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Preço do boi gordo segue estável, mas mercado passa por momento de transição

O mercado físico do boi gordo atravessa um momento de transição, com estabilidade nos preços e cautela no curto prazo. Segundo a consultoria Agrifatto, o movimento vem de forças opostas atuando sobre a arroba.

Fundamentos como exportações aquecidas e oferta restrita de animais terminados, dão sustentação aos valores. Por outro lado, fatores de pressão, como o provável esgotamento da cota de importação da China na virada do semestre e o recuo das cotações futuras na B3, exigem maior atenção dos agentes da cadeia. “O viés de curto prazo tende a ser mais lateral, com oscilações pontuais conforme o fluxo de oferta e demanda”, destaca a Agrifatto.

Nesta quarta-feira (22/4), das 33 regiões monitoradas pela Scot Consultoria, 24 não tiveram alterações no preço do boi gordo em relação à segunda-feira (20/4). Foram registradas altas em Pelotas (RS), oeste do Maranhão, Paragominas (PA), Acre e Roraima. Por outro lado, houve quedas em Belo Horizonte (MG), Triângulo Mineiro, Dourados (MS) e sudeste de Rondônia.

Nas praças de Araçatuba (SP) e Barretos (SP), referências para o mercado, a cotação não mudou em nenhuma categoria na comparação com o dia 20 de abril. O preço do boi gordo seguiu em R$ 365 a arroba para o pagamento a prazo.

No Estado de São Paulo, segundo a Scot, parte dos frigoríficos sinalizou aumento pontual da oferta e já conseguiu alongar as escalas em razão do menor número de dias de abate na semana, por causa do feriado de Tiradentes. Com isso, já houve tentativas de compra da arroba do boi gordo a preços menores.

Ainda assim, a oferta seguiu restrita, sobretudo para frigoríficos menores, que não tinham contratos de compra e atuavam no mercado físico, o que contribuiu para a sustentação dos preços. Parte dos compradores ainda se organizava para definir os preços de compra da semana e não havia retomado as negociações.

“O mercado físico do boi gordo retoma as negociações após o feriado com preços em predominante acomodação, alguns frigoríficos permanecem ausentes da compra de gado, avaliando as melhores estratégias a serem adotadas na compra de gado nos próximos dias”, destaca o analista Fernando Iglesias, da consultoria Safras & Mercado.

Embora a posição das escalas de abate tenha apresentado algum avanço, a situação está longe de ser confortável, afirma Iglesias. “O aumento da desova de animais terminados durante o mês de maio é elemento importante a ser considerado, com expectativa de tentativas de compra em níveis mais baixos. A progressão da cota chinesa é outro fator relevante a ser considerado”, destaca o analista.

Mercado interno

Iglesias aponta que o mercado atacadista ainda se deparou com preços em predominante acomodação no decorrer da quarta-feira. “O ambiente é menos propenso para altas consistentes, considerando a reposição mais lenta entre atacado e varejo durante a segunda quinzena do mês”, explica.

Um limitador para altas mais consistentes é a menor competitividade da carne bovina se comparado as proteínas concorrentes, em especial se comparado a carne de frango. “O baixo poder de compra das famílias direciona o consumo para proteínas mais acessíveis”, completa o analista da Safras & Mercado.

Exportações

Os embarques de carne bovina em abril seguem em ritmo forte, com média diária de 12,779 mil toneladas enviadas ao exterior, segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Ao todo, na parcial de abril, já foram embarcadas 153,353 mil toneladas.

O preço médio pago por tonelada continua em patamar elevado, na casa de US$ 6.143,40. Em abril do ano passado, o valor foi de US$ 5.030,30 a tonelada, uma diferença de 22,13%.

Fonte: Globo Rural.

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