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10 de julho de 2026

Valor das exportações de carne bovina dos EUA cresce mesmo com queda no volume embarcado

As exportações de carne bovina dos Estados Unidos apresentaram um comportamento misto em maio de 2026. Embora o volume embarcado tenha recuado em relação ao mesmo período do ano passado, a receita obtida com as vendas externas aumentou, impulsionada pelo maior valor agregado dos produtos e pelo bom desempenho em diversos mercados estratégicos. Os dados foram divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos e compilados pela Federação de Exportação de Carne dos Estados Unidos.

Em maio, os Estados Unidos exportaram 91.925 toneladas de carne bovina, volume 5% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025. Apesar disso, o valor das exportações cresceu 2%, alcançando US$ 818,1 milhões.

Segundo a entidade, o resultado foi sustentado principalmente pelo aumento do valor das exportações para mercados como Taiwan, Japão, países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), América Central, América do Sul e Egito.

Receita por animal abatido atinge maior nível em quase quatro anos

Outro destaque foi o desempenho da receita obtida por animal terminado abatido.

Em maio, o valor das exportações correspondeu a US$ 468 por cabeça, alta de 15% em relação ao mesmo mês do ano anterior e o maior patamar registrado desde julho de 2022.

No acumulado de janeiro a maio, a média foi de US$ 435,38 por cabeça, também 5% superior ao mesmo período de 2025.

China continua limitando as exportações

Apesar de a China ter renovado, em meados de maio, os registros vencidos de frigoríficos norte-americanos, os embarques para o país permaneceram muito reduzidos.

Segundo a Federação de Exportação de Carne dos Estados Unidos, diversas plantas continuam suspensas e outros exportadores seguem evitando embarques devido à permanência de barreiras técnicas ainda não solucionadas.

Como resultado, as exportações para a China totalizaram apenas 471 toneladas em maio, movimentando US$ 2,7 milhões.

No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, as exportações totais de carne bovina dos Estados Unidos somaram 457.063 toneladas, queda de 10% em relação ao mesmo período de 2025. Em valor, houve recuo de 5%, para US$ 3,95 bilhões.

No entanto, quando os embarques destinados à China são excluídos da comparação, o cenário muda significativamente: o volume exportado cai menos de 1%, enquanto a receita cresce 6%.

Taiwan se destaca entre os principais compradores

Taiwan foi um dos mercados com melhor desempenho para a carne bovina norte-americana em 2026.

Em maio, as exportações para o país cresceram 9% em volume, atingindo 5.358 toneladas, enquanto a receita aumentou 16%, chegando a US$ 63,7 milhões.

Entre janeiro e maio, Taiwan importou 25.159 toneladas, alta de 16%, movimentando US$ 287,9 milhões, crescimento de 12% sobre igual período do ano passado. O mercado é considerado um importante destino para cortes de maior valor agregado, incluindo cortes do traseiro bovino.

Japão paga mais mesmo comprando menos

O Japão também apresentou um comportamento semelhante ao observado no resultado geral das exportações.

Embora o volume embarcado em maio tenha recuado 8%, para 20.102 toneladas, a receita aumentou 7%, alcançando US$ 166,2 milhões.

No acumulado do ano, as exportações para o país somaram 95.061 toneladas, queda de 9%, enquanto o valor recuou apenas 4%, para US$ 743,2 milhões.

A entidade destaca que vem intensificando a promoção de cortes premium certificados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos junto aos setores varejista e de food service japoneses, buscando capturar maior valor em produtos pouco valorizados no mercado doméstico.

Coreia do Sul deve ganhar importância no segundo semestre

As exportações para a Coreia do Sul continuam abaixo das registradas em 2025, mas o cenário pode mudar nos próximos meses.

Em maio, os embarques totalizaram 19.817 toneladas, queda de 21%, enquanto a receita diminuiu 12%, para US$ 206 milhões.

Segundo a Federação de Exportação de Carne dos Estados Unidos, importadores sul-coreanos anteciparam compras de carne australiana antes da entrada em vigor de uma tarifa de salvaguarda mais elevada, o que reduziu temporariamente a demanda pela carne norte-americana.

A expectativa, porém, é de que a elevação da tarifa aplicada à carne bovina da Austrália aumente a competitividade da carne dos Estados Unidos no mercado sul-coreano durante o segundo semestre.

América do Sul, Sudeste Asiático e Egito ampliam compras

Outros mercados também contribuíram para elevar o valor das exportações norte-americanas.

Na América do Sul, os embarques cresceram 13% em volume entre janeiro e maio, enquanto a receita avançou 38%, impulsionada principalmente pelo Chile. Somente em maio, as exportações para a região aumentaram 41% em valor.

Os países da Associação das Nações do Sudeste Asiático registraram crescimento de 33% no volume e 43% na receita no acumulado do ano, favorecidos principalmente pela retomada das compras da Indonésia e pelo fortalecimento da demanda no Vietnã.

Já o Egito, importante comprador de miúdos bovinos norte-americanos, apresentou aumento de 12% na receita entre janeiro e maio, mesmo com redução de 9% no volume embarcado.

Exportações seguem relevantes para a indústria

Apesar das dificuldades enfrentadas no mercado chinês, a Federação de Exportação de Carne dos Estados Unidos avalia que há sinais positivos para o restante do ano.

Segundo o presidente e CEO da entidade, Dan Halstrom, Taiwan tem sido um dos principais destaques de 2026, e a expectativa é de melhora na demanda sul-coreana à medida que a carne australiana enfrente tarifas mais elevadas.

O relatório também mostra que, em maio, as exportações representaram 13,8% de toda a produção norte-americana de carne bovina e 10,4% da produção de cortes musculares, reforçando a importância do mercado externo para a cadeia da carne bovina dos Estados Unidos.

Fonte: U.S. Meat Export Federation (USMEF), traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

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