

A Comissão Europeia está em diálogo com o Brasil em relação ao veto à carne brasileira a partir de setembro, disse, nesta segunda-feira (15), o presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, que, assim como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é um dos um dos convidados da cúpula do G7, na cidade francesa de Évian-les-Bains. “Isso é um conceito muito construtivo de resolver problemas”, afirmou Costa.
Logo após o início da aplicação provisória do acordo entre Mercosul e União Europeia, no início do maio, o bloco europeu excluiu o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne ao continente. O argumento é que o Brasil não cumpriu normas relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção.
“Obviamente, há normas sanitárias que precisam ser cumpridas”, disse o presidente do Conselho Europeu, órgão que reúne os chefes de Estado e de governo da União Europeia, frisando que o assunto é da alçada da Comissão Europeia, braço executivo do bloco.
O veto contra a carne bovina brasileira deve ser abordado por Lula no G7 em uma possível bilateral com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, na terça-feira (16), ainda não confirmada. O Brasil não é membro do G7 – que reúne Estados Unidos, França, Alemanha, Reino Unido, Japão e Canadá – e participa da cúpula como convidado.
Lula foi o primeiro chefe de Estado a chegar ao Hotel Royal, em Évian-les-Bains, cidade francesa na região dos Alpes, onde os líderes do grupo das nações ocidentais mais desenvolvidas se reúnem até quarta (17) sob um fortíssimo esquema de segurança.
Segundo o presidente do Conselho Europeu, a participação do Brasil em uma cúpula de líderes do G7 – o que ocorre pela décima vez – é algo positivo.
“Todos os grandes compromissos internacionais que queremos assegurar para conseguir resolver os desequilíbrios macroeconômicos globais (prioridade da presidência francesa do G7), para lidar com questões como IA e de parcerias para o desenvolvimento implica engajamento de todos, e o Brasil obviamente não pode faltar.”
Durante a tarde, Lula se reuniu com o anfitrião do encontro, o presidente francês, Emmanuel Macron, por quase uma hora. Fontes ligadas ao governo brasileiro ressaltam que não houve por parte do Brasil um pedido de bilateral com o presidente americano, Donald Trump.
Para a imprensa francesa, Trump chegou a Évian-les-Bains na tarde de segunda-feira “a todo vapor”. Poucas horas antes do início da cúpula do G7, o presidente americano anunciou um acordo com o Irã, confirmado pelas autoridades iranianas, para pôr fim à guerra lançada no final de fevereiro e permitir a reabertura do Estreito de Ormuz.
Em uma entrevista à TV francesa nesta tarde, Macron ressaltou que a prioridade é reabertura do Estreito de Ormuz, mas disse discordar da ideia de “pedágio” que as autoridades iranianas querem cobrar pela passagem de navios na região, afirmando que isso abriria precedentes em outros locais de tráfego marítimo.
Macron também disse que países europeus, coordenados por uma missão franco-britânica, poderiam enviar embarcações no prazo de dois ou três dias para retirar minas instaladas no estreito durante a guerra e reabrir à área à navegação.
Mas Trump, em um encontro com o líder francês logo após sua chegada ao Hotel Royal, em Évian-les-Bains, declarou diante de Macron que “não precisa de muita ajuda” internacional para reabrir Ormuz e minimizou a oferta de cooperação, “mas não seria má ideia mandar um ou dois barcos” e, que nesse caso, os da França poderiam ser uma boa opção.
O conflito no Oriente Médio e a guerra na Ucrânia serão discutidos pelos líderes do G7 na manhã desta terça. Desequilíbrios globais, minerais críticos e regulação da internet serão outros temas discutidos no encontro que vai até quarta.
Fonte: Globo Rural.