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Confinamento deve atingir recorde de 9,7 milhões de bovinos em 2026 com salto de até 23% na rentabilidade

Acidose ruminal

A pecuária intensiva brasileira caminha para um novo recorde em 2026. A prévia do Censo de Confinamento indica que o país deverá encerrar o ano com 9,78 milhões de bovinos terminados em confinamento, avanço de 5,7% sobre os 9,25 milhões registrados em 2025.

Mais do que um crescimento numérico, os dados revelam uma transformação estrutural da atividade, impulsionada pela busca por eficiência, pelo avanço da tecnologia e por um cenário global marcado pela escassez de carne bovina.

Os números foram apresentados nesta terça-feira (2), durante coletiva virtual promovida pela dsm-firmenich, que reuniu os resultados preliminares do Censo de Confinamento 2026 e os principais indicadores do Tour de Confinamento 2025.

A iniciativa é realizada desde 2015 e tem o objetivo de compartilhar e analisar dados de produtividade, rentabilidade e adoção de tecnologias na pecuária de corte intensiva em todo o Brasil.

A leitura converge com a avaliação de Luiz Fernando Magalhães, presidente de Nutrição e Saúde Animal para a América Latina da dsm-firmenich. Segundo ele, o levantamento mostra uma atividade cada vez mais profissionalizada e orientada por gestão.

“Há um período de lacuna na produção global que, invariavelmente, impede o afastamento da China”, explicou.

Na avaliação do especialista, a intensificação da produção vem permitindo que a pecuária de corte atravesse um período mais favorável do que outras cadeias do agronegócio.

“A pecuária de corte é um dos poucos setores, senão o único, que está capitalizado no agronegócio brasileiro hoje, e isso se deve muito à intensificação da produção”, destacou.

Cenário favorável para 2026

As projeções apresentadas durante a coletiva indicam que a atividade pode registrar um novo recorde de rentabilidade neste ano. A estimativa preliminar aponta ROI de 23,31%, o maior patamar de toda a série histórica monitorada pelo Tour de Confinamento.

O cenário é sustentado por preços firmes do boi gordo, custos relativamente controlados de alimentação e pela continuidade da demanda internacional.

Na avaliação de Bernardino, o principal combustível dessa trajetória continua sendo a escassez global de proteína bovina.

“Entramos em 2026 com o cenário de um dos maiores déficits globais de carne bovina desde 2006. O mundo precisa da nossa proteína”, afirmou.

Nesse contexto, o confinamento consolida sua posição como uma ferramenta estratégica para ampliar a oferta de carne, acelerar o giro dos rebanhos e aumentar a produtividade da pecuária brasileira.

Mais do que uma resposta ao mercado, a intensificação da produção passa a ocupar papel central na construção da competitividade do setor nos próximos anos.

Expansão acompanha avanço da agricultura

O levantamento mostra Mato Grosso na liderança nacional, com expectativa de 2,4 milhões de bovinos confinados em 2026. Na sequência aparecem São Paulo e Goiás, ambos com 1,4 milhão. Mato Grosso do Sul deve atingir 900 mil bovinos e Minas Gerais, 800 mil. Juntos, os cinco estados representam aproximadamente 70% do volume nacional estimado para este ano.

A expansão dos sistemas intensivos acompanha o avanço da agricultura sobre novas fronteiras produtivas, especialmente em regiões com maior disponibilidade de grãos, coprodutos e infraestrutura logística.

“O confinamento cresce onde a agricultura avança. Ela desaloja os animais do pasto, mas traz consigo a infraestrutura, o grão e a agroindústria para alimentá-los”, afirmou Walter Patrizi, gerente de Confinamento para a América Latina da dsm-firmenich.

O movimento também tem sido impulsionado pela crescente oferta de DDG, coproduto da indústria de etanol de milho que vem ganhando espaço nas dietas pecuárias.

“A quantidade de DDG produzida hoje no Brasil já é suficiente para alimentar todos os bois confinados com essa matéria-prima”, observou Patrizi.

Outro sinal da transformação da atividade é o avanço da concentração. Os grandes empreendimentos ampliam participação no mercado e o grupo dos 100 maiores já responde por cerca de 48% de todo o rebanho confinado do país.

Margens voltam a crescer

Se o crescimento do volume confinado chama atenção, a recuperação da rentabilidade é um dos principais destaques do levantamento.

O Tour de Confinamento 2025 acompanhou oito operações distribuídas em diferentes regiões do país e registrou ganho médio de 7,22 arrobas por animal em 98 dias de cocho. O peso médio de entrada foi de 12,7 arrobas e o de saída alcançou 19,92 arrobas.

O retorno médio sobre o investimento (ROI) ficou em 16,31%, o segundo melhor resultado dos últimos 11 anos, atrás apenas de 2020, período marcado pelo forte avanço das exportações brasileiras para a China.

Para Bernardino, os números ajudam a explicar o crescente interesse dos pecuaristas pelos sistemas intensivos.

“Em vários momentos e em muitos confinamentos, a atividade de pecuária intensiva deixou mais dinheiro do que o próprio banco, do que o próprio CDI”, afirmou.

Os resultados foram alcançados mesmo diante da alta dos custos de reposição. Em 2025, o boi magro acumulou valorização de 25,56% em relação ao ano anterior, enquanto o milho registrou alta de 8%. Ainda assim, a valorização do boi gordo, aliada aos ganhos de eficiência, garantiu resultados positivos em todas as regiões avaliadas.

Segundo os dados apresentados, a reposição chegou a representar até 80% do custo operacional em algumas operações. Isso reforça a importância da gestão e do uso de tecnologias nutricionais capazes de elevar o desempenho dos animais e reduzir o custo por arroba produzida.

Fonte: Forbes.

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