
A aproximação do limite da cota anual de importação de carne bovina australiana pela Coreia do Sul está criando uma oportunidade para os exportadores norte-americanos ampliarem sua participação no mercado de carne bovina resfriada. Segundo a Federação de Exportação de Carne dos Estados Unidos (USMEF), varejistas e redes de restaurantes sul-coreanos já começaram a aumentar os pedidos de carne resfriada dos Estados Unidos em antecipação à mudança tarifária.
O gatilho foi acionado pelo rápido avanço das importações de carne australiana ao longo de 2026. Até o fim de junho, cerca de 93% da cota anual de 196 mil toneladas já havia sido utilizada. Quando esse volume for atingido — o que deve ocorrer em meados de julho — a tarifa aplicada à carne bovina australiana passará de 5,3% para 24% até o final do ano.
Segundo Jihae Yang, vice-presidente da USMEF para a região Ásia-Pacífico, não é incomum que a Austrália atinja esse limite anual, mas normalmente isso acontece muito mais perto do final do ano.
Em 2026, no entanto, importadores sul-coreanos anteciparam as compras de carne australiana congelada para formar estoques antes do aumento da tarifa. Como resultado, aproximadamente 90% das cerca de 125 mil toneladas importadas da Austrália até maio foram de carne congelada. Esse movimento reduziu a disponibilidade de carne bovina resfriada australiana no mercado e abriu espaço para fornecedores norte-americanos.
“A carne australiana se tornou mais competitiva em preço devido à oferta restrita de carne bovina nos Estados Unidos, e os importadores decidiram antecipar as compras de carne magra congelada prevendo um acionamento mais cedo do mecanismo de salvaguarda”, explicou Yang.
Segundo ela, o mercado sul-coreano terá um desafio maior este ano porque precisará atender praticamente seis meses de demanda por carne bovina resfriada após o aumento da tarifa sobre a carne australiana, um período bem mais longo do que em anos anteriores.
Na avaliação da USMEF, o maior impacto da mudança tarifária deverá ocorrer justamente sobre os cortes resfriados australianos, especialmente a carne Wagyu e a carne de animais terminados em confinamento.
Com isso, a carne bovina resfriada dos Estados Unidos tende a ganhar espaço principalmente nas grandes redes varejistas.
Yang afirmou que supermercados e plataformas de comércio eletrônico da Coreia do Sul já começaram a garantir volumes de carne resfriada norte-americana para realizar campanhas promocionais assim que a salvaguarda sobre a carne australiana entrar em vigor.
Outro ponto destacado pela USMEF é a crescente demanda dos consumidores sul-coreanos por cortes classificados como Prime.
No entanto, diferentemente do mercado norte-americano, a preferência na Coreia do Sul está concentrada em cortes utilizados no tradicional churrasco coreano, como chuck eye roll, top blade, rib finger e boneless short ribs, e não necessariamente nos cortes mais valorizados pelos consumidores dos Estados Unidos.
Desde janeiro de 2026, a carne bovina dos Estados Unidos passou a entrar na Coreia do Sul com tarifa de importação zero, resultado da implementação gradual do acordo de livre comércio entre os dois países.
Embora a carne norte-americana ainda esteja sujeita a um mecanismo anual de salvaguarda, o limite é significativamente maior, de 354 mil toneladas. Além disso, essa restrição deixará de existir a partir de 2027.
A combinação entre tarifa zero para a carne dos Estados Unidos e o aumento temporário da tarifa sobre a carne australiana cria um cenário favorável para que os exportadores norte-americanos ampliem sua participação em um dos principais mercados importadores de carne bovina da Ásia.
Fonte: BEEF Magazine, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.