

O governo de Chongqing, município mais populoso da China, com 32 milhões de habitantes, já tem sugestões de ações para manter o ímpeto de crescimento na importação de carne bovina brasileira e na transformação da cidade em um polo de entrada e distribuição da proteína no interior do país.
Zhang Kui, inspetor de segundo nível da Comissão Municipal de Comércio de Chongqing, disse que uma das ideias é fortalecer a cooperação na inspeção das importações. “Ao introduzir recursos globais de alta qualidade na cidade, como a carne brasileira, isso não só enriquecerá a oferta ao consumidor, mas ajudará a acelerar a qualidade da indústria doméstica de carne bovina”, disse durante participação em evento da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
Para ele, a elaboração de mecanismos de cooperação regular com os exportadores brasileiros vai melhorar a importação e tornar Chongqing um polo de entrada da carne.
Ele destacou também a necessidade de fortalecer a digitalização da cadeia de frios na cidade, para melhorar a logística e circulação dos produtos. Algumas regiões da China já têm investido na construção de plataformas digitais da cadeia de frios, com tecnologia de armazenamento inteligente que ajuda a manter a qualidade do produto até chegar às mesas dos consumidores. Praticamente toda carne brasileira exportada para a China é congelada.
A meta é buscar uma intercooperação para fornecimento de dados logísticos com o Brasil para aumentar a capacidade de controle dessas cargas refrigeradas em Chongqing, disse Kui.
O funcionário do governo local ainda ressaltou o objetivo de fortalecer a cooperação para a criação de novos modelos de negócio. A ideia é promover o consumo da carne bovina e vinculá-lo a eventos artísticos e culturais.
“Já podemos encontrar alguns produtos frescos do Brasil em grandes supermercados de Chongqing e ele está presente em diversos restaurantes de hotpot espalhados pela cidade. Esperamos fortalecer a cooperação e lançar novos cenários de consumo que integrem carne bovina nas festas, festivais de gastronomia, tornando a carne bovina brasileira uma atração turística da China e fazendo de Chongqing uma capital internacional da gastronomia”, comentou.
Ele disse que é preciso se adaptar às tendências diante de mudanças globais do comércio. “Vamos expandir as importações e impulsionar o consumo e criar mais oportunidades e melhores serviços para empresas da cadeia de suprimentos. Queremos trabalhar com o Brasil para tornar Chongqing um centro de consumo da carne bovina brasileira a nível mundial”, revelou.
Mark Zang, CEO da JinShangXu International, uma trading de Chongqing, disse que vê três grandes tendências no mercado de carne bovina e que os agentes devem estar atentos, como os frigoríficos brasileiros e importadores chineses que querem atuar no ramo.
A primeira delas é a sofisticação do consumo, com pessoas mais preocupadas com temas como rastreabilidade, qualidade, sustentabilidade e credibilidade da marca. Ele também observa maior segmentação da cadeia consumidora, com crescimento de nichos como o de cortes premium ou de marcas específicas. Por fim, o empresário diz que a estabilidade no fornecimento vai ser, cada vez mais, uma vantagem competitiva.
“Acredito que as empresas que terão sucesso na próxima década não serão necessariamente aquelas que buscam a expansão mais rápida, mas sim aquelas capazes de construir a confiança mais profunda em toda a cadeia de valor — das fazendas e processadores aos importadores, distribuidores, varejistas e, finalmente, consumidores. Confiança, transparência e coordenação de longo prazo estão se tornando os verdadeiros ativos estratégicos da indústria global de proteínas”, afirmou.
Zang acredita que o mundo vai entrar em uma nova era para a indústria global de carne bovina, definida por “comércio gerenciado, oferta restrita, coordenação estratégica e cooperação internacional mais profunda”.
Fonte: Globo Rural.