

A carne bovina está conquistando espaço em uma categoria que vai além das refeições tradicionais: a dos snacks proteicos. Produtos de carne bovina seca, prontos para consumo e com apelo de alto teor de proteína vêm acompanhando mudanças nos hábitos dos consumidores e devem sustentar o crescimento desse mercado nos próximos anos.
De acordo com relatório da IndexBox sobre o mercado global de carne bovina seca sem glúten, a categoria deve registrar crescimento médio anual de 7,2% entre 2026 e 2035. A projeção levaria o índice de tamanho do mercado a 185 em 2035, considerando 2025 como base 100 — o equivalente a um avanço acumulado de aproximadamente 85%.
O movimento combina diferentes tendências de consumo. Além da procura por produtos sem glúten, cresce a preferência por dietas com maior teor de proteína e menor presença de carboidratos, assim como por alimentos convenientes, fáceis de transportar e consumir ao longo do dia.
Nesse cenário, a carne bovina seca passa a disputar espaço com outros alimentos associados ao consumo de proteína, como barras proteicas, castanhas e queijos.
A transformação não ocorre apenas no volume consumido. O mercado também está se dividindo entre produtos mais acessíveis, sujeitos a uma competição maior por preço, e uma categoria premium, na qual atributos relacionados à origem e à forma de produção ajudam a agregar valor.
Entre os diferenciais apontados pelo relatório estão produtos provenientes de animais alimentados a pasto, opções orgânicas, produtos sem nitratos adicionados e maior rastreabilidade da origem da carne.
Também ganha importância o conceito de rótulo limpo, associado à preferência por alimentos com ingredientes mais simples e reconhecíveis e menor presença de aditivos artificiais.
Esses atributos podem sustentar preços mais elevados e criar oportunidades para marcas que consigam diferenciar seus produtos em um mercado no qual as opções convencionais enfrentam maior pressão de preço.
Outro fator importante é a mudança nos canais de venda. As lojas de conveniência representam, segundo as estimativas do relatório, cerca de 30% da demanda pela categoria e se beneficiam principalmente das compras por impulso e da procura por alimentos que possam ser consumidos em movimento.
Supermercados e hipermercados representam aproximadamente 25%, enquanto o varejo online responde por cerca de 20%.
O comércio eletrônico, porém, é apontado como o canal de crescimento mais rápido. Marcas que vendem diretamente ao consumidor, modelos de assinatura, marketplaces e estratégias de divulgação pelas redes sociais vêm ampliando as possibilidades de chegar a públicos específicos.
Essa combinação entre proteína, praticidade e formatos individuais transforma a carne bovina em uma opção para momentos nos quais, tradicionalmente, ela não estaria presente — como um lanche entre refeições, durante viagens ou após atividades físicas.
A América do Norte concentra atualmente cerca de 40% da demanda mundial pela carne bovina seca sem glúten. Os Estados Unidos lideram esse mercado, impulsionados pela cultura de consumo de snacks proteicos e pela maior presença de produtos associados às tendências de alto teor de proteína e rótulo limpo.
A Europa aparece com aproximadamente 25%, seguida pela região Ásia-Pacífico, com 20%. Esta última é apontada como a região com crescimento mais rápido, embora parta de uma base menor.
Na América Latina, que representa cerca de 10% da demanda, Brasil e México são apontados como mercados com crescimento promissor. Segundo o relatório, a região combina uma cultura já existente de consumo de produtos de carne com um interesse crescente por saúde e nutrição. Volatilidade econômica e limitações na distribuição, porém, podem restringir uma expansão mais acelerada.
O avanço projetado não elimina desafios. O preço mais elevado em comparação com snacks convencionais pode limitar a adoção por um público maior. A volatilidade do preço da carne bovina, a concorrência de outras fontes de proteína e as diferentes exigências de rotulagem também aparecem entre os obstáculos.
Ainda assim, a projeção até 2035 aponta para uma ampliação das ocasiões de consumo da carne bovina. Mais do que acompanhar o crescimento de uma categoria específica de carne seca sem glúten, o movimento mostra como a combinação entre proteína, conveniência, origem e praticidade pode abrir novos espaços para produtos bovinos no mercado de snacks.
Fonte: IndexBox.