

Trabalhadores na fábrica de snacks Chongqing Lilai Food; empresa processa carne brasileira e de outras origens — Foto: Abiec/Divulgação
O principal segmento atendido atualmente pela carne bovina brasileira na China é o food service. A estimativa é que o produto já responda por mais de 60% da carne utilizada em restaurantes populares, redes de fast food e restaurantes de hotpot, aponta o estudo do adido agrícola em Pequim, Leandro Feijó.
O aumento da inserção do Brasil no mercado chinês pode ocorrer, por exemplo, por meio de parcerias com redes de hotpot chinesas e supermercados físicos e digitais, pela comercialização de kits de carnes e vegetais para preparo de hotpot doméstico, pela inserção em aplicativos de delivery de refeições e estratégias de degustações com transmissões ao vivo pela internet, sugere o estudo.
Chongqing é uma das quatro cidades administradas pelo governo central ao lado de Pequim, Xangai e Tianjin. Com mais de três mil anos de história, foi construída às margens do rio Yangtze. Tem mais de 20 mil pontes e viadutos que também interligam a estrutura multinível da cidade, com ruas e praças a dezenas de metros de altura e até uma linha de metrô que passa literalmente dentro de um prédio residencial.
Motor do desenvolvimento da região central e oeste do país, a cidade tem crescido rapidamente e já tem mais de 32 milhões de habitantes no centro urbano e nos diversos distritos espalhados nos mais de 80 mil quilômetros quadrados de extensão do município, tamanho parecido com o Estado de Santa Catarina.
Mas não é só no hotpot que o consumo da carne brasileira pode crescer na China. Durante o evento da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) em Chongqing, o renomado chef de cozinha Mao Xiaojun fez releituras de outros pratos da culinária chinesa com carne brasileira, como rolinho primavera e carne multissaborizada ao estilo Sichuan, província vizinha de Chonqing. Ele é dono do Silver Pot, restaurante na cidade de Chengdu que ganhou estrela Michelin por quatro anos consecutivos.
“São pratos que combinam ingredientes globais com a culinária local. É a globalização da culinária”, disse durante o preparo das receitas. “A carne bovina brasileira tem excelente qualidade”, elogiou.
O produto nacional também é usado pela indústria de processamento chinesa. A Chongqing Lilai Food é uma delas. A empresa, visitada pela reportagem, fabrica snacks de carne seca, um produto considerado patrimônio cultural imaterial. Com faturamento anual de cerca de R$ 370 milhões, a Lilai Food lidera o mercado local. Além de atuar no varejo, tem forte estratégia de vendas digitais por aplicativos, como TikTok e WeChat.
Diversas empresas brasileiras exportam cortes do dianteiro para a fábrica localizada a 25 quilômetros do centro da cidade. No estoque, havia produtos de ao menos três frigoríficos brasileiros: Naturafrig, MBRF e Minerva. “Procuramos colaboração estável e de longo prazo com fornecedores brasileiros”, disse Wendy Liu, assistente de gerente geral da empresa.
Fonte: Globo Rural.