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Circuito Sul vai discutir vacinação contra aftosa

Secretários da agricultura dos três estados do Sul e técnicos do Ministério da Agricultura discutem amanhã em Porto Alegre a adoção de um programa emergencial para o combate da febre aftosa, segundo reportagem de Marcelo Flach, publicada hoje na Gazeta Mercantil. “Será dos pecuaristas a decisão se querem manter status de área sem vacinação”, afirma o ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes.

“Técnicos do ministério recomendam que não se deixe para trás esse status.” Os secretários dos três estados entendem que a vacinação contra aftosa seria um retrocesso. A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) apoiará o ministério, mas a Federação dos Trabalhadores na Agricultura no estado (Fetag), que congrega pequenos produtores, é a favor da retomada da vacinação.

A decisão precisa ser bem estudada para ver quais as conseqüências, alerta Pratini. A volta da vacinação, por exemplo, acabaria prejudicando os embarques de carne suína. Somente Santa Catarina prevê exportar 200 mil toneladas de suíno neste ano, 40% superior a 2000, uma receita de US$ 250 milhões. “Voltar a vacinar seria um retrocesso”, disse o secretário da Agricultura de Santa Catarina, Odacir Zonta. “Além disso, colocaria em dúvida o que já foi feito para eliminar a doença.”

Zonta defende a montagem de estrutura permanente de fiscalização na fronteira para evitar o ingresso de animais infectados. O secretário da Agricultura do Rio Grande do Sul, José Hermeto Hoffmann, é contra a volta da vacinação para não isolar o estado das demais regiões produtores do País. Manter o gado longe do medicamento é necessário para garantir embarque de carne fresca para os EUA a partir de 2002. “Se voltar a vacinar, quem vai exportar é Mato Grosso e Goiás”, diz Pratini.

“É preferível vacinar e perder um pouco do mercado do que depois ter de sacrificar animais como aconteceu em Jóia (RS)”, disse o presidente da Fetag, Heitor Schuch. A estimativa inicial era de o Brasil exportar US$ 1 bilhão em carne neste ano. “Precisamos rever esse número após o problema com o Canadá e da redução de consumo na Europa”, diz Pratini.

Hoffmann critica o programa de combate à aftosa do governo federal porque cria uma “guerra sanitária” entre os estados. Pratini garante que o programa será mantido e anuncia a contratação de 500 veterinários e zootecnistas e 1.100 profissionais para a Embrapa na área de defesa animal. Também haverá funcionários permanentes do Brasil nas sedes da OMC, em Genebra (Suíça), e União Européia, em Bruxelas (Bélgica).

(Por Marcelo Flach, para Gazeta Mercantil, 06/03/01)

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