
As exportações de carne bovina dos Estados Unidos apresentaram um comportamento misto em maio de 2026. Embora o volume embarcado tenha recuado em relação ao mesmo período do ano passado, a receita obtida com as vendas externas aumentou, impulsionada pelo maior valor agregado dos produtos e pelo bom desempenho em diversos mercados estratégicos. Os dados foram divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos e compilados pela Federação de Exportação de Carne dos Estados Unidos.
Em maio, os Estados Unidos exportaram 91.925 toneladas de carne bovina, volume 5% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025. Apesar disso, o valor das exportações cresceu 2%, alcançando US$ 818,1 milhões.
Segundo a entidade, o resultado foi sustentado principalmente pelo aumento do valor das exportações para mercados como Taiwan, Japão, países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), América Central, América do Sul e Egito.
Outro destaque foi o desempenho da receita obtida por animal terminado abatido.
Em maio, o valor das exportações correspondeu a US$ 468 por cabeça, alta de 15% em relação ao mesmo mês do ano anterior e o maior patamar registrado desde julho de 2022.
No acumulado de janeiro a maio, a média foi de US$ 435,38 por cabeça, também 5% superior ao mesmo período de 2025.
Apesar de a China ter renovado, em meados de maio, os registros vencidos de frigoríficos norte-americanos, os embarques para o país permaneceram muito reduzidos.
Segundo a Federação de Exportação de Carne dos Estados Unidos, diversas plantas continuam suspensas e outros exportadores seguem evitando embarques devido à permanência de barreiras técnicas ainda não solucionadas.
Como resultado, as exportações para a China totalizaram apenas 471 toneladas em maio, movimentando US$ 2,7 milhões.
No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, as exportações totais de carne bovina dos Estados Unidos somaram 457.063 toneladas, queda de 10% em relação ao mesmo período de 2025. Em valor, houve recuo de 5%, para US$ 3,95 bilhões.
No entanto, quando os embarques destinados à China são excluídos da comparação, o cenário muda significativamente: o volume exportado cai menos de 1%, enquanto a receita cresce 6%.
Taiwan foi um dos mercados com melhor desempenho para a carne bovina norte-americana em 2026.
Em maio, as exportações para o país cresceram 9% em volume, atingindo 5.358 toneladas, enquanto a receita aumentou 16%, chegando a US$ 63,7 milhões.
Entre janeiro e maio, Taiwan importou 25.159 toneladas, alta de 16%, movimentando US$ 287,9 milhões, crescimento de 12% sobre igual período do ano passado. O mercado é considerado um importante destino para cortes de maior valor agregado, incluindo cortes do traseiro bovino.
O Japão também apresentou um comportamento semelhante ao observado no resultado geral das exportações.
Embora o volume embarcado em maio tenha recuado 8%, para 20.102 toneladas, a receita aumentou 7%, alcançando US$ 166,2 milhões.
No acumulado do ano, as exportações para o país somaram 95.061 toneladas, queda de 9%, enquanto o valor recuou apenas 4%, para US$ 743,2 milhões.
A entidade destaca que vem intensificando a promoção de cortes premium certificados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos junto aos setores varejista e de food service japoneses, buscando capturar maior valor em produtos pouco valorizados no mercado doméstico.
As exportações para a Coreia do Sul continuam abaixo das registradas em 2025, mas o cenário pode mudar nos próximos meses.
Em maio, os embarques totalizaram 19.817 toneladas, queda de 21%, enquanto a receita diminuiu 12%, para US$ 206 milhões.
Segundo a Federação de Exportação de Carne dos Estados Unidos, importadores sul-coreanos anteciparam compras de carne australiana antes da entrada em vigor de uma tarifa de salvaguarda mais elevada, o que reduziu temporariamente a demanda pela carne norte-americana.
A expectativa, porém, é de que a elevação da tarifa aplicada à carne bovina da Austrália aumente a competitividade da carne dos Estados Unidos no mercado sul-coreano durante o segundo semestre.
Outros mercados também contribuíram para elevar o valor das exportações norte-americanas.
Na América do Sul, os embarques cresceram 13% em volume entre janeiro e maio, enquanto a receita avançou 38%, impulsionada principalmente pelo Chile. Somente em maio, as exportações para a região aumentaram 41% em valor.
Os países da Associação das Nações do Sudeste Asiático registraram crescimento de 33% no volume e 43% na receita no acumulado do ano, favorecidos principalmente pela retomada das compras da Indonésia e pelo fortalecimento da demanda no Vietnã.
Já o Egito, importante comprador de miúdos bovinos norte-americanos, apresentou aumento de 12% na receita entre janeiro e maio, mesmo com redução de 9% no volume embarcado.
Apesar das dificuldades enfrentadas no mercado chinês, a Federação de Exportação de Carne dos Estados Unidos avalia que há sinais positivos para o restante do ano.
Segundo o presidente e CEO da entidade, Dan Halstrom, Taiwan tem sido um dos principais destaques de 2026, e a expectativa é de melhora na demanda sul-coreana à medida que a carne australiana enfrente tarifas mais elevadas.
O relatório também mostra que, em maio, as exportações representaram 13,8% de toda a produção norte-americana de carne bovina e 10,4% da produção de cortes musculares, reforçando a importância do mercado externo para a cadeia da carne bovina dos Estados Unidos.
Fonte: U.S. Meat Export Federation (USMEF), traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.