretende suspender a tarifa de 26,4% aplicada às importações que excedem as cotas existentes, permitindo a entrada de grandes volumes de carne sem essa tarifa. Segundo o texto, o produto deverá ser comercializado a preços 25% inferiores aos níveis atuais.

Para as entidades que representam os pecuaristas, porém, o momento da decisão é especialmente preocupante.

“O objetivo declarado de reduzir os preços da carne bovina e o compromisso de vendê-la a um preço abaixo da oferta doméstica enviam uma mensagem desanimadora aos agricultores e pecuaristas de todo o país”, afirmam as organizações na carta.

Segundo elas, o anúncio já provocou forte queda no mercado de gado e ocorre justamente em um período crítico, no qual produtores estão comercializando animais e tomando decisões sobre a reconstrução de seus rebanhos.

Rebanho de vacas de corte está no menor nível em mais de 70 anos

A reação das entidades ocorre em um momento de oferta limitada de bovinos nos Estados Unidos.

De acordo com o texto, depois de anos de secas severas em vários estados, custos recordes de alimentação e forragens e problemas nas cadeias de suprimentos, o rebanho de vacas de corte dos Estados Unidos caiu para o menor nível em mais de 70 anos.

As organizações argumentam que os preços atuais da carne bovina refletem esse conjunto de fatores e rejeitam a ideia de que sejam resultado de margens excessivas de frigoríficos ou produtores.

Na avaliação das entidades, os pecuaristas estavam começando a encontrar condições de demanda que justificariam novos investimentos nas propriedades e a reconstrução da oferta doméstica.

A preocupação é que a entrada de grandes volumes de carne sem tarifa reduza os incentivos para esses investimentos.

“Pecuaristas e produtores estão finalmente experimentando a forte demanda por carne bovina necessária para investir em suas operações”, afirma a carta. “Esse anúncio desestimulará o investimento no rebanho bovino dos Estados Unidos e desfará o progresso alcançado pelos produtores.”

As organizações dizem estar “profundamente preocupadas” com o risco de a estratégia sacrificar a segurança alimentar de longo prazo em busca de uma solução de curto prazo.

Entidades defendem solução de longo prazo

Embora afirmem compartilhar o objetivo do governo de manter os alimentos acessíveis às famílias norte-americanas, LMA, AFBF, NCBA e USCA discordam da estratégia adotada.

Para as organizações, aumentar a oferta por meio de grandes volumes de carne estrangeira com preços reduzidos seria uma solução de curto prazo.

A carta argumenta que manter preços acessíveis para os consumidores no longo prazo depende da viabilidade da própria cadeia produtiva doméstica. Na visão das entidades, se produtores norte-americanos forem prejudicados pela competição com importações sem tarifa e a preços artificialmente baixos, os Estados Unidos poderão se tornar mais dependentes do mercado internacional e mais expostos a futuras interrupções nas cadeias globais de abastecimento.

Pecuaristas querem participar das decisões

Em vez de implementar unilateralmente o plano de importações, as quatro entidades pedem que o governo se reúna com representantes do setor para desenvolver soluções estruturais que fortaleçam a capacidade de produção de carne bovina dos Estados Unidos.

“Os produtores de gado americanos estão pedindo um mercado justo e competitivo, sinais de preços honestos e políticas que coloquem agricultores, pecuaristas e consumidores dos Estados Unidos em primeiro lugar”, conclui a carta.

Para LMA, AFBF, NCBA e USCA, o caminho para conter os preços no longo prazo passa pelo fortalecimento da produção doméstica, e não por uma medida que, na avaliação das entidades, pode desestimular justamente os investimentos necessários para reconstruir um rebanho que está em seu menor nível em mais de sete décadas.

Fonte: Drovers, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

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