

Em sua primeira viagem internacional como ministro da Agricultura, André de Paula está na China, maior parceiro comercial do agro brasileiro, nesta semana. Ele terá reuniões em Pequim com autoridades sanitárias e do comércio chinês e tentará a flexibilização da cota de importação de carne bovina, para que o Brasil possa utilizar volumes não preenchidos por outros fornecedores, como Estados Unidos e Uruguai.
A pauta inclui ainda tratativas para a abertura de mercado para miúdos de suínos, item mais avançado na negociação com os chineses neste momento. O Brasil pleiteia também concessões para miúdos e carne bovina com osso e do cálculo biliar — as pedras de vesículas dos animais que têm alto valor agregado e são cobiçadas pela medicina tradicional local.
Também estão na mesa de negociação os reconhecimentos de todo o Brasil como zona livre de aftosa sem vacinação e de risco insignificante para o mal da vaca louca. O governo tenta ainda o aval chinês para a regionalização das medidas de embargo para a gripe aviária.
Ao Valor, em Xangai, onde participou da inauguração dos estandes da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) na Sial, o ministro disse que espera passar uma mensagem ao governo chinês de continuidade nas negociações. “Não estamos em um novo governo, essa é uma passagem que tem a marca da continuidade”.
O presidente da Abiec, Roberto Perosa, afirmou que a presença do ministro na China pode dar novo impulso às tratativas com Pequim. “A visita do ministro sempre é um momento diplomático que as autoridades chinesas esperam para fazer algum tipo de negociação avançar”, disse. Alguns itens da pauta já estão com questões técnicas resolvidas e dependem do aval diplomático e político, afirmou.
O Brasil deve apresentar uma lista de quase 40 frigoríficos para pleitear novas habilitações. São empresas de carnes bovina, suína e de aves que já cumprem os requisitos técnicos do protocolo sanitário com a China e aguardam aval para iniciar embarques.
O ministro acredita na possibilidade de novas habilitações ainda em 2026, apesar do cenário incerto e limitado por conta da cota para a carne bovina. Ele quer ampliar as habilitações para pequenos e médios frigoríficos e tentar o aval para a primeira planta do Nordeste, única região do país sem unidades autorizadas a comercializar carne bovina com os chineses.
“Eu entendo que esse critério de prestigiar regiões que têm uma participação ainda discreta, pequena, faz diferença. Tenho a expectativa de que a gente possa avançar nesse sentido, prestigiando não apenas os grandes, com um olhar diferenciado para essa questão da regionalidade”, afirmou. “Todas as vezes em que uma planta é habilitada, é quase como uma marca temporal. A história passa a ser contada como antes e depois da habilitação”, completou o ministro.
O Brasil tem 146 unidades habilitadas para exportação de carnes à China. Dessas, 67 são de carne bovina, 19 de carne suína e 59 de produtos avícolas, além de uma planta nordestina autorizada a exportar carne de cavalo, burro ou mula. Em 2024, os chineses habilitaram 38 frigoríficos brasileiros. A autorização mais recente, de novembro de 2025, foi para um entreposto de produtos avícolas da Aurora Alimentos em Santa Catarina.
A cota para importação de carne bovina brasileira é de 1,1 milhão de toneladas em 2026, e mais de 50% já havia sido preenchida com os volumes que chegaram ao país até março. Em 2025, o Brasil vendeu quase 1,7 milhão de toneladas da proteína aos chineses. O pedido é para que Pequim possa redirecionar volumes de outros países que não sejam utilizados, estimado em 500 mil toneladas.
Fonte: Globo Rural.