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3 de novembro de 2026

Wagyu, a carne mais cara do mundo, agora ganha espaço no varejo do país

A carne da raça japonesa de gado bovino Wagyu, a mais cara do mundo, sempre ficou restrita a círculos abastados, restaurantes de alta gastronomia e butiques de carnes. Mas isso está mudando. O nome “Wagyu” tem dado as caras em varejistas de vários Estados do Brasil, da gaúcha Zaffari, com lojas também em São Paulo, ao nordestino Grupo Mateus. E aparecido não só como corte nobre, mas como almôndega, linguiça, hambúrguer, costela e até acém.

À frente da investida está a Guidara, empresa dona de uma fazenda em Americana (SP) e do maior rebanho da raça no país. Alguns anos depois da inauguração de sua unidade de desossa e industrialização, em 2020, que absorveu R$ 30 milhões, e de focar em butiques e restaurantes, o CEO, Daniel Steinbruch, e a diretora técnica, Tatiana Caruso, decidiram expandir o portfólio para produtos mais acessíveis, a fim de remunerar melhor os altos custos de criação.

Atendendo o varejo há dois anos, eles começaram, em 2026, a produzir almôndegas e a ampliar a oferta de linguiças e hambúrgueres de Wagyu. Também têm apostado em porções menores de cortes tradicionais, como ancho, chorizo e picanha.

Hoje, já são 51 redes de varejo, do Norte ao Sul do Brasil, comercializando produtos da marca. Estão na lista o carioca Zona Sul, San Marché, Pão de Açúcar, Super Adega, de Brasília, Zaffari, do Rio Grande do Sul, Líder, do Pará, Mercadinho São Luís, do Ceará. Seis lojas da atacadista Sam’s Club começarão a receber neste mês produtos da marca. O mercado interno consome 90% do que a Guidara produz, e 60% disso vai para o varejo.

“O mercado interno foi uma grata surpresa para nós, não sabíamos o quanto absorveria o produto. Criamos itens para o varejo que têm giro, e estão abrindo essa porta para a empresa”, afirma Caruso ao Valor. “O Wagyu era visto como um produto sem giro, mas temos desde costela de R$ 28,50 até ancho de R$ 950 o quilo”, disse Steinbruch, sobre o preço de venda da empresa a redes varejistas.

Para oferecer a carne macia e com o famoso marmoreio — a gordura entremeada que derrete com o calor e dá sabor amanteigado à carne — o Wagyu precisa de trato fino já na barriga da mãe. A vaca recebe suplemento proteico no terço final da gestação e os bezerros, alimentação especial formulada com óleos essenciais e extratos naturais. Também são castrados antes da idade adulta, para evitar que a testosterona circule e iniba o marmoreio. Em contrapartida, a arroba do Wagyu vale 2,5 vezes a do boi convencional, que por sua vez está na casa dos R$ 390.

Um fator que limitava a difusão da carne é que o Wagyu é abatido mais pesado que outras raças e suas peças pesam mais. A picanha de Wagyu, de 2,5 quilos, pode custar R$ 2,5 mil. “Antes da planta, não conseguíamos porcionar a carne. O varejo passou a fazer sentido com pedaços menores, mais acessíveis”, observa Caruso.

Outra importante fonte de receita para a Guidara são as redes de restaurantes, ou food service, que incluíram o Wagyu, principalmente hambúrgueres, no cardápio — elas compram 40% do que a empresa vende no mercado brasileiro. Alguns dos clientes são Cabana Burger, Pobre Juan, Quebrada Burger e Z Deli, além de restaurantes da alta gastronomia como o estrelado Tuju.

A Guidara também reforçou neste ano ações para expandir a presença no exterior. Depois da estreia incipiente no fim de 2025, com embarques para as Maldivas, Kuwait e Argentina, passou a exportar cerca de um contêiner (20 toneladas) por mês para mais destinos, como Egito, Emirados Árabes, Chile e Cingapura. O ritmo dos embarques em 2027 deve ser o mesmo, pela disponibilidade de animais para abate, mas em 2028 deve dobrar para 40 toneladas por mês. Neste ano, mais de 10% das vendas serão para mercado externo, segundo Steinbruch.

A Guidara tem um rebanho de 1,8 mil animais puros em sua fazenda. Neste ano, deve enviar para abate cerca de 600, de um total de 2,8 mil abatidos, entre puros e cruzados, próprios e de pecuaristas parceiros. A produção de carne de 2026 deve crescer 30% a 40%.

Fonte: Globo Rural.

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