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“Vaca louca” não beneficia a produção argentina

A retirada dos Estados Unidos do mercado mundial de carnes, após o aparecimento do primeiro caso de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), conhecida como doença da “vaca louca”, no país, abriu uma gama de oportunidade para os produtores de carne bovina, menos para a Argentina, que perdeu seu status sanitário de livre de febre aftosa sem vacinação em 2001.

O abalo gerado nos mercados pela descoberta de uma vaca Holandesa infectada em Washington é difícil de ser mensurado, mas a lacuna criada deverá ser aproveitada pela Austrália, pela Nova Zelândia e, em menor proporção, pelo Uruguai e pelo Brasil. No entanto, a indústria frigorífica argentina continuará restrita à demanda dos países de menor valor, que aceitam comprar carnes de nações que vacinam o gado contra a febre aftosa.

Devido a esta doença, que não afeta o homem, diferentemente da EEB, a Argentina ainda não pode vender carne ao Japão, Coréia do Sul e México, mercados que eram abastecidos em grande parte pelos Estados Unidos.

O Instituto de Promoção de Carne Bovina (IPCV) da Argentina disse em um informe que o fechamento de 30 mercados à carne norte-americana não pode ser coberto pela produção local e que, por isso, não teria efeitos benéficos ao país.

“A queda nas importações norte-americanas não poderá afetar nossas exportações porque haverá um excesso de oferta proveniente da Austrália e da Nova Zelândia que deixariam de colocar seus produtos neste mercado”, disse o IPVC, que disse também que o remanescente, aproximadamente 600 mil toneladas anuais, poderia ser colocado nos mesmos nichos da Argentina.”Será gerada uma forte competição mundial e provavelmente uma queda nos preços internacionais da carne com o conseqüente efeito negativo para o comércio global”.

Cenário hipotético

No caso hipotético de a Argentina ter se conservado com o status de livre de febre aftosa sem vacinação (1999-2001), o cenário seria muito diferente. A lacuna deixada pelos EUA representa cerca de US$ 3,5 bilhões, ou seja, mais de cinco vezes as exportações totais de carne da Argentina.

O Japão era o principal destino das exportações norte-americanas, com US$ 1,6 bilhão ou cerca de 49% do valor total das vendas dos EUA. Também no mercado asiático, a Coréia do Sul comprou 238 mil toneladas dos EUA, por US$ 648 milhões, enquanto, na América, o México era o segundo destino das exportações dos EUA, com 349 mil toneladas, no valor de US$ 854 milhões.

Agora, Austrália e Nova Zelândia se preparam para ocupar este lugar. O mercado financeiro reagiu a isso e as ações das empresas exportadoras de carnes destes países subiram notavelmente.

Fonte: La Nación (por Franco Varise), adaptado por Equipe BeefPoint

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