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Argentina perde mercado de carne

A Argentina está prestes a admitir oficialmente o que já se sabe no mercado: o país enfrenta focos de febre aftosa em várias regiões, desde a província de Buenos Aires até o Norte e o Nordeste do país. Os jornais mostram fotos de animais doentes, mas o governo ainda não admitiu a situação, embora tenha, ontem, sustado o envio de carne aos EUA e Canadá. Estes países decidiram, também, suspender as compras de carne européia, depois da informação do Ministério da Agricultura da França sobre focos da doença no noroeste do país. A Itália pode ter ovinos infectados na região Sudeste e em fevereiro foram detectados os primeiros focos no Reino Unido.

Hoje, secretários de Agricultura do Sul do Brasil se reúnem com técnicos da Defesa Sanitária Animal, em Brasília, para traçar a estratégia de ação estadual diante do reconhecimento da aftosa na Argentina.

O secretário do Paraná, Antonio Poloni, antecipou que pretende propor regime de prontidão dos serviços de vigilância sanitária. A região já é considerada pela Organização Internacional de Epizootias (OIE) como livre da aftosa e quer manter o status, “que valoriza a carne bovina e garante mercados”, comenta.

Criadores e exportadores, que haviam reagido favoravelmente à suspensão do embargo decidido pelos EUA e Canadá, manifestaram ontem preocupação pelos efeitos, no mercado, do registro de febre na Argentina e conseqüente interrupção de compras nesse país, tradicional exportador. Para analistas, as exportações brasileiras podem ser afetadas pelo clima de insegurança.

“Temos de competir pela eficiência, pelo preço e pela qualidade de nosso produto. Não interessa ao Brasil que a Argentina saia do mercado por muito tempo”, diz José Vicente Ferraz, diretor da FNP Consultoria, de São Paulo.

O temor se baseia na larga fronteira seca, que favorece o contágio do vírus da febre aftosa, entre rebanhos do Brasil e Argentina. Há também receio de contaminação por meio do transporte de cargas, pois nem sempre o controle sanitário é adequadamente feito na fronteira.

A crise da vaca louca e a volta da aftosa a vários países europeus oficialmente livres da doença dão munição à cultura de rejeição à carne bovina, em recente alta, acrescenta Ferraz. Há dúvidas no mercado sobre a possibilidade de os governos federal e estadual manterem o controle total sobre a sanidade nas regiões brasileiras livres da aftosa.

Na Irlanda, logo que o Reino Unido anunciou a existência da aftosa no rebanho animal, o governo suspendeu eventos internacionais, como jogos de futebol, para reduzir o risco de o país ser infestado.

A lotação dos hotéis até despencou, mas foi a forma encontrada pelos irlandeses de proteger a indústria de carne do país. Todos que chegam nos aeroportos, portos e postos de fronteira da Irlanda precisam passar por um processo de limpeza, para eliminar eventuais vírus da aftosa.

Analistas do mercado indagam por que razões as autoridades brasileiras ainda não adotaram medidas mais duras nos seus principais pontos de entrada para evitar a contaminação do rebanho animal.

(Por Ismael Pfeifer, Rosely Vargas, José Alberto Gonçalves, para Gazeta Mercantil, 14/03/01)

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