
As exportações de carne bovina dos Estados Unidos cresceram 6% em valor em julho na comparação com o mesmo mês do ano anterior, enquanto o volume permaneceu praticamente estável, segundo dados divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e compilados pela Federação de Exportação de Carnes dos Estados Unidos (USMEF).
As exportações somaram 89.139 toneladas em julho, volume semelhante ao registrado no mesmo mês do ano passado, enquanto a receita aumentou 6%, chegando a US$ 796,7 milhões.
O crescimento em valor foi impulsionado principalmente por mais um mês de forte desempenho de Taiwan, além de bons resultados no México, Japão, Oriente Médio, Colômbia, Caribe e países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).
Os embarques para a China apresentaram uma pequena recuperação em relação aos baixos volumes registrados no ano passado, mas permaneceram muito abaixo dos níveis observados em anos anteriores.
No acumulado de janeiro a julho, as exportações de carne bovina ficaram 8% abaixo do ritmo registrado no mesmo período do ano passado, totalizando 634.788 toneladas. Em valor, houve queda de 2%, para US$ 5,53 bilhões.
Quando a China é excluída dos resultados, porém, o cenário muda: o valor das exportações cresceu 6%, enquanto o volume ficou apenas 1% abaixo do registrado no ano anterior.
“Apesar dos desafios significativos, a demanda global pela carne bovina dos Estados Unidos continua impressionantemente resiliente”, afirmou Dan Halstrom, presidente e CEO da USMEF.
Segundo ele, barreiras técnicas e incertezas continuam afetando fortemente as exportações para a China, mas há expectativa de que o acesso ao mercado seja restabelecido em breve. Enquanto isso, a carne bovina dos Estados Unidos vem aproveitando oportunidades de crescimento nos mercados da Ásia, do Hemisfério Ocidental e do Oriente Médio.
As exportações de carne bovina para Taiwan chegaram a 5.293 toneladas em julho, alta de 14% em relação ao mesmo período do ano passado. Em valor, o crescimento foi ainda maior, de 38%, alcançando US$ 70,6 milhões. Foi o segundo mês consecutivo em que as vendas para Taiwan superaram US$ 70 milhões.
Entre janeiro e julho, as exportações para Taiwan ficaram 11% acima do mesmo período do ano anterior, com 36.147 toneladas. A receita chegou a US$ 429,2 milhões, crescimento de 15%.
Para o México, as exportações de carne bovina somaram 18.947 toneladas em julho, aumento de 19% em relação ao ano anterior e o maior volume desde março. Em valor, houve crescimento de 8%, para US$ 119,3 milhões.
No acumulado até julho, os embarques para o México cresceram 2% em volume, alcançando 124.418 toneladas, e 3% em valor, para US$ 781,8 milhões.
O México é o principal destino, em volume, dos miúdos e demais subprodutos bovinos exportados pelos Estados Unidos. Dados do USDA apontam forte crescimento desses embarques em relação ao ano passado, mas a USMEF prevê uma correção nos dados deste ano que provavelmente realocará parte desses volumes para a categoria de cortes de carne bovina.
Os ajustes também podem afetar a composição dos produtos reportados nas exportações para Japão, Coreia do Sul e Taiwan. Até que as revisões sejam realizadas, a USMEF recomenda considerar conjuntamente os dados de carne bovina e miúdos e demais subprodutos.
No Japão, as exportações de carne bovina recuaram 4% em volume em julho, para 20.104 toneladas, mas cresceram 9% em valor, alcançando US$ 170,8 milhões.
De janeiro a julho, os embarques para o Japão ficaram 7% abaixo do mesmo período do ano anterior, com 134.580 toneladas. Em valor, a queda foi de apenas 1%, para US$ 1,07 bilhão.
Impulsionadas pela recuperação da demanda nos Emirados Árabes Unidos e no Kuwait, as exportações de carne bovina para o Oriente Médio totalizaram 3.549 toneladas em julho, alta de 3% na comparação anual. Em valor, o crescimento chegou a 51%, para US$ 22,1 milhões.
As exportações de julho para a Arábia Saudita permaneceram estáveis em relação ao ano anterior, mas os embarques para o país dobraram nos últimos quatro meses, chegando a 575 toneladas, depois que a Arábia Saudita concordou em retirar um programa de verificação de exportações que limitava o acesso ao mercado.
No acumulado de janeiro a julho, em parte devido aos desafios relacionados aos conflitos militares na região, as exportações para o Oriente Médio recuaram 13%, para 25.698 toneladas. A receita caiu 6%, para US$ 130,2 milhões.
Na Colômbia, as exportações chegaram a 450 toneladas em julho, crescimento de 76% em relação ao ano anterior, enquanto o valor mais do que dobrou, com alta de 112%, para US$ 4,3 milhões.
De janeiro a julho, os embarques para a Colômbia cresceram 39% em volume, chegando a 2.968 toneladas, e 91% em valor, para US$ 34,9 milhões.
As exportações para o Peru também avançaram, atingindo 4.404 toneladas no acumulado do período, alta de 40%, com receita de US$ 27,8 milhões, crescimento de 38%.
Com isso, as exportações de carne bovina dos Estados Unidos para a América do Sul cresceram 8% entre janeiro e julho, totalizando 12.237 toneladas, enquanto a receita avançou 27%, para US$ 105,9 milhões.
Impulsionadas pelo crescimento na República Dominicana, Bahamas e Antilhas Holandesas, as exportações de carne bovina para o Caribe chegaram a 2.773 toneladas em julho, alta de 13% em relação ao ano anterior. Em valor, cresceram 33%, para US$ 32,4 milhões.
No acumulado de janeiro a julho, as exportações para a região cresceram 9% em volume, para 20.253 toneladas, e 26% em valor, alcançando US$ 231,7 milhões.
Com a recuperação das exportações para a Indonésia em relação aos baixos níveis registrados no ano passado, os embarques para os países da ASEAN somaram US$ 25,1 milhões em julho, crescimento de 14% em valor, apesar de uma queda de 15% no volume.
Entre janeiro e julho, as exportações para a região cresceram 22% em volume, para 20.203 toneladas, e 41% em valor, atingindo US$ 183,6 milhões. Além da recuperação na Indonésia, as vendas para o Vietnã também apresentaram forte crescimento.
A Coreia do Sul permaneceu como o principal destino da carne bovina dos Estados Unidos em valor, mas as exportações desaceleraram em julho.
Os embarques recuaram 21% em relação ao mesmo mês do ano anterior, para 15.754 toneladas, enquanto a receita caiu 11%, para US$ 165 milhões.
No acumulado até julho, as exportações para a Coreia do Sul diminuíram 11%, para 129.897 toneladas, enquanto o valor caiu 6%, para US$ 1,31 bilhão.
O banco central sul-coreano adotou recentemente medidas destinadas a conter a inflação e fortalecer o won, moeda que havia atingido mínimas históricas em relação ao dólar dos Estados Unidos. Segundo o material, isso deverá recuperar parte do poder de compra dos importadores sul-coreanos nos próximos meses.
A carne bovina australiana também passou a enfrentar uma tarifa mais elevada na Coreia do Sul até o fim deste ano, após superar, no final de julho, o limite estabelecido no acordo de livre comércio entre Coreia do Sul e Austrália. A carne bovina dos Estados Unidos tem acesso ao mercado sul-coreano com tarifa zero.
Na China, as exportações aumentaram em relação aos baixos níveis registrados no ano passado, mas ainda somaram apenas 2.532 toneladas em julho, no valor de US$ 21 milhões.
Embora a China tenha renovado, em maio, os registros de frigoríficos e instalações de armazenamento refrigerado dos Estados Unidos, muitas unidades continuam suspensas e a maioria dos exportadores permanece relutante em enviar produtos ao país enquanto não houver maior clareza sobre testes de resíduos e outros possíveis obstáculos.
O valor das exportações de carne bovina correspondeu a US$ 421,07 por animal terminado abatido em julho, crescimento de 14% em relação ao mesmo período do ano passado.
No acumulado de janeiro a julho, a média foi de US$ 430,25 por animal, alta de 7%.
As exportações representaram 12,5% da produção total de carne bovina dos Estados Unidos em julho, acima dos 11,9% registrados no mesmo mês do ano anterior.
No acumulado dos primeiros sete meses do ano, as exportações corresponderam a 12,9% da produção total, ligeiramente abaixo dos 13,3% registrados no mesmo período do ano passado.
Fonte: USMEF, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.