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15 de julho de 2026

Por que o pior ciclo da carne da história vai mexer com os frigoríficos nos EUA

Primeiro foi o Santander e agora é a vez do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME) manter uma visão cautelosa para o setor de proteínas nos Estados Unidos em razão da crise da pecuária no país — a pior dos últimos anos, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

O banco reiterou recomendação de venda para a Tyson, com preço-alvo de US$ 56, e manteve classificação neutra para a Pilgrim’s Pride, com preço-alvo de US$ 36, ao avaliar que os ciclos de carne bovina e de frango ainda devem pressionar os resultados das companhias nos próximos trimestres.

Segundo o relatório assinado pelos analistas Guilherme Guttilla e Thiago Duarte, a carne bovina atravessa um dos momentos mais difíceis das últimas décadas nos Estados Unidos, enquanto o ciclo do frango ainda não atingiu seu piso, apesar da queda recente das margens.

“A carne bovina continua sendo um dos ciclos mais difíceis da história recente dos Estados Unidos”, escrevem os analistas.

Embora a Tyson tenha apresentado maior resiliência no negócio de frango do que o esperado inicialmente, o BTG afirma que o principal fator de preocupação continua sendo a divisão de carne bovina.

A análise ocorre em um momento em que os frigoríficos americanos enfrentam um dos períodos mais difíceis do ciclo pecuário nos EUA, com aumento de custos e margens apertadas.

Desde 2019, o número de cabeças de gado de corte caiu 13%, para 27,9 milhões. Já o rebanho bovino total dos Estados Unidos atingiu o menor nível desde 1952, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

A seca prolongada no oeste americano agravou o cenário ao elevar os custos com ração e reduzir áreas de pastagem, levando produtores a liquidar parte dos rebanhos para preservar o caixa.

Em 2025, a produção americana de carne bovina recuou 4% em relação ao ano anterior, para 11,8 milhões de toneladas. Com isso, os Estados Unidos perderam para o Brasil a liderança global na produção da proteína.

Nesse contexto, os preços da carne bovina nos EUA vêm acumulando sucessivos recordes. Desde 2020, a valorização chega a 75%, segundo dados do Federal Reserve de St. Louis.

Segundo o USDA, os preços da proteína estão 16% acima dos níveis registrados há um ano, tornando a carne bovina um dos principais símbolos da inflação persistente no país, especialmente na temporada de churrascos de verão por lá.

O banco lembra que havia expectativa de melhora nas margens após a empresa anunciar o fechamento de parte de sua capacidade de processamento. No entanto, a recuperação não aconteceu.

“Não vimos nenhuma melhora significativa até agora. Os volumes caíram mais do que o restante da indústria e as margens também foram pressionadas”, afirmam os analistas.

Segundo eles, o comportamento do mercado surpreendeu porque nem mesmo a temporada de churrasco nos Estados Unidos — tradicionalmente responsável por melhorar os spreads da carne bovina — conseguiu impulsionar a rentabilidade do setor. “Esse ciclo está longe de ser normal”, dizem.

Na avaliação do BTG, para atingir o piso do guidance divulgado ao mercado, a Tyson precisaria registrar uma melhora expressiva na rentabilidade da divisão bovina ao longo do segundo semestre fiscal, cenário considerado improvável pelo banco.

“Assumir uma melhora tão acentuada na rentabilidade parece uma aposta difícil — e não uma aposta que estamos dispostos a fazer”, afirmam os analistas.

Por isso, o BTG projeta um EBIT ajustado negativo de US$ 635 milhões para a divisão de carne bovina em 2026 e acredita que a companhia poderá revisar suas projeções nos próximos resultados.

Fonte: Exame.

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