

Entidades que representam pecuaristas do México estão intensificando os esforços para que os Estados Unidos retomem as importações de bovinos vivos mexicanos, suspensas desde maio de 2025 devido à emergência sanitária provocada pela bicheira-do-Novo Mundo (New World screwworm).
A proposta não prevê uma abertura irrestrita da fronteira. Os produtores mexicanos defendem que as autoridades norte-americanas retomem o diálogo técnico com o México e estabeleçam um caminho claro, baseado em critérios científicos, para uma reabertura gradual, regionalizada e segura das importações de animais vivos provenientes de regiões consideradas aptas.
À frente da iniciativa está Alvaro Bustillos, presidente dos produtores de gado de Chihuahua e representante da comissão de exportação da Confederación Nacional de Organizaciones Ganaderas (CNOG).
Segundo Bustillos, os setores de bovinos e carne bovina do México e dos Estados Unidos estão chegando a um ponto crítico. Para ele, é possível retomar o comércio por meio de uma abordagem baseada em ciência, gestão de riscos e regionalização, sem comprometer a saúde animal nem a integridade de uma cadeia produtiva altamente integrada.
Com sede na Cidade do México, a CNOG representa aproximadamente 500 mil pecuaristas, distribuídos por 44 associações regionais, e atua para melhorar a produtividade, as condições sanitárias e a competitividade global da pecuária mexicana.
Em uma carta enviada à National Cattlemen’s Beef Association (NCBA), à Texas Cattle Feeders Association e a outras organizações de pecuaristas e confinadores dos Estados Unidos, a entidade mexicana destacou que, durante décadas, produtores de bovinos do México e confinadores norte-americanos trabalharam como parceiros essenciais.
“Essa relação tem sustentado os confinamentos, os frigoríficos, as comunidades rurais e os consumidores dos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que fortalece a competitividade da indústria de carne bovina da América do Norte”, afirmou Bustillos. “A suspensão prolongada do comércio está provocando impactos significativos em toda a cadeia de valor nos dois lados da fronteira.”
De acordo com estimativas da CNOG, desde o início da suspensão, em maio de 2025, aproximadamente 1,7 milhão de bovinos que normalmente seriam comercializados nos Estados Unidos deixaram de entrar no mercado norte-americano.
Segundo a entidade, a situação aumentou a pressão sobre os produtores mexicanos e, ao mesmo tempo, reduziu a flexibilidade da oferta, a disponibilidade de animais de reposição e a eficiência operacional dos confinamentos e de outros segmentos da cadeia da carne bovina dos Estados Unidos.
A carta destaca que a relação entre os dois países vai além de uma simples operação comercial.
“Não se trata simplesmente de duas indústrias comercializando entre si; trata-se de uma única cadeia de suprimentos integrada operando através de uma fronteira.”
Durante décadas, pecuaristas mexicanos e confinadores localizados em estados como Texas, Oklahoma, Novo México, Nebraska, Kansas, Colorado, Arizona e Califórnia fizeram parte de um sistema produtivo integrado e complementar.
Segundo as entidades mexicanas, os bovinos provenientes do México contribuíram de forma consistente para a utilização da capacidade dos confinamentos norte-americanos, a geração de empregos nas áreas rurais, a atividade da indústria frigorífica e a manutenção de uma oferta estável e competitiva de carne bovina para os consumidores dos dois países.
A CNOG e suas associações afiliadas afirmam reconhecer a gravidade da ameaça representada pela bicheira-do-Novo Mundo e apoiar medidas sanitárias rigorosas.
Ao mesmo tempo, as entidades argumentam que a proteção da saúde animal e o comércio podem avançar conjuntamente por meio de uma reabertura gradual, regionalizada e baseada em risco, acompanhada de medidas adicionais de segurança sanitária.
Para isso, defendem a retomada do diálogo técnico entre o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o Animal and Plant Health Inspection Service (APHIS) e o Servicio Nacional de Sanidad, Inocuidad y Calidad Agroalimentaria (SENASICA), do México.
A proposta é que a retomada do comércio de bovinos vivos comece pelas regiões mexicanas consideradas elegíveis pelo USDA e pelo APHIS, com base em critérios de risco claramente definidos e em coordenação técnica com o SENASICA.
Essas operações seriam realizadas sob protocolos reforçados de vigilância, tratamento, inspeção, rastreabilidade e controle nos pontos de entrada nos Estados Unidos.
“Não estamos buscando uma reabertura incondicional da fronteira nem o relaxamento de qualquer medida de saúde animal”, afirmam as entidades na carta.
Segundo o documento, a evolução da situação epidemiológica na América do Norte mostra que a bicheira-do-Novo Mundo representa um desafio regional, que exige ações coordenadas e decisões baseadas em evidências científicas.
Os produtores mexicanos consideram fundamental o apoio das organizações que representam confinadores e pecuaristas dos Estados Unidos.
A CNOG pede que essas entidades entrem em contato diretamente com a secretária de Agricultura dos Estados Unidos, Brooke L. Rollins, e com as lideranças do USDA e do APHIS para defender a retomada das discussões técnicas com o México.
Também solicita apoio para a criação de um caminho que permita a reabertura gradual das importações de bovinos vivos provenientes de regiões mexicanas elegíveis, com medidas reforçadas de proteção sanitária.
Além disso, as entidades defendem que as decisões sejam tomadas com base em ciência, avaliação de risco e princípios de gestão regional de doenças.
A mensagem central é que proteger a saúde animal e manter uma cadeia confiável de abastecimento de bovinos na América do Norte não são objetivos incompatíveis.
“Este é um momento em que a liderança e a colaboração da indústria são essenciais”, afirmou Bustillos. “Os setores de bovinos do México e dos Estados Unidos construíram uma parceria ao longo de gerações e, juntos, podemos garantir que esse desafio seja enfrentado com as salvaguardas necessárias, evitando ao mesmo tempo novos impactos para produtores, confinadores e comunidades rurais.”
A carta é assinada pela Confederación Nacional de Organizaciones Ganaderas e pelas associações regionais de produtores de Chihuahua, Sonora, Durango, Coahuila e Tamaulipas, estados que estão entre os principais exportadores mexicanos de bovinos vivos.
As entidades defendem cinco pontos principais: o reconhecimento da importância econômica da cadeia integrada de bovinos e carne bovina entre Estados Unidos e México; a contribuição dos animais mexicanos para os confinamentos e demais segmentos da cadeia norte-americana; decisões sanitárias fundamentadas em ciência e avaliação de risco; a possibilidade de uma reabertura gradual e regionalizada com medidas adicionais de segurança; e a criação de um roteiro técnico claro para a retomada do comércio.
Para as organizações mexicanas, o atual desafio deve ser enfrentado por meio da cooperação entre os dois países, em vez da manutenção prolongada das restrições comerciais.
“As indústrias de bovinos do México e dos Estados Unidos construíram, ao longo de muitas décadas, uma parceria altamente complementar, integrada e produtiva. Acreditamos que o desafio atual deve ser enfrentado por meio da cooperação, e não de uma interrupção prolongada, e por meio de salvaguardas mais fortes, em vez da suspensão indefinida de uma relação comercial que beneficia produtores, confinadores e comunidades rurais dos dois lados da fronteira.”
Fonte: BEEF Magazine, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.