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23 de julho de 2026

Produção de carne bovina na União Europeia deve cair novamente em 2026, enquanto importações ganham força

A produção de carne bovina da União Europeia deve continuar em trajetória de queda em 2026. Segundo o mais recente Short-Term Outlook da Comissão Europeia, o bloco deve produzir 2,2% menos carne bovina neste ano, dando sequência ao recuo de 4,1% registrado em 2025. A tendência deve continuar também em 2027, refletindo um processo estrutural de redução do rebanho de vacas no continente.

Nos primeiros dois meses de 2026, os abates já apresentavam sinais desse movimento. A produção caiu cerca de 4% em relação ao mesmo período do ano anterior, impulsionada principalmente pela redução de 6,2% no número de animais abatidos. Parte dessa queda foi compensada pelo aumento do peso médio das carcaças, mas não o suficiente para impedir a retração da oferta de carne.

A Comissão Europeia destaca que o principal fator por trás desse cenário é a diminuição contínua do rebanho de matrizes. Trata-se de uma mudança estrutural, e não de uma oscilação conjuntural, indicando que a disponibilidade de bovinos para abate continuará limitada nos próximos anos.

Preços permanecem elevados mesmo com leve recuo

Os preços da carne bovina recuaram no início de 2026 em relação aos níveis recordes observados anteriormente. Ainda assim, a Comissão Europeia avalia que eles deverão permanecer elevados ao longo do ano devido à restrição de oferta.

Esse ambiente de preços altos pode alterar o comportamento dos consumidores, levando parte deles a substituir a carne bovina por proteínas de menor custo. Apesar disso, a limitação da produção deve continuar sustentando as cotações no mercado europeu.

Exportações devem cair

A menor disponibilidade de carne também deve reduzir a presença da União Europeia no mercado internacional.

As exportações de carne bovina têm previsão de queda de 12% em 2026. Já as exportações de animais vivos podem recuar 18%, refletindo tanto a menor oferta quanto as dificuldades no comércio com mercados importantes.

No caso da carne bovina, a Comissão destaca que os embarques para o Reino Unido tendem a diminuir, uma vez que o mercado britânico deve aumentar suas compras de carne australiana.

Já as exportações de bovinos vivos, que já haviam caído 37% em 2025 devido à redução das vendas para a Turquia, devem registrar nova retração em 2026. Além da menor disponibilidade de animais, o relatório cita a redução das exportações para o Oriente Médio, influenciada pelas tensões geopolíticas na região.

Importações devem aumentar com Mercosul

Enquanto a produção interna diminui, a União Europeia deverá ampliar as importações de carne bovina.

A expectativa da Comissão Europeia é de um crescimento de 12% nas importações em 2026, impulsionado principalmente pelo aumento dos embarques provenientes da América do Sul após a entrada em vigor do acordo entre a União Europeia e o Mercosul.

O relatório, no entanto, ressalta que esse cenário poderá ser alterado caso a União Europeia suspenda as importações brasileiras a partir de setembro em razão de alegado descumprimento das regras europeias relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal. Nesse caso, tanto as importações de carne bovina quanto de carne de frango poderão ficar abaixo do inicialmente projetado.

Oferta restrita continuará moldando o mercado

Na avaliação da Comissão Europeia, o mercado europeu de carne bovina deverá permanecer marcado por uma combinação de oferta reduzida, preços elevados e aumento das importações. A redução estrutural do rebanho de vacas limita a capacidade de recuperação da produção, enquanto a demanda continua sendo atendida, em parte, por fornecedores externos.

Esse cenário reforça a expectativa de que a União Europeia siga reduzindo sua participação como exportadora líquida de carne bovina e aumente sua dependência das importações para equilibrar o abastecimento do mercado interno.

Fonte: Comissão Europeia, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

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