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14 de setembro de 2026

Por que a Argentina deve ganhar o espaço do Brasil no setor de carne da China

A Argentina pode ganhar espaço no mercado chinês de carne bovina nos próximos meses, em meio à limitação dos embarques de outros grandes fornecedores da China.

A avaliação é do Santander, que espera uma aceleração das exportações argentinas diante do preenchimento quase total das cotas de Brasil e Austrália destinadas ao país asiático, projeta os analistas Guilherme Palhares, Ulises Argote e Laura Hirata, em relatório divulgado nesta segunda-feira, 14.

“Esperamos que as exportações de carne bovina da Argentina para a China acelerem nos próximos meses para atender à demanda chinesa, já que as cotas de exportação de Brasil e Austrália para a China estão praticamente preenchidas”, afirmam os analistas.

Segundo o banco, a Argentina já havia utilizado cerca de 60% de sua cota de exportação para a China.

Em dezembro de 2025, a China fixou uma cota anual de 2,7 milhões de toneladas, abaixo das 3 milhões previstas anteriormente. Para o Brasil, o limite sem tarifa foi estabelecido em 1,1 milhão de toneladas, redução de cerca de 600 mil toneladas em relação ao volume exportado ao país no último ano.

A mudança impacta diretamente o fluxo do comércio brasileiro. Em 2025, o Brasil exportou 1,7 milhão de toneladas de carne bovina para a China, o equivalente a 48,3% das exportações totais do setor, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).

Com menos espaço disponível para novos embarques brasileiros e australianos, o Santander vê a Argentina como uma das potenciais beneficiadas pela reorganização dos fluxos de carne para o mercado chinês.

Os efeitos da cota chinesa já podem ser sentidos nos embarques brasileiros. Em agosto, as exportações brasileiras de carne bovina somaram 233,5 mil toneladas, queda de 22,2% em relação ao mesmo mês de 2025.

O desempenho do mês foi afetado principalmente pela forte queda nos embarques para a China, principal destino da carne brasileira. No período, o país asiático recebeu 18,9 mil toneladas da proteína brasileira, volume 88,2% menor do que no mesmo mês do ano anterior.

Os números apresentados pelo Santander mostram que a oportunidade no mercado chinês surge em um momento de expansão dos embarques argentinos. As exportações de carne bovina da Argentina acumulam alta de 8% na comparação anual.

Ao mesmo tempo, a oferta de animais dá sinais de maior restrição. No acumulado do ano, o número de animais abatidos recuou 10% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo os dados citados pelo Santander.

“Na Argentina, os spreads de exportação estão melhorando, impulsionados por preços de exportação mais altos, mas o ciclo do gado está ficando mais negativo”, dizem os analistas.

A combinação ajuda a explicar por que o banco identifica uma oportunidade de curto prazo para as vendas externas argentinas, mas também enxerga limites para uma expansão mais forte da oferta.

O Santander chama atenção ainda para a redução da participação de fêmeas no abate. Na avaliação dos analistas, o movimento sugere que os produtores começaram a preservar animais para recompor o rebanho.

“A porcentagem de fêmeas está caindo, o que sugere que os pecuaristas estão sendo incentivados a começar a recompor o rebanho”, afirma o Santander.

Além da Argentina, os analistas do banco avaliam que o Uruguai também pode se beneficiar da menor disponibilidade de Brasil e Austrália no mercado chinês. A capacidade uruguaia de ampliar significativamente os embarques, contudo, é mais limitada.

“Embora o Uruguai também possa se beneficiar, o ciclo mais negativo do gado no país pode limitar um crescimento relevante dos volumes”, dizem.

Exportação de carne

Entre as empresas brasileiras analisadas, a Minerva aparece como uma das mais diretamente expostas à mudança no fluxo do comércio de carne bovina. O Santander manteve recomendação neutra para as ações da companhia e preço-alvo de R$ 4,50.

A cautela do banco está relacionada ao cenário de curto prazo para a carne bovina brasileira, especialmente à cota praticamente preenchida para a China e à perspectiva de deterioração do ciclo do gado no país.

O Santander identifica, porém, fatores que podem aliviar parte da pressão no segundo semestre. Entre eles estão uma eventual aceleração das exportações para outros mercados e a redução dos estoques acumulados pela companhia.

Segundo os analistas, a Minerva operou com estoques mais elevados no primeiro semestre. A administração da companhia indicou que pretende reduzir parte desse volume ao longo da segunda metade do ano.

Fonte: Exame.

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