Inventário inicial, parte 2: Levantamento das benfeitorias; máquinas; motores; equipamentos e veículos
22 de setembro de 2000
Cadeia da carne bovina: o problema da taxação de couros para exportação
6 de outubro de 2000

Aprendendo a divulgar a carne bovina brasileira

Na semana passada foi realizado em Belo Horizonte o XIII Congrsso Mundial da Carne. Nessa oportunidade estiveram presentes representantes de governos, de cadeias produtivas e do comércio de carnes do mundo todo.

Na semana passada foi realizado em Belo Horizonte o XIII Congrsso Mundial da Carne. Nessa oportunidade estiveram presentes representantes de governos, de cadeias produtivas e do comércio de carnes do mundo todo. Foi uma oportunidade ímpar para mostrar o que é e o que pode ser feito pelas cadeias de carnes brasileiras, principalmente pela cadeia da carne bovina para atender os mais diferentes e exigentes mercados ao redor do mundo.

Parece que a oportunidade não foi perdida. Além dos contatos, conversações e negócios durante o Congresso em Belo Horizonte, os participantes estrangeiros tiveram a oportunidade de visitar “in loco” algumas das principais regiões produtoras do país. Foram levados a conhecer os sistemas de produção, a indústria de abate e principalmente o enorme potencial da cadeia de carne bovina brasileira em produzir diferentes tipos de produtos para atender diferentes nichos de mercado. Consequentemente, contatos antigos foram reestabelecidos e novos contatos estabelecidos entre representantes da cadeia da carne do Brasil com os de diferentes mercados compradores e potencialmente compradores.

O surgimento dos focos de aftosa imediatamente antes da realização do Congresso foi preocupante em termos de conceito e seriedade do Brasil e dos demais países do Mercosul perante os principais mercados importadores ou potencialmente importadores de carne bovina. Embora tenham sido publicadas notícias de vários desencontros entre autoridades estaduais e federais e entre autoridades dos países envolvidos, as atitudes e principalmente as ações das autoridades desses países foram prontamente postas em prática seguindo as normas internacionais estabelecidas pela OIE para erradicação dos focos de aftosa. Essa demonstração de vontade política dos países do Mercosul em não só falar mas de agir prontamente e eficientemente, sem dúvida nenhuma contribuirá para que nossos principais importadores de carne bovina comecem a acreditar de fato que essa região quer explorar adequadamente seu potencial produtor e exportador.

Entretanto, é importante chamar a atenção para uma notícia que nos deixa um pouco preocupado. Ela foi publicada pelo jornal Correio do Povo, RS, no dia 22 de setembro último e está transcrita a seguir:

“Representantes das Federações de Produtores Rurais do Mercosul, FARM, discordam da obrigatoriedade da rastreabilidade nos rebanhos da região, como vem ocorrendo desde 1º de setembro na Europa.
Segundo o presidente da Sociedade Rural Argentina, Arturo Llavallol, entre as dificuldades para a implantação da rastreabilidade está o tamanho dos rebanhos no Cone Sul, muito maiores que na Europa. O presidente da Confederação Nacional da Agricultura, Antônio Ernesto de Salvo, que representa o Brasil na FARM, argumenta que a rastreabilidade surgiu em decorrência do problema da doença da ´vaca louca´ no rebanho europeu, que a iniciativa não se aplicaria aqui, porque na América do Sul não existe a doença”.

Não temos dúvida que a rastreabilidade no seu sentido mais amplo veio para nunca mais ser deixada de lado por qualquer cadeia produtiva, principalmente de alimentos em geral e em especial de alimentos para o homem. Contestar esse fato é um retrocesso e achamos ou queremos acreditar que as colocações que apareceram na notícia transcrita foram mais no sentido de se discutir como estabelecer a rastreabilidade nas condições de produção de carne bovina no Mercosul. Felizmente, redes de supermercados no Brasil estão começando a praticar a rastreabilidade para garantir a origem em algumas cadeias de alimentos, incluindo a carne bovina. Os mais interessados em estabelecer e praticar a rastreabilidade devem ser os integrantes das cadeias de alimentos para mostrar aos consumidores seus compromissos com a segurança alimentar e com a qualidade de seus produtos.

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