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Análise econômica da adubação nitrogenada de pastagens em sistema de pastejo rotacionado

Marcelo de Queiroz Manella1 e Celso Boin2

Em um radar anterior foi apresentado e discutido resultado da integração da suplementação, rotação de pastagens e confinamento na melhora da eficiência de produção de carne. Naquele radar um dos pontos dentro do sistema era a rotação de pastagens, estratégia esta que vem crescendo na cadeia de produção de carne do Brasil. Neste contexto, iremos apresentar resultados de trabalho apresentado por Lugão (2001) para a obtenção do título de doutor, onde avaliou-se a viabilidade econômica e produtiva de níveis crescentes de adubação nitrogenada em pastagens de Panicum maximum sob pastejo rotacionado.

O trabalho foi muito bem conduzido na região noroeste do estado do Paraná na fazenda experimental do Instituto Agronómico do Paraná (IAPAR). A forragem estudada foi o capim Panicum maximum acesso BRA-006998 que recebeu doses crescentes de nitrogênio (0, 150, 300, 450kg de N/ha/ano, sendo pastejado por animais de cruzamento industrial (249kg) com 12 meses de idade. Os animais faziam rotação nos piquetes com 5 dias de ocupação e 35 de descanso, e as adubações foram parceladas, sendo feitas após a saída dos animais. Foram avaliados a produção de forragem, bem como o desempenho e analise econômica após cinco ciclos completos de rodízio dos pastos (200 dias) entre 15/10/98 e 03/05/99.

O autor relata os benefícios do aumento da dose de nitrogênio (tab. 1). O tratamento que não recebeu adubação nitrogenada apresentou menor produção de matéria seca total, bem como menor disponibilidade média de laminas verdes durante os ciclos de pastejo em relação aos tratamentos que receberam adubação nitrogenada. O ganho médio diário para todos os tratamentos foi de 0,66kg/cab./d, porém, com a maior produção de forragem, em decorrência da adubarão, foi possível aumentar a taxa de lotação média durante o período experimental, possibilitando a maior produção animal por unidade de área. Esta maior produção por unidade de área esteve dentro das metas de 1600 a 2000 kg ganho de peso/ha/ano para pastos de Panicum maximum, segundo revisão feita pelo autor.

Tabela-1: Níveis crescentes de adubação nitrogenada em pastagens de Panicum maximum

Tabela 1

Fonte: Adaptado: Lugão (2001).

A análise econômica feita pelo autor indica aumento linear para as doses nitrogênio (tab. 2). Os custos dos tratamentos 450, 300, 150 kg de N/ha/ano foram de 45, 90 e 135% maiores que o custo do tratamento com zero de N, sendo que o custo verificado foi R$1,5 para cada kg de N aplicado. Segundo os autores, para a otimização do sistema os ganhos de peso vivo devem ser de 1,5kgPV/kgN, quando considerado o preço de comercialização dos animais na época de (abril/1999) R$0,95/kgPV.

Tabela-2: Avaliação econômica

Tabela 2

Fonte: Adaptado: Lugão (2001).

A contribuição da adubação nitrogenada para o montante total dos custos foi de 0, 14, 21 e 27% do total para os tratamentos com 0, 150, 300 e 450kg de N/ha/ano, respectivamente. Ao fazer simulações a partir dos dados obtidos, a dose estimada que propiciou maior lucro foi de 419kg de N/ha/ano com rentabilidade de R$550 por ha.

O autor conclui que a utilização de doses altas de nitrogênio em sistema de pastejo rotacionado de Panicum maximum possibilita maior produção de forragem com aumento na capacidade de suporte das pastagens, possibilitando maior retorno sobre o capital investido.

Bibliografia consultada

Lugão, S.M.B. Produção de forragem e desempenho animal em pastagens de Panicum maximum Jacq. (Acesso BRA-006998) adubadas com nitrogênio na região noroeste do estado do Paraná. Jaboticabal-SP-Unesp, 2001, 152p. Tese (Doutorado)-Universidade Estadual Paulista. 2001.

Comentário BeefPoint : A rotação de pastagem associada a altas aplicações de N, apresenta custos elevados, porém pode permitir maior rentabilidade. A produção por kg de N, o custo do N e o valor do kg do ganho são variáveis importantissimas a serem monitoradas. Além disso, o custo de um plano alimentar complementar deve ser incluído na avaliação econômica do sistema como um todo, pois a capacidade de suporte não é constante durante toda a estação de crescimento de forragens. A adubação nitrogenada deve seguir recomendações técnicas levando-se em conta as características da região, o tipo de manejo das pastagens, assim como o equilíbrio entre os diferentes nutrientes minerais. A adubação desequilibrada, além de diminuir a resposta por unidade de nutriente, causa impacto ambiental negativo.

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1. Doutorando, Ciência Animal e Pastagens, ESALQ/USP
2. Eng. Agr., PhD, Prof. Convidado, ESALQ/USP, Consultor

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