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Cadeia da carne bovina precisa de novas lideranças

Na semana passada, abordamos a reportagem do Fantástico sobre colesterol e gordura saturada e as reações causadas em alguns setores da cadeia da carne bovina, em virtude da (des) informação passada aos telespectadores. Além disso, ou por causa disso, existe o aspecto econômico e social daqueles que têm seu ganho proveniente desse setor. Era esperado um esclarecimento por parte dos responsáveis pela reportagem no programa seguinte, o que não aconteceu.

Na pesquisa do BeefPoint sobre a repercussão da reportagem sobre a população, dois terços dos que responderam consideraram que foi média e grande, isto é, que a mensagem do programa atingiu o seu objetivo.

Embora um esclarecimento por parte do programa sobre os erros da reportagem seria uma questão de honra para as cadeias produtivas afetadas, achamos que a repercussão perante ao público seria muito pequena. Normalmente, desmentidos e reparos são pouco eficientes em chamar a atenção do público alvo quando comparados com reportagens sensacionalistas previamente anunciadas.

As carnes, e no presente caso a bovina, têm que ser promovidas com base na qualidade nutricional e na segurança de seu consumo. Ainda não surgiu no Brasil uma entidade que de fato represente os interesses da cadeia da carne bovina independente de interesses particulares e de grupos. Enquanto isso não acontecer, vai ser difícil envolver o setor produtivo em programas e ações, tanto para mostrar as vantagens para a saúde do uso moderado de carne na dieta humana, como para esclarecer os consumidores sobre informações não verdadeiras ou tendenciosas, que prejudicam a imagem da carne bovina como alimento. Os resultados obtidos pelas campanhas da Associação Nacional de Produtores de Gado de Corte dos Estados Unidos da América do Norte, várias vezes referidos na seção Giro do Boi do BeefPoint, poderiam servir de estímulo ao surgimento de novas lideranças na cadeia da carne bovina para assumirem as entidades de classe existentes ou que vierem a ser criadas, dando mais prioridade aos interesses da cadeia da carne e do país, do que aos interesses particulares e de grupos.

Em termos de promoção da carne bovina, é sabido que a Argentina sempre esteve muito à frente do Brasil. É comum ouvir, de brasileiros que têm participado de congressos, simpósios e reuniões internacionais sobre carne bovina, comentários positivos sobre a atuação da representação Argentina, principalmente do sinergismo entre os representantes do setor privado e do setor público na promoção e divulgação da sua carne bovina. A criação recente do Instituto de Promoção da Carne Bovina Argentina mostra a importância e a atenção que nosso vizinho dá à cadeia da carne como atividade econômica.

Continuamos a discutir sexo de anjo. Precisamos acordar e agir rapidamente.

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