Setor de proteína animal precisa de órgãos internacionais funcionando e mercados abertos, diz ApexBrasil
6 de agosto de 2026
Demanda por carne caiu com cota da China e medidas da UE, diz Abiec
6 de agosto de 2026

Com menor demanda da China por carne, Brasil deve reforçar diplomacia e inovação, dizem executivos

Os planos da China de aumentar sua produção doméstica de carne – um dos motivos que levou o país a impor cotas de importação de carne bovina a seus parceiros comerciais, como o Brasil – deve levar o país asiático, principal destino da carne bovina brasileira e um dos principais da carne de frango, a reduzir gradualmente suas importações do produto. Por isso, o Brasil precisa destinar mais esforços à diplomacia comercial, na avaliação do presidente da Aurora Coop, Neivor Canton.

“O Brasil precisa investir mais do que investe hoje em diplomacia comercial. O ritmo de crescimento da produção brasileira nos últimos anos nos manda buscar mais e mais mercados”, afirmou Canton durante painel no Salão Internacional de Proteína Animal (Siavs), em São Paulo (SP).

A perspectiva de demanda menos aquecida da China exige, além disso, que a indústria brasileira se reinvente para acompanhar as mudanças de consumo na velocidade necessária, na avaliação do presidente da Seara, João Campos, que também participou do painel. Há espaço para que os sistemas produtivos evoluam e a cadeia também precisará continuar avançando em eficiência operacional, na velocidade das respostas às mudanças do mercado e em escala para seguir atendendo tanto a China como outros consumidores, disse o executivo.

O diretor presidente da MBRF, Miguel Gularte, também presente no papel, disse acreditar que a China continuará demandando carne do Brasil, em paralelo às mudanças em curso no país, como a migração da população do campo para as cidades e o aumento da renda da população chinesa.

Dentro e fora da China, mudanças de comportamento em diversos países e novas tendências de consumo vêm sendo observadas pelas companhias de carne a fim de adaptar portfólios de produtos e estratégias. Uma das transformações é o aumento das mulheres que passam a trabalhar fora de casa e mudam seu padrão de consumo, buscando produtos de preparo mais rápido, de acordo com Gularte, da MBRF.

“Vemos donas de casa em todas as geografias saindo para trabalhar e querendo alimento de qualidade e custo competitivo”, afirmou o executivo. “Hoje uma dona de casa da Arábia Saudita quer a mesma facilidade do Brasil e da Europa. Isso facilita a uniformidade, a escala e o custo de produção. Hoje a competitividade passa por várias questões, inclusive a uniformização de produtos que chegam a diferentes mercados”, continuou Gularte.

À necessidade de praticidade, se somam também outras tendências, como o crescente uso de canetas emagrecedoras e a maior preocupação com a ingestão de proteínas, além da maior longevidade da população, disse o diretor presidente da MBRF.

Canton, da Aurora, também avaliou que a indústria será redesenhada para produzir menos volume e mais itens com maior valor nutricional. “O comportamento do consumidor mostra uma mudança, da lógica do volume para a lógica do valor nutricional. Isso exige esforço das nossas linhas de produção e de investimentos”, disse.

Campos, da Seara, observou a tendência de lares e famílias estarem ficando menores e de o consumidor estar mais preocupado com a informação sobre o alimento que compra. “Ele quer ler o rótulo, quer entender o que lê”, afirmou.

Do lado da produção, mesmo que o Brasil já seja o maior exportador de carne de frango e bovina, ainda há espaço para aumentar a produtividade na cadeia de frango e em todos os elos da produção – campo, indústria e distribuição, segundo os executivos.

Para Canton, há possibilidade de buscar mais ganhos genéticos e de peso das aves, avançar na profissionalização de produtores e granjas e de melhorar a estrutura logística do país, ferroviária e rodoviária, o que aumentaria a competitividade de exportadores.

Campos, da Seara, concorda que a cadeia de carnes brasileira ainda pode avançar no campo, indústria e comercialização, inclusive com o uso de novas tecnologias e do uso de dados para agilizar decisões. “Temos muitas oportunidades, seja de melhorar para dentro como para fora”, afirmou.

Fonte: Globo Rural.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *